sábado, 30 de julho de 2016

Para um quase amor de quarta-feira.

Amor também é quando a gente esquece do resto do mundo
 por cinco minutos, só pra estar com aquela pessoa agora. 
Mesmo que não passe disso.” 
(D. 21, artista de rua- falando sobre a vida 
enquanto tentava me vender um colar).

Talvez amanhã nada disso faça sentido.”, pensei enquanto nos beijávamos.
Era muito provável isso virar uma daquelas lembranças que nos vêm à mente provocando risinho no canto da boca, e só.
Talvez nem signifique todas as coisas nas quais eu estava pensando naquele exato momento, e tudo fosse só um emaranhado de encantamentos frívolos, que sequer fariam sentido dali a cinco minutos.
Mas,ali, enquanto enxergava os tons de marrom dos seus olhos e tinha suas mãos na minha cintura sob o céu estrelado de uma noite fria: eu te quis.

E imaginei, por alguns segundos, o quão maravilhoso era o encontro das nossas almas prestes a se beijarem com a urgência adolescente mais gostosa das últimas décadas.
Queria ir pra casa e te ligar pra dizer que seu cheiro ficou na minha roupa, e que muito provavelmente eu fosse dormir pensando em você.

Parece uma grande bobagem, mas eu já conseguia me imaginar indo dormir pensando em você pelas próximas quatrocentas noites, depois dessa. E mais.

Eu me apaixonei por você em cinco segundos. Foi logo depois de fechar os olhos e continuar vendo o teu sorriso.

É inacreditável o quão pouco podemos prever sobre o que vem depois de um beijo. E mais inacreditável ainda, o quanto eu não me importava com isso, estando ali.

Acho que congelei o tempo nesse teu abraço. Pra guardar num cantinho quente da memória e acessar todas as vezes em que me sentisse vazia, porque você me preencheu de sensações agradáveis, só por estar.

Eu estava querendo você tanto naquele momento, que até me esqueci de todas as probabilidades dessa história não se encaixar nas nossas vidas da maneira como eu gostaria.

Queria poder te dizer o quanto senti, olhando pra você, e pensando em como seria te levar pra jantar lá em casa e te apresentar os cantinhos, dentro e fora de mim.

Foi quando lembrei que, simplesmente, não podemos dizer o que sentimos, ainda que sintamos o suficiente para inundar páginas inteiras com palavras bonitas, que ainda assim não chegarão perto de descrever o que é isso. Precisamos evitar, inclusive, que o sentimento nos invada a ponto de sufocar todas as nossas frustrações e nos fazer esquecer as regras do jogo.

Não era amor para a vida inteira, nem nada tão pulsante quanto a urgência de uma vida a dois. Mas era quase, um quase muito bonito que eu estava sentindo agora, sabe? Uma vontade de permanecer exatamente ali, sem saber que horas são, sem saber onde vai dar, contanto que eu pudesse sentir os seus lábios tocarem os meus numa mistura de malícia e ternura, que se equilibravam tão bem.

Eu não disse nada, ainda que todas as palavras berrassem aqui dentro um “eu estou sentindo coisas muito bonitas por você nesse momento, mas muito provavelmente não as sentirei amanhã. Acho justo que, pelo menos agora, em nome de toda a poesia que pulsa no mundo, você possa saber das sensações que é capaz de causar em instantes, né?”

Me incomoda viver algo tão bonito aqui dentro, que nunca pude te dizer. Pelo simples medo de transparecer as fragilidades de um ego já tão cansado de se esconder atrás da brincadeira de te-fazer-gostar-de-mim.

Será que se eu tivesse aberto os olhos e dito o quanto isso foi uma das melhores coisas que já experienciei, nós teríamos escolhido ficar?

Acho, com quase certeza, que não teria feito diferença nenhuma e a gente ia simplesmente estar do jeito que estamos agora: traçando caminhos opostos, guardando na lembrança o delicioso gostinho de viver uma das mais belas histórias de amor por vinte minutos.

Te mando um riso de canto de boca, cada vez em que penso em você.
Isso também é um pouco de amor, ou quase.

Mesmo que eu nunca tenha dito.

sábado, 9 de julho de 2016

A poesia que não fomos

Desacontecemos no primeiro instante.
Nem fomos, nem vimos, nem soubemos.
Quisemos ser tantas coisas que agora não seremos.


E não tivemos as dores nem o palpitar.
Acertamos a hora, mas não soubemos ficar.

Desatamos antes do laço.
Desacordamos, antes do sono.


A pressa foi tanta,
Que no fim das contas, nem notamos
Mal começou e nós já acabamos.


terça-feira, 5 de julho de 2016

Basta um olhar, um gesto, um instante de compreensão imediata 
e um riso compartilhado pra que a gente queira que aquele instante permaneça. E ele permanece, na medida em que não nos desfazemos da sensação, não é?


Acho que foi o seu jeito de ler as minhas entrelinhas com muito pouca precisão, ou talvez o meu vício por explicar o inexplicável. Só sei que eu quero conhecer os mundos dentro da sua cabeça e te mostrar os infinitos do meu coração.

Posso estar completamente enganada a seu respeito

mas talvez seja isso o que me move.
 A vontade de descobrir pequenos enganos e me perder nas tuas linhas.
 Nos espaços de nós dois.