terça-feira, 22 de março de 2016

Sou uma puta

Oi, eu sou uma puta.
Por que a surpresa?!
É você que vive me chamando assim.
Isso já é normal pra mim.

Mas o que isso significa, afinal?
Que eu sou nada mais do que engolidora de pau?
Que eu vim ao mundo pra te dar prazer?
Que eu não sou nada sem você?

Então, eu sou uma puta.
Porque você me pede sexo, me pede um beijo, me pede uma cerveja.
E eu dou. É assim que eu sou.

Não é?

Sou suja, impura, indigna, vou pra cama com todo mundo.
Se eu discordo, é porque sou puta.
Se eu concordo, é porque... Adivinha?Todos sempre comentam o quanto eu sou uma vadiazinha.

A minha mãe é outra puta.
A minha avó, também foi uma.
Não adianta querer mudar o que sempre foi assim.
Tenho que aceitar o que você acha de mim.

Eu sou puta quando sonho com um salario maior.
Eu sou puta quando brigo por espaço.
Eu sou puta quando te nego sexo.
Eu sou puta quando mato tua sede.
Eu sou puta quando apanho.
Eu sou puta se ousar bater.
Eu sou puta quando digo sim.
Eu sou puta, ninguém vai gostar de mim.

Puta. PUTA. P-U-T-A.
O que será que isso significa?

Que eu sou menos importante?
Que eu sou insignificante?
Que meu grito é histeria,
Minha vida vazia?

Não sei.
Mas sempre fui puta.
Antes mesmo de ser mulher.
Antes mesmo de ser gente.
Antes mesmo de querer ser amada,

Mas quer saber?
Isso não significa nada.

No fim das contas o seu desejo é me calar.
Claro, depois de me usar.

Mas eu aprendi desde cedo, que eu posso até ser uma puta,
Mas sou uma puta que ousa lutar._

segunda-feira, 14 de março de 2016

Não digo

Eu não te direi o quanto me desconserta. Nem o quanto me bagunça. Porque eu não quero nem por um segundo admitir que seu plano, seja ele qual for, funcionou comigo.

Eu não te direi que sinto a sua falta em mais momentos do dia do que sou capaz de admitir em voz alta.
E muito menos o quanto a sua presença deixa qualquer lugar absolutamente confortável.

Eu não direi dos versos, das madrugadas e das reviravoltas que meu coração dá quando penso em você.

Não digo.

Nem digo também o quanto me pesam essas vontades loucas e o quanto eu me esforço pra manter o equilibrio nessa corda bamba de querer você.

Não digo que seu toque me tira do sério, dos eixos, da órbita, do chão. Muito menos que todas as coisas que eu faço, mesmo quando você não está, são pra te agradar.

Eu digo nada. Digo não senhor.
Vou permanecer assim sem dizer uma só palavra.

Até porque, devo admitir, esqueço de todas elas quando você sorri. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Feliz dia das mulheres?

Feliz dia das Mulheres.
A todas as mulheres que me trouxeram até aqui, e me ensinaram muito sobre o meu valor. A todas as mulheres  que eu não conheci e que, ainda assim, contribuíram com suas histórias para que meu pensamento fosse livre e pra que eu tivesse a força e a coragem para buscar as liberdades a que tenho direito.
Feliz dia das Mulheres;;
Às minhas irmãs de luta e às que ainda não entenderam que precisamos lutar (e muito). A todas que, como eu, já foram silenciadas, humilhadas, agredidas (física ou psicologicamente) e ainda assim, não desistiram de si mesmas. 
A todas. Porque todas são admiráveis!
Feliz dia das Mulheres.
Às negras, indígenas, não brancas e brancas também. Às minhas crespas, cacheadas e do cabelo liso. Às marisqueiras, mulheres do campo, do sertão, da cidade.  Às mulheres que “não têm vagina, nem útero, nem tem ovário, por diversos motivos e não apenas por um único.” Às mulheres lésbicas e às bissexuais.
Feliz dia das Mulheres.
Às mulheres que se relacionam com outras mulheres e se amam. Porque sororidade deveria estar na moda. Pratiquem.
A todas nós, que não precisamos seguir os padrões do “feminino”, nem agradar nossos homens na cama, nem odiar “azinimiga”. A todas nós que reconhecemos nossos valores e entendemos que eles não são, NEM SERÃO, maiores do que as outras de nós.
Obrigada a todas vocês por tudo o que me ensinam diariamente. Obrigada por me fazer querer ser mais e sempre. Parabéns pela luta diária, pelo enfrentamento, pelo empoderamento.

Não sou Amélia e,  hoje, não quero flores. 
Quero respeito, dignidade e ESPAÇO para ser exatamente o que quiser.

terça-feira, 1 de março de 2016

Foi quase.

Eu quase me apaixonei por você, sabia? Não sei se por carência ou tédio, ou se por algum motivo o seu riso tímido quase me encantou de verdade.
Quase.
Quase desejei que seus beijos não desgrudassem dos meus e que a gente andasse de mãos dadas pelas ruas da cidade, como quem diz que finalmente a busca acabou. Ou que a gente passasse os domingos jogados no tapete ensaiando canções de amor. 
Quase, quase, que eu passei as noites te lembrando antes de dormir e os dias falando de você até ninguém aguentar mais.
Provavelmente haveriam borboletas dançando nos jardins do meu coração sempre que você chegasse. E o som do seu nome me causaria um formigamento engraçado nas bochechas.
É sério, foi por pouco que eu não entrei nessa dança maluca de quem entrega o coração assim: sem mais nem menos. 
E aí eu acharia você a pessoa mais maravilhosa que esse mundo já conheceu. E sentiria um conforto imenso nesse teu abraço de urso. E ainda iria querer morar nesse teu riso sacana. 
Quase que eu aceito me acostumar com o som da tua voz, o teu cheiro, aquela sua mania de me olhar como quem é capaz de atravessar a capa e acessar a alma. E ainda com tuas ironias e reações exageradas. Teu café meio fraco e teu toque urgente.
Você acredita numa coisa dessas?
Foi por pouco.
Mas muito, muito pouco... Sabia?