domingo, 26 de junho de 2016

intensidade


Tenho um fascínio fora do comum pela profundidade das coisas, sabe? Não tenho nenhuma paciência para a superfície, talvez por considerar que é bem no fundo que se encontram os tesouros mais raros. Principalmente no que diz respeito ao sentir.

Prefiro o que transborda, derrama, esparrama. Se não for assim, não entro no ritmo, não continuo, sequer aconteço.

Gosto das pequenas sensações e despertares. Do toque de desejo inflamado, beijos e abraços demorados, diálogos intermináveis. É importante poder dividir o que se sente, ainda mais quando se sente tanto. Quando se sente muito. Literalmente.

Sou quem desce do muro e aceita pulsar intensamente, de dentro pra fora, todo o amor que houver nessa vida. Por cinco minutos ou uma vida inteira.
Não consigo me encaixar nas regras do jogo. E nem aceitar que realmente existam meios ou formas. Essa necessidade cruel de “deixar pra depois”, pra não parecer fraco, pra não parecer imediatista, intenso, exagerado. É como se mal soubéssemos o quanto sentir é urgente, por si só.
Eu me atiço é com o encontro das almas e a conexão dos corpos. Eu gosto é da intimidade de quem divide as cobertas nas noites de frio e um café forte nos dias difíceis. Eu prefiro sorriso frouxo sem motivo e a vontade avassaladora de compartilhar desimportâncias diárias, porque “lembrei de você”.
Não sei disfarçar. Não sei nem se gostaria de sabê-lo, pois como eu já disse, tenho um fascínio pelo que não cabe em limites. Não aceito me conformar em  passar o resto dos meus dias, achando que a única certeza dessa vida é que vou estar só, como me disseram uma vez.

Não tenho medo de finais infelizes ou mergulhos em águas rasas. Eu me atiro, sem dó nem piedade do meu próprio coração. Sou de me doar por inteiro às histórias que vivo. Não sei viver o morno, meio-termo, mais ou menos, o tanto faz.

Afinal, “a vida só se dá pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu”.
E já doeu sim, viu? Como há de doer outras tantas vezes pra enfeitar ainda mais a beleza que é viver de verdade, sem amarras, sem saber onde vai dar. 
 Não é verdade?


3 comentários:

Anônimo disse...

Tu é fantástica em teus textos. Tu escreve como quem pinta. Dá cores as linhas do teu pensamento. Adoro isso. Tu é van Gogh colorem com energia os sentimentos.
Boa semana.

Carla Dias disse...

Sinta. Sinta muito. Sinta tudo o que puder. Tem como dizer que vive sem todos esses sentires? Tem coisa melhor que ser inteira em tudo? Eu amo. Por mais que doa às vezes rs

Um beijo, Maria!

Anônimo disse...

Apois, ainda dói