sábado, 3 de outubro de 2015

queda-livre

Estávamos de mãos dadas num abismo de sentimentos. La de cima nao se enxergava o chao, mas dava pra ver que havia um imenso (a)mar.
Senti agonia e lembro que voce me agarrou pela cintura e disse: "você pularia comigo?". Sorri com a idéia.

Pensei que a queda-livre ao seu lado não seria tão ruim. Você teria tempo de contar as suas historias favoritas às quais eu escutaria repetidamente com quase a mesma devoção de uma primeira vez. Quis mergulhar no infinito desse (te a)mar e me jogar ali, sem pudores, com todos os motivos pra desistir, com todo o desejo pulsante de resistir. 

Permanecemos parados, firmes, viajantes do nosso próprio pensamento.
Quis te fazer prometer que pularia comigo, mergulharia nessa maré, não soltaria da minha mão durante a queda, mesmo quando parecesse não fazer mais sentido. 

Eu lembro de pensar em te dizer milhões de coisas. Lembro de palavras, melodias, troca de silêncio e poesia. Tudo isso ali, à beira do penhasco. abraços. beijinhos. suspiros. carinhos sem ter fim.

"vamos?", você disse.
"agora?", fechei os olhos e sorri.

Me atirei naquele precipício de te querer sem fim, segurando a sua mão.

De repente, me senti escorregar. Te busquei ao meu lado e tomei um susto: eu não sabia que você tinha asas.

tarde demais.

caí sozinha.

Talvez você nem lembre desse instante em que decidimos saltar, mas, só pra você saber, desde aquele momento, eu estive  te esperando aqui em baixo.

7 comentários:

matheus disse...

Acho que todos estamos esperando alguém aqui embaixo né!

Não canso de dizer que tu manda muito bem Maria!!

Beijao

Lu Sam disse...

Adorei o final, me surpreendeu!
A gente só aprende a voar se cairmos diversas vezes né...
beijos

Butternity disse...

Este me emocionou. Maria, vc é incrível! Como consegue escrever assim mulher? Parabéns por este belo texto. Nossa! Começou leve, meu coração deu uns apertinhos depois e até lágrima me veio aos olhos... Espero que valha a pena esperar ai embaixo a pessoa que voou, porque as vezes, mesmo sem asas o melhor é seguir e sentir frios na barriga outras vezes. A vida é um cair e levantar contínuo, até o nosso ultimo suspiro, não é mesmo? Vc é linda Maria! Amo te ler. Bjs

Nati disse...

Fiquei emocionada.
É sempre esse o problema da relação, um sempre confia no outro e o outro vai lá e mostra que não é bem assim. Frustrações, ilusões, fazem parte, não podemos evitar, só não amando pra isso não acontecer. Beijos

http://mundodenati.blogspot.com.br/

Jaya Magalhães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jaya Magalhães disse...

Ooooooooooh, daaaaaaaaaarliiiiiiing... Tan nan nan. (Eu cantando pra você).

E aí, mermã? Coé? Que saudaaaaaaadeeeeeees. De tu. De poder trocar uma palavra. E OBVIAMENTE de te ler. Rá. Vim correndo te ver quando li teu comentário e pans.

Seu texto, em mim, foi bastante sinestésico. Te confesso que doeu. Se fosse para colorir, eu pintaria ele de cinza. Mas não todo. Porque estar no céu ainda que por um instante, vai sempre respingar muito azul na gente. E essa é a cor que daria ao sentimento ali relatado.

Acho mesmo é que, no fim, asas irão brotar em quem ficou olhando de baixo. Quem prova um pouco de azul sempre carrega asas em si.

Um beijo, nega.

P.s.: Salvador agora só em dezembro, pra mim. Então mim digue seus planos. Eu perdi você no wpp. Mas se você ainda tiver meu número, é o mesmo.

Nathy Santos disse...

oi, achei seu blog aqui por acaso e uau! amei seus texto, parabéns! Você escreve muito bem.