sábado, 3 de outubro de 2015

queda-livre

Estávamos de mãos dadas num abismo de sentimentos. La de cima nao se enxergava o chao, mas dava pra ver que havia um imenso (a)mar.
Senti agonia e lembro que voce me agarrou pela cintura e disse: "você pularia comigo?". Sorri com a idéia.

Pensei que a queda-livre ao seu lado não seria tão ruim. Você teria tempo de contar as suas historias favoritas às quais eu escutaria repetidamente com quase a mesma devoção de uma primeira vez. Quis mergulhar no infinito desse (te a)mar e me jogar ali, sem pudores, com todos os motivos pra desistir, com todo o desejo pulsante de resistir. 

Permanecemos parados, firmes, viajantes do nosso próprio pensamento.
Quis te fazer prometer que pularia comigo, mergulharia nessa maré, não soltaria da minha mão durante a queda, mesmo quando parecesse não fazer mais sentido. 

Eu lembro de pensar em te dizer milhões de coisas. Lembro de palavras, melodias, troca de silêncio e poesia. Tudo isso ali, à beira do penhasco. abraços. beijinhos. suspiros. carinhos sem ter fim.

"vamos?", você disse.
"agora?", fechei os olhos e sorri.

Me atirei naquele precipício de te querer sem fim, segurando a sua mão.

De repente, me senti escorregar. Te busquei ao meu lado e tomei um susto: eu não sabia que você tinha asas.

tarde demais.

caí sozinha.

Talvez você nem lembre desse instante em que decidimos saltar, mas, só pra você saber, desde aquele momento, eu estive  te esperando aqui em baixo.

domingo, 12 de abril de 2015

(Des)encontro.

Fui ao teu encontro.

Com a urgência de quem queria, porque queria, porque podia, porque fazia sentido. Morei nos pedaços de nós e em todos os nossos entrelaces e emaranhados. Fui ao encontro da felicidade do agora, ignorando os ‘’ainda não” e “talvez” que encontrasse no caminho.

Fui porque fazia sentido carregar nas costas o peso de sentir, abrindo mão das próprias certezas, e encarando  todas as dúvidas de ser dois.  Porque era bom. Porque era bonito. Porque pulsava.

Fui por causa do primeiro beijo e de todas as nossas primeiras vezes. Mais ainda, pelo primeiro “eu te amo” que saiu num soluço engraçado, de um jeito errado, na hora errada. Fui por todo o amor que não foi dito, mas esparramado em cada verso, em cada noite em claro, a cada minuto a mais ao telefone.

Até que, como li uma vez, “o que tínhamos de tanto, foi virando pouco – e pranto”.
De repente, do mesmo jeito que começa, do nada tudo muda. E restamos sem saber se as coisas ficam assim porque é o fim ou se é o fim porque as coisas ficam assim. E agora o que se carregava era o peso de não sentir.  Este, que é insustentável.

Fui me procurando em meio às conversas tortas, os cafés exageradamente fortes e a fumaça das lembranças sutis.  Nos vi caminhando sem rumo, sempre em  frente, de mãos dadas até soltar.

Ai então, aos poucos, fui ao teu desencontro.