segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre quando me fogem as palavras

 Ou: sobre quando o dia é triste e fim.

Não importa como amanheceu, se ta fazendo um bendito sol ou caindo uma gostosa chuva, o fato é: tem dias que são sempre cor de cinza.
É quando não importam os prazos, os planos e aquela agenda lotada de coisas pra fazer e você só quer deitar, chorar e voltar pra ontem quando estava tudo nos eixos, todo mundo em seu lugar.
Por mais que a gente saiba que esse tipo de coisa VAI ACONTECER e não há nada que possamos fazer, senão viver e esperar, toda vez que a morte vem é de supetão, é no susto, é uma merda.
Sei que pode parecer terrível dizer assim, mas a única coisa que me consola diante da inevitabilidade da morte é pensar na vida de quem morreu.
Tive a sorte (sorte?) de conhecer poucas pessoas que já abandonaram esse mundo, mas sobre todas eu muito me orgulho de dizer: “esse aí soube viver”.
Quem deixa a vida mas permanece no coração de quem o amou, trocou duas palavras na rua ou admirou de longe, é um abençoado. Algumas pessoas são verdadeiros presentes do Universo, e eu conheci várias delas ao longo desses anos.
Perder não é fácil.
Não ter mais o colo, o afago, as palavras, os gestos, os puxões de orelha e todas as trocas diárias deixam a gente com uma sensação de vazio que não há palavras de consolo que funcionem para nos fazer sentir melhor.
Porque o pior da morte de alguém é que nós, que ficamos, continuamos vivos. E teremos que ir ao banheiro, tirar o lixo, trabalhar, comprar pão. Essas coisas estúpidas que temos que continuar fazendo porque o mundo não acabou e a vida não para. Acho um desrespeito da vida com quem perdeu alguém.
Porque é muito injusto que a vida continue, quando meu coração está em pedacinhos.

E em momentos como esse, em que a vida não pára, mas o nosso mundo sim, eu simplesmente não sei o que dizer.
Não sei pra onde vão todas as palavras bonitas que guardei no peito e as frases feitas que a gente ensaia pra dizer quando algo assim acontece. Não sei, não sei.
Só posso dizer que a dor latente vai passar. Que é importante se agarrar às lembranças, pensamentos bons e orgulho por ter convivido com “uma das melhores pessoas desse mundo”.
Somos Universos.
E nossa vida é cheia dessas pequenas estrelas, às vezes cometas, que passam e escrevem linhas em nossas histórias.
E é assim: a dor passa, mas a saudade fica.
 Toda vez que algo assim acontece, eu costumo rever meus próprios dias, minhas prioridades. Não podemos nos deixar arrepender pelo tempo perdido. Nunca é demais dizer “eu te amo”, “eu me importo”, “eu estou aqui”. Tenho feito isso com uma constância absurda. E me faz bem. Já tentou?
To enrolando aqui, porque, vocês sabem, me falta o que dizer.
Hoje alguém meu perdeu alguém seu. Hoje o dia ficou cinza preto pálido, e eu me senti miudinha. Impotente.
Hoje, eu não soube o que dizer. Não saberei o que dizer amanhã e talvez eu nunca consiga. Porque não há palavras neste vasto vocabulário que possam traduzir o que um abraço quer dizer. O que o “estar perto” pode fazer.
Só posso pedir que os anjos, as almas, Jah, Buda, Deus, forças ocultas, Allah, todo mundo junto, segure na minha mão. E a mão da minha fadinha também.
Só posso dizer que estou aqui. Que te amo. Que a vida tem dessas coisas, mas que tudo tem um propósito um motivo, um fim...
Gostaria de dizer mais algumas coisas, mas esse é um dos momentos em que as palavras me fogem...



Fica bem.