quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um fracasso, meus amigos?

“Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim, 
por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, 
um botequim” (Folhetim – Gal Costa)

Dia desses, num papo com uma amiga que envolvia uma certa quantidade de cervejas (admito), iniciamos divagações sobre o que se consideraria “fracasso na vida amorosa”. Acontece que, no auge dos nossos 20 e pouquinhos, já ouvimos muito falar nisso, em diversos contextos, mas todos querendo dizer apenas duas coisas : Ou que  “mulher solteira depois dos 25, encalhou para sempre e é um fracasso” ou que “mulher que não consegue manter um relacionamento, e vive trocando de namorado, ou é vagabunda ou é um fracasso”.

Fracasso, para o dicionário, refere-se ao estado ou condição de não atingir um objetivo desejado ou pretendido. Pode ser visto como o oposto do sucesso. 

Um fracasso, meus amigos. Uma porcaria de um fracasso.


Ninguém quer saber se aquela moça solteira aos 25, não teve tempo de se apaixonar de verdade ainda.  Ou se aquela moça dos múltiplos relacionamentos terminados, simplesmente mantém  um elevado padrão de exigências que ela não considera desconsiderar nem por um segundo.  Não existem ponderações sobre a busca da felicidade como  algo a se considerar maravilhosamente único e subjetivo.

Ninguém pensa que aquela moça não aceitou se sujeitar, cansou de sofrer, escolheu gastar um tempo para si, preferiu viajar, estudar, meditar.  Não se considera a mera possibilidade de não querer insistir em algo que já acabou, não faz mais sentido, não lhe completa mais. Ninguém pondera que aquela moça tem seus motivos para estar só. Ou, sei lá. Que ela simplesmente não é obrigada, né?

O que quero dizer, é: você, meu amigo, minha amiga, meu benzinho, não tem NADA A VER COM ISSO! Vamos parar com essa cascata de “Você ainda tá solteira!?!?”, “Ficou pra titia!”, “Não-a-cre-di-to- que-vo-cê-já-ter-mi-nou-mais-um-na-mo-ro!” e por aí vai.

Mas nem é disso que eu quero falar. É só que essa idéia de fracasso me incomoda um tanto.
Minha concepção a respeito de vida amorosa falida ou fracassada, diverge completamente dessas questões que mencionei. Pra mim, fracasso mesmo é achar que só se precisa de alguém pra ser feliz. Digo mais: achar que precisa de QUALQUER UM para ser feliz.

Eu sou a louca do romantismo. Acredito muito em companheirismo, dividir a vida, amor e outras drogas. (rá!). Acontece que a idéia que tenho disso tudo é de uma atmosfera de leveza e bem-estar.

Considero fracassadas, as pessoas que vivem da mesmice, das convenções, que continuam casamentos com uma infinidade de “apesar de” e “poréns” só porque “já faz um tempo”. Considero falida qualquer coisa que apresente mais desgastes do que maravilhas e toda aquela atmosfera de comodismo e culpa.

Sim, porque rola a culpa né? Aquele medinho de estragar a vida de alguém por simplesmente não querer mais um relacionamento. Ou de atravancar toda a sua vida amorosa por estar solteira de novo. Ou de ouvir aquela ladainha nos almoços de família ou mesas de bar com as amigas, de que é ruim ser solteira, que todo mundo precisa de alguém, que o fulano era a melhor dentre as opções existentes e, ai meu pâncreas: “que homem tá difícil”.

Fracassadas são as pessoas que não sabem o que querem, e aceitam imposições sociais. São aquelas pessoas que aceitam “o que vier”, sem nenhum tipo de questionamento e se deixam levar por uma maré de insatisfações. Fracasso é não se permitir. É se impedir.


Sou a favor de tentativas e erros. Sou a favor de se amar intensamente e de reconhecer que alguma coisa mudou, não é mais pra ser. Levanto com tudo a bandeira das possibilidades. É preciso estar bem, viver bem. Com ou sem alguém.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pensando, sobretudo.


Andei  pensando sobre tudo...
Sobre buscar para si o que seja teu, do jeitinho que voce quer.
Não necessariamente do jeitinho que é.
Sobre voce, preceitos, angustias, receios.
Sobre mim, frustração, inocencia, medo.

Sobre os outros, palavras, olhares, gestos.
Mais precisamente interpretação de contextos.
Sobre tudo e coisa nenhuma.

Estive pensando sobre nós.
E sobre laços, enlaços e lances, afinal.
Sobre tudo o que é mentira, sobretudo o que é real.

Sobre todas as outras coisas que não me importo agora.
Sobre tudo que não era amor.
Sobretudo, que não era amor.