terça-feira, 2 de setembro de 2014

virarei (a)mar

E passo a passo vai cumprindo a profecia, do beato que dizia que o sertão ia alagar. O sertão vai virar mar...”

De tanta vontade de sentir.
E de ser tão bonito o sentimento.
De ser tão grande o que pulsa.
E de ser tão povoado o pensar.

De tanta vontade de ser tua.
E ser tão.
De ser tão tua.
E de ficar.

De ser tão grande e tão frágil.
E de tamanha negação.
De tanto absurdo.
E por ser-tão, virarei (a)mar






(Revisão: João Paulo Pessoa)

sábado, 23 de agosto de 2014

Descansa em mim


“Passeia entre os poemas
 rasgados em cima da mesa,
 em nome de cada amor que se
 ergue nas paredes manchadas
Passeia pra depois
 descansar em mim” (Jaya M.)


Quero mesmo é que você conheça o mundo. Os sabores de tudo, o cheiro que as coisas têm. Quero que você  entenda que há muito amor, muitos amores no mundo.  Desejo loucamente que você passeie pelas coisas da vida, pelas bocas, pelos corpos. 

Que corra pelos dias até que os canse, para fazê-los passar devagar e você possa observar as cores que o céu veste em vinte e quatro horas.

Quero que você se aqueça no frio e até mesmo no calor. Quero seu suor escorrendo pela pele, até satisfazer seus prazeres mais íntimos, mais obscuros. E que todas as coisas do mundo lhe sejam disponíveis na hora exata.

Que lhe escrevam poesias nos lábios, deixando aquela sensação engraçada de melhor coisa do mundo. Que as sensações, na verdade, se misturem e você não saiba se é o cheiro que tem gosto ou se é o tato que lhe atiça o paladar.

Corra mundo, corra perigo.Sinta, faça, seja, deixe. 

Mas eu desejo mesmo é que um dia você se canse disso. Canse de procuras e descobertas infindas, de conhecer.Se canse de tudo, e descanse em mim.

Descansa em mim, coração.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre quando me fogem as palavras

 Ou: sobre quando o dia é triste e fim.

Não importa como amanheceu, se ta fazendo um bendito sol ou caindo uma gostosa chuva, o fato é: tem dias que são sempre cor de cinza.
É quando não importam os prazos, os planos e aquela agenda lotada de coisas pra fazer e você só quer deitar, chorar e voltar pra ontem quando estava tudo nos eixos, todo mundo em seu lugar.
Por mais que a gente saiba que esse tipo de coisa VAI ACONTECER e não há nada que possamos fazer, senão viver e esperar, toda vez que a morte vem é de supetão, é no susto, é uma merda.
Sei que pode parecer terrível dizer assim, mas a única coisa que me consola diante da inevitabilidade da morte é pensar na vida de quem morreu.
Tive a sorte (sorte?) de conhecer poucas pessoas que já abandonaram esse mundo, mas sobre todas eu muito me orgulho de dizer: “esse aí soube viver”.
Quem deixa a vida mas permanece no coração de quem o amou, trocou duas palavras na rua ou admirou de longe, é um abençoado. Algumas pessoas são verdadeiros presentes do Universo, e eu conheci várias delas ao longo desses anos.
Perder não é fácil.
Não ter mais o colo, o afago, as palavras, os gestos, os puxões de orelha e todas as trocas diárias deixam a gente com uma sensação de vazio que não há palavras de consolo que funcionem para nos fazer sentir melhor.
Porque o pior da morte de alguém é que nós, que ficamos, continuamos vivos. E teremos que ir ao banheiro, tirar o lixo, trabalhar, comprar pão. Essas coisas estúpidas que temos que continuar fazendo porque o mundo não acabou e a vida não para. Acho um desrespeito da vida com quem perdeu alguém.
Porque é muito injusto que a vida continue, quando meu coração está em pedacinhos.

E em momentos como esse, em que a vida não pára, mas o nosso mundo sim, eu simplesmente não sei o que dizer.
Não sei pra onde vão todas as palavras bonitas que guardei no peito e as frases feitas que a gente ensaia pra dizer quando algo assim acontece. Não sei, não sei.
Só posso dizer que a dor latente vai passar. Que é importante se agarrar às lembranças, pensamentos bons e orgulho por ter convivido com “uma das melhores pessoas desse mundo”.
Somos Universos.
E nossa vida é cheia dessas pequenas estrelas, às vezes cometas, que passam e escrevem linhas em nossas histórias.
E é assim: a dor passa, mas a saudade fica.
 Toda vez que algo assim acontece, eu costumo rever meus próprios dias, minhas prioridades. Não podemos nos deixar arrepender pelo tempo perdido. Nunca é demais dizer “eu te amo”, “eu me importo”, “eu estou aqui”. Tenho feito isso com uma constância absurda. E me faz bem. Já tentou?
To enrolando aqui, porque, vocês sabem, me falta o que dizer.
Hoje alguém meu perdeu alguém seu. Hoje o dia ficou cinza preto pálido, e eu me senti miudinha. Impotente.
Hoje, eu não soube o que dizer. Não saberei o que dizer amanhã e talvez eu nunca consiga. Porque não há palavras neste vasto vocabulário que possam traduzir o que um abraço quer dizer. O que o “estar perto” pode fazer.
Só posso pedir que os anjos, as almas, Jah, Buda, Deus, forças ocultas, Allah, todo mundo junto, segure na minha mão. E a mão da minha fadinha também.
Só posso dizer que estou aqui. Que te amo. Que a vida tem dessas coisas, mas que tudo tem um propósito um motivo, um fim...
Gostaria de dizer mais algumas coisas, mas esse é um dos momentos em que as palavras me fogem...



Fica bem. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um fracasso, meus amigos?

“Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim, 
por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, 
um botequim” (Folhetim – Gal Costa)

Dia desses, num papo com uma amiga que envolvia uma certa quantidade de cervejas (admito), iniciamos divagações sobre o que se consideraria “fracasso na vida amorosa”. Acontece que, no auge dos nossos 20 e pouquinhos, já ouvimos muito falar nisso, em diversos contextos, mas todos querendo dizer apenas duas coisas : Ou que  “mulher solteira depois dos 25, encalhou para sempre e é um fracasso” ou que “mulher que não consegue manter um relacionamento, e vive trocando de namorado, ou é vagabunda ou é um fracasso”.

Fracasso, para o dicionário, refere-se ao estado ou condição de não atingir um objetivo desejado ou pretendido. Pode ser visto como o oposto do sucesso. 

Um fracasso, meus amigos. Uma porcaria de um fracasso.


Ninguém quer saber se aquela moça solteira aos 25, não teve tempo de se apaixonar de verdade ainda.  Ou se aquela moça dos múltiplos relacionamentos terminados, simplesmente mantém  um elevado padrão de exigências que ela não considera desconsiderar nem por um segundo.  Não existem ponderações sobre a busca da felicidade como  algo a se considerar maravilhosamente único e subjetivo.

Ninguém pensa que aquela moça não aceitou se sujeitar, cansou de sofrer, escolheu gastar um tempo para si, preferiu viajar, estudar, meditar.  Não se considera a mera possibilidade de não querer insistir em algo que já acabou, não faz mais sentido, não lhe completa mais. Ninguém pondera que aquela moça tem seus motivos para estar só. Ou, sei lá. Que ela simplesmente não é obrigada, né?

O que quero dizer, é: você, meu amigo, minha amiga, meu benzinho, não tem NADA A VER COM ISSO! Vamos parar com essa cascata de “Você ainda tá solteira!?!?”, “Ficou pra titia!”, “Não-a-cre-di-to- que-vo-cê-já-ter-mi-nou-mais-um-na-mo-ro!” e por aí vai.

Mas nem é disso que eu quero falar. É só que essa idéia de fracasso me incomoda um tanto.
Minha concepção a respeito de vida amorosa falida ou fracassada, diverge completamente dessas questões que mencionei. Pra mim, fracasso mesmo é achar que só se precisa de alguém pra ser feliz. Digo mais: achar que precisa de QUALQUER UM para ser feliz.

Eu sou a louca do romantismo. Acredito muito em companheirismo, dividir a vida, amor e outras drogas. (rá!). Acontece que a idéia que tenho disso tudo é de uma atmosfera de leveza e bem-estar.

Considero fracassadas, as pessoas que vivem da mesmice, das convenções, que continuam casamentos com uma infinidade de “apesar de” e “poréns” só porque “já faz um tempo”. Considero falida qualquer coisa que apresente mais desgastes do que maravilhas e toda aquela atmosfera de comodismo e culpa.

Sim, porque rola a culpa né? Aquele medinho de estragar a vida de alguém por simplesmente não querer mais um relacionamento. Ou de atravancar toda a sua vida amorosa por estar solteira de novo. Ou de ouvir aquela ladainha nos almoços de família ou mesas de bar com as amigas, de que é ruim ser solteira, que todo mundo precisa de alguém, que o fulano era a melhor dentre as opções existentes e, ai meu pâncreas: “que homem tá difícil”.

Fracassadas são as pessoas que não sabem o que querem, e aceitam imposições sociais. São aquelas pessoas que aceitam “o que vier”, sem nenhum tipo de questionamento e se deixam levar por uma maré de insatisfações. Fracasso é não se permitir. É se impedir.


Sou a favor de tentativas e erros. Sou a favor de se amar intensamente e de reconhecer que alguma coisa mudou, não é mais pra ser. Levanto com tudo a bandeira das possibilidades. É preciso estar bem, viver bem. Com ou sem alguém.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pensando, sobretudo.


Andei  pensando sobre tudo...
Sobre buscar para si o que seja teu, do jeitinho que voce quer.
Não necessariamente do jeitinho que é.
Sobre voce, preceitos, angustias, receios.
Sobre mim, frustração, inocencia, medo.

Sobre os outros, palavras, olhares, gestos.
Mais precisamente interpretação de contextos.
Sobre tudo e coisa nenhuma.

Estive pensando sobre nós.
E sobre laços, enlaços e lances, afinal.
Sobre tudo o que é mentira, sobretudo o que é real.

Sobre todas as outras coisas que não me importo agora.
Sobre tudo que não era amor.
Sobretudo, que não era amor.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sobre sofrer

Acho importante sofrer. Se entregar a uma dor de vez em quando, pode ser o primeiro passo para superá-la. Pior é negar, dizer que "nem doeu" e se incomodar todo santo dia com aquele assunto, aquela coisa.
Eu sempre me entrego ao que sinto.  Sou feliz demais, sou amiga demais, amo demais, quero muito e sofro pra caralho.
Mas quando se trata de sofrimento, eu não insisto. Sofro muito, por pouco tempo. Sabe como é? Encho o copo d'água com a minha tempestade e depois jogo na pia. Fim de papo. Cabou-se o que era doce. Não vou mais chorar.
As pessoas não acreditam muito quando eu digo, em pouco tempo, que ''já passou". Mas eu falo sério, de coração. Acho que o meu tempo é muito curto pra sofrer por muito tempo. Não pra sofrer muito, porque é inevitável. Mas eu sofro e pronto. Parou ali. 
Enquanto eu vou chorando e repetindo mentalmente o mantra 'puta-que-pariu-caralho-fudeu-essa-merda", eu também mentalizo que não é a primeira nem será a última vez que algo de ruim vai acontecer e que eu simplesmente terei que lidar com isso.
A gente simplesmente tem que lidar com isso. Somos universos. Queremos e deixamos de querer as coisas com uma frequência inexplicável e adorável ao mesmo tempo. 
Se o choro é porque alguém se foi, lembre-se que um dia você já partiu ou irá partir também. Se é porque algo se perdeu no caminho, lembre-se que a estrada deve continuar mesmo assim. Se foi porque deu errado: faça funcionar uma próxima vez. Seguir em frente, um dia de cada vez.
Que amemos mais, choremos mais, ríamos mais, e soframos muito.
Mas não o tempo inteiro.