quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vício Redibitório

" Os vícios redibitórios, por definição, são defeitos
 ocultos que diminuem o valor ou prejudicam 
a utilização da coisa (art. 441 do CC-02)"

O nosso amor eu que inventei. Eu jurava por tudo o que era mais sagrado, que não havia possibilidade alguma de dar errado. Éramos feitos um pro outro, sem tirar nem pôr. Até mesmo aquelas coisas em nós dois que não se encaixavam, harmonizavam-se de um jeito qualquer que me fazia pensar  "tá tudo lindo, tá tudo bem".
Mas na verdade, toda essa  história pode, metaforicamente, ser resumida assim: um eterno Bukowski em você, despertando sempre o Neruda que  existe em mim.
Pra ficar mais claro: Me fodi.
Você vá me desculpando pelo termo, pelo mau jeito, e qualquer uma das outras coisas ditas e (mal)feitas, mas eu não posso deixar essa sinceridade infiltrável de lado.Principalmente agora que eu consigo ver as coisas sobre o prisma de quem tá de fora.
Por falar em quem tá de fora, esses dias me perguntaram o que você foi pra mim. Entre risos respondi que você foi tipo um potinho de sorvete no congelador, só que com feijão dentro. Ou tipo mergulhar de cabeça numa piscina que não era funda. Ou tipo encher o café de açúcar e perceber que o pote era de sal.
Ou tipo..tipo essas coisas que parecem uma maravilha no inicio, mas no final são uma merda, sabe?
Nosso amor veio com defeito de fábrica. Mas eu estava tão entusiasmada com as borboletas no estômago, com a poesia, com o azulado instantâneo dos meus dias ao te ver e com aquela babaquice toda, que esqueci de ponderar, analisar, a-ve-ri-guar.
Reconheço, claro, que toda aquela ilusão era uma delícia ao seu lado, apesar de tudo. Me foi inspiração prum bando de poesia, música, sonho. E obviamente por minha própria capacidade criativa, me causou umas sensações deliciosas ao passo que eu me rendia e me prendia em sua teia.
Mas, agora, tanto faz. eis-me aqui, a cada dia que passa, "redibindo" essa nossa história. Quero dizer, expurgando você do coração, da mente, da vida mesmo. Ao passo que substitui a dor de te perder pelo prazer de manter em mente que algumas coisas simplesmente já nasceram pra acabar. 
O mais interessante é que no fim das contas, não sobra nada além de um arrependimento esquisito, uma vontade de voltar ao passado mesmo, e viver todo esse tempo sem nunca ter deixado você ficar. Assim, desse jeito mesmo: resolução total do contrato, inclusive com efeitos "ex tunc", sabe?
Mas algumas coisas simplesmente não podem ser totalmente esquecidas. Superadas. A gente vive em constante reavaliação dos erros,das escolhas e dos efeitos que tudo isso causa nas nossas vidas.
Ao fim da reviravolta "edilícia",  eu posso até ter recobrado os sentidos, recuperado boa parte do amor e tempo dispendidos. Finalizei.Dei um basta. Me ganhei de volta pra mim.

Mas, feliz ou infelizmente, não conseguirei apagar da memória a parte ruim de viver uma ilusão. Isso ninguém me tira, não há quem resolva definitivamente.

Digo mais: Ainda bem.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

tum-tum-tum

Ei,  sério, fica bem quietinho e deixa eu te abraçar.
Quem sabe assim,  nesse laço é capaz de você escutar e-xa-ta-men-te
o que o meu coração lhe diria num "tum-tum-tum" frenético, se ele soubesse falar.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Amor?

Amor não é jogo.
Ninguém brinca de amar.
Amor não é fogo.
O que arde é se apaixonar.

Amor não é fuga.
Fugir é deixar pra lá.
Amor não é saída.
Talvez seja um eterno "chegar".

Amor não é sofrer.
Embora nos faça chorar.
Amor não é pra entender.
Só que todo mundo tenta explicar.

Amor não é isso.
Nem tampouco é aquilo.
Amor é uma merda.
Amor é um vício.

Amor é tudo aquilo que não dá pra saber
Mas acontece que de vez em quando
Eu me pego sorrindo, me pego sabendo.
E amando você.