domingo, 18 de dezembro de 2011

De uma vez por todas

''Que a distância aumente a ponto de virar "nunca". Nunca mais. '' (Marcela Egito)

 Morena, presta atenção: não havia amor. Você poderia parar com essa mania de poetizar cada sensaçãozinha. É bonitinho, mas bagunça tudo, não percebeu? É claro que eu gostei de você, do que passamos, fizemos e dissemos. Aquela música ainda me faz sorrir lembrando de você, e eu ainda admiro muito o seu jeito. Mas, sabe, eu admiraria muito mais se você menos intensa.

É tua intensidade que te mata. Foi ela que matou qualquer indício de beleza que existia no que tivemos. Sei que a culpa é um pouco minha, porque eu alimentei muito disso tudo. Quer dizer, eu realmente adorava o que você escrevia, dizia e fazia, isso sem falar no resto todo. Mas, cá entre nós, tu me pintou como um príncipe que eu simplesmente não sou. Não tenho condição de ser. Não quero ser. Não agora, nem pra você. Eu só queria um pouquinho de atenção, e você me deu tudo isso.

Eu prefiro você assim, de longe, sem tentar me encaixar no teus dias ou se encaixar nos meus. De verdade, funcionamos melhor assim. O que eu quero dizer, é que acabamos. Ponto final. Ocupa tua mente com outra coisa, vai ler, sai pra beber, sai dando pra outros caras, sei lá. Se vira: me esquece! Me deixa pra lá, me tira da vida, da mente, do coração. Faz igual eu fiz com você. Desculpa a falta de tato e sensibilidade, ok? Mas talvez assim seja mais fácil entender.

Um beijo pra você moça bonita,
do não-mais-teu.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Se dê o direito de ser

Admita que música nenhuma do Chico Buarque te anima mais do que aquela balada nova da Rihanna num sábado à noite, ou que o sonho da sua vida é casar na Igreja e entrar de mãos dadas com teu pai ao som da marcha nupcial. Pode confessar, também, que você gosta muito de Caio Fernando Abreu porque acha ele sensível, afinal. E colocaria todos os dias uma frase dele no seu facebook, se pudesse. E além dele, o Veríssimo, a Tati Bernardi, o Gabito Nunes, sei lá mais quantos.

Declame as poesias de amor mais conhecidas e manjadas e saiba cantar todas as canções do bon jovi (em especial ''Always''). Declare seu amor com uma canção, com uma carta, uma caixa de bombons, um bilhete no guardanapo, um beijo roubado, sei lá.

Dê risada com comédias românticas e indique-as aos seus amigos, não importa o quão mal-produzidas elas sejam. Se entupa de sorvete no sofá da sala conversando com uma amiga ou amigo. Faça pipoca pra assistir ao Faustão aos domingos com a sua mãe.. Vá a um barzinho sexta á  noite e fique tão bebado a ponto de não lembrar nada no dia seguinte.
Pode ouvir Taylor Swift de vez em quando e achar bonitinho, pode dançar numa roda de samba até o dia raiar, pode ir pra micareta pular atrás de um trio sem propósito algum, pode mandar sms de madrugada e se arrepender, fazer tempestade em copo d'água, se apaixonar à primeira vista, chorar com o último capítulo da novela das oito...
Pra quê saber direito quem é o Almodóvar ou o Hitchcock? Se dê o direito de não ter entendido ''Inception'', de ter dormindo assistindo ''O Código DaVinci'' e detestar qualquer idiotice futurista que eles tentem lhe enfiar guela abaixo nos cinemas e na literatura.
Cante com emoção o refrão de Pais e Filhos, We Are The Champions e também o daquela música nova de pagode que você ouviu semana passada! Dê risadas altas e exageradas, faça amigos de meia hora ou de uma vida inteira. Não tenha vergonha de dizer que você se apaixonou pelo sorriso de alguém.Escreva cartas de amor sem remetente.
Ache a Lua linda, as estrelas românticas, o Sol animador. Seja forte, sensível, extravagante, bonito, feio, faça careta, coloque um piercing, faça uma tatuagem, use roupas pretas ou coloridas, aprenda a tocar um instrumento, rasgue papéis velhos, mande alguém tomar no...
Não importa como, apenas permita-se ser exatamente quem você é.
A única regra é ser feliz.