domingo, 27 de novembro de 2011

Pra ver se você entende

Eu  realmente não preciso de você.

Posso muito bem conhecer dezenas de  caras iguaizinhos ou até melhores. Tem muita gente no mundo que sabe fazer arroz, acordar cedo  sorrindo, e que conhece milhares de piadas de português. Eu poderia, por exemplo, conhecer um cara que soubesse os termos futebolísticos e que me explicasse ainda melhor do que você faz.

Devem haver outras quinhentas mil pessoas que adorem comédias românticas, pipoca com queijo ralado e praia em tempo nublado. Milhares de homens bonitos, interessantes e que partilhem do meu gosto musical. No mundo deve ter muito homem romântico que não ache perseguição se a garota mandar mensagem ou ligar de madrugada. Quem adore poesia, saiba elogiar e me faça sorrir a todo instante. Tenho plena certeza que é possível encontrar.

Então, nem adiantaria eu dizer que você é único, que eu não conseguiria viver sem você. Mentira, cara. Muita mentira. É claro que eu consigo viver sem você (e que em alguns momentos da vida eu até PREFIRA estar sem você), mas a questão é que eu te amo, sabe?Dentre bilhões de pessoas nesse mundinho infame, aconteceu de o amor se instalar em mim só-pra-vo-cê. É basicamente assim:eu não preciso de você, mas eu quero. Porque é amor.

Tanto amor que, se chover de manhã cedo, eu vou sorrir e pensar em você. Se o pendrive travar no dia da palestra, eu vou sorrir e querer tomar uma cerveja com você pra desestressar. Se o dinheiro acabar, eu vou querer sentar contigo no chão da sala e chorar baixinho. Se fizer frio, é você que eu vou querer abraçar. Se acontecer alguma coisa, é pra você que eu vou querer ligar. Se falar em saudade é de você que eu vou lembrar. Se tudo estiver maravilhosamente bem, é com você que eu vou querer dividir as alegrias.

E aí, conseguiu entender?  Então volta, porra!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quase impossível

Como não sentir medo depois de um filme de terror. Como pentear o cabelo do Cebolinha. Como esquecer aquelas músicas que grudam na cabeça mesmo se você escutar só uma vez. Como não gostar do Chico Buarque. Como morar numa casa muito engraçada (sem teto, sem nada). Como não sentir curiosidade. Como não sentir frio em Vitória da Conquista. Como esquecer os óculos quando vai ao cinema. Como dormir cedo num sábado. Como não sentir tédio num Domingo. Como ter passado a infância sem brincar de pega-pega. Como encontrar um trevo de quatro folhas. Como não sorrir depois de ler alguma coisa do Neruda. Como não se apaixonar perdidamente por aquele ator, depois daquele filme. Como não conseguir fazer uma rima idiota. Como nunca ter ido a um show de banda ruim e se divertido muito...

É tão estranho. É improvável. Dezarrazoado.
E ainda assim, eu quero  você.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Devoluções

Você esqueceu aquela blusa preta aqui. É por isso que eu estou ligando, porque a encontrei dentro da minha gaveta. Lembra dela? Aquela que ficava ótima com sua calça jeans e o tênis que você sempre usa. Então, essa mesma. Que você usou no nosso primeiro encontro e também naquele dia em que tomamos sorvete no frio.
Aliás, você deve tê-la usado pelo menos umas outras cinco vezes, se não me engano... você gostava muito dela, não é? Daí que eu resolvi te avisar que ela ficou aqui, esquecida. Que  é pra, caso você sinta falta, não hesitar em vir aqui...pra pegar, sabe? É sua, né.
Então... e como é que vão as coisas? Quer dizer, aproveitando que eu liguei é bom saber de você, como está, essas coisas. Mas se não quiser prolongar a conversa eu vou entender. Ainda é estranho pra você, né? Essa coisa de não saber como me encaixar no posto de ''ex-aquela-coisa-toda'', mas pode ficar tranquilo que eu só liguei pra falar da blusa.
Porque...porque você gostava muito dela, não gostava? Você queria tê-la consigo, era notável, não tem como negar... Hã? Sim, claro que eu estou falando da blusa preta que você esqueceu aqui, menino. Quê mais haveria de ser? Hum.
Eu? Eu tô bem, não se preocupa. Tem muito trabalho, muito livro. Esses dias eu vi um filme ótimo, você ia adorar assistir, tinha aquela música na trilha sonora, aquela que eu uma vez falei que me lembrava você. Pois é, só que eu não lembro quem cantava ela no filme, mas era tão boa... depois eu olho e ligo pra dizer.
Então. Pois é. No fim das contas, eu fiquei com sua blusa preta e tô ligando pra dizer que quero devolver. E já que estamos tocando nesse assunto de devoluções, coisa e tal... Tu ficou com uma coisa minha também, e seria bacana ter de volta.
Aí, tem como devolver meu coração?
...

domingo, 13 de novembro de 2011

Outro sobre o amor

Eu sei. O amor não se perde. Ele está tão vivo dentro de mim, que  provoca minha alma. Eu sei que dói ser tratada como um nada. Dói ser desprezada. Arranha o coração. Atormenta a alma. Mas a verdade é que o fim nunca existirá. O fim não existe, é mentira. O amor não se esgota. Ele, o amor dele, andará comigo por onde eu for. As caminhadas em dia de sol, os beijos trocados na hora do filme, aquela declaração de amor com o olhar, me acompanharão pro resto da vida. O que foi bonito, vai continuar bonito aqui dentro. O que vai embora, quer dizer, o que vão embora, são os motivos e dias que choveram pelos olhos e molharam minha pele, travesseiro, casa. 

Mas eu ando rabugenta, não vejo mais beleza nisso que me dói, me sufoca, me faz sentir a pessoa mais boba do universo. Eu sempre achei bonito sentir coisas assim. Mas eu deixei de existir. O que me incomoda é que ele não deixou de existir pra mim.  O amor fez as malas e se foi mas me esqueceu, me deixou aqui.
 Aí você me disse que certa vez, uma princesa nos seus últimos dias de vida, falou que a saudade é o amor que fica. Que a falta que ele faz, a existência dele aqui dentro, é uma prova que o amor não me abandonou. Tu disse que eu só precisava entender, que algumas pessoas precisam ir embora, porque elas não conseguem preencher a vastidão do nosso ser.

Mas onde foi parar a beleza que eu via nos dias de chuva? Onde eu encaixo os sorrisos bobos fora de hora? As coisas que eram as mais bonitas...sei lá.  Não consigo pensar em muita coisa. Existia poesia em mim, e agora se foi. Há só um peso, uma sombra escura. Meus sentimentos mais bonitos se esvaíram de mim. Acho que o amor não acaba, mesmo. Não vai embora de dentro da gente. Você tem razão. O amor morre. E como todo cadáver, fica frio. Mas  permanece no coração, morto, inerte, gelado. E é uma coisa absurda. É preciso reconhecer que o amor não é imbatível. Que ele não é um conto de fadas. Requer cuidado. Caso contrário...chega aperta aceitar, falar...Ele morre. E ele morto, pesa. É difícil carregá-lo até o lixo. É difícil ficar sozinha. É DIFÍCIL NÃO TER AJUDA.

Se eu soubesse que pesaria tanto, que doeria tanto, que acabaria assim, não seria amor. Não é? Acho que cometerei uma loucura de amor por mim: vou mandá-lo embora, deixá-lo ir. Antes o nada do que pouca coisa. Melhor assim, deixa estar, não é? Eu sei que vai passar. O que eu não sabia até agora é se eu queria. Mas sim, chega uma hora em que precisamos reanimar, reacender, ressuscitar. Se não, todo resto morre. É preciso coragem pra extrair a dor sorrindo. Mas farei isso por amor ao amor que ainda tenho em mim, e pelo amor que ainda me cabe. Sorrir! Afastar essa dor. Arrancá-la de olhos abertos, com ousadia. Esta que muitos falavam que só eu possuo em mim. Farei como você diz: "Mostre que a tua essência te faz vomitar o que é miserável. E deixa tua poesia voltar e te fazer morada. Morar no teu doce lar.". Vou sim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Como Sol na chuva

 -Sabe aqueles dias de muita chuva em que, mesmo assim, o Sol insiste em brilhar forte lá no céu?
- Sim...?
 - Então, é mais ou menos assim que eu me sinto quando estou com você.
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O problema dela

Não é o sorriso manhoso ou o olhar provocante que ela solta pra meio mundo de gente sem se preocupar em quem vai atingir. Não é o fato de preferir andar sozinha, comprar a própria bebida e entornar várias doses. Nem o jeito engraçado que dança ou os abraços que distribui por aí. Não são os lugares que frequenta ou os olhares que lança. Nada disso. O problema dela é outro.

Não é o perfume doce nem a preferência por bebidas fortes. Nem aquela olhadinha de banda, nem esse ar de dominante que ela tem. Nem a mania de falar o que quer, fazer o que quer, na hora que bem entende. Não, não, a questão não é essa.

Não é a inteligência quase agressiva, a aparente força, a falta de vontade de fazer isso e aquilo. Nem a maquiagem marcada nos olhos. Nem o decote notável. Nem a dança desenvolta. O ar de rainha ou a forma como ela parece querer estar com todo mundo ao mesmo tempo.  Não, não, não!

Não venha você me dizer que o problema dela é esse.

Sabe por que? Porque o problema dela é exatamente o contrário do que você pensa. Ela não é de todo mundo, cara. Aquela moça não é de ninguém. 
Absolutamente ninguém

(Sobre conceitos, preconceitos e estereótipos)