segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Do dia em que eu falei de uma vez

Primeiro eu pensei: Será que devo falar alguma coisa? Porque isso não é coisa muito fácil, visto que o assunto é delicado e constrangedor.  E, moço,  tu é tão bonito com esse cabelo jogado pra trás, e essa bermuda xadrez... sem falar no teu perfume maravilhoso que fica no ar. Sério, eu realmente não estaria incomodada em passar o resto dos meus dias aqui, na sua presença.

 E é que, sabe moço, não é muito fácil abordar alguém do nada pra dizer uma coisa assim. É preciso escolher as palavras e o momento exato... Daí que o momento exato é quando começa a incomodar, causar calafrios e fazer a gente pensar que nunca mais vai parar de doer. Sim, eu disse doer, moço. Tá doendo muito.
Te vi se aproximando, mas não sabia que seria assim... com tanta força, sabe? Sei que a culpa não é tua, afinal quem ficou atrás de ti fui eu, certo? Então eu precisava arcar com as consequências que viessem, mas volto a dizer: tá incomodando.

Eu podia ficar em silêncio, guardar isso pra mim, pensar em outra coisa, fingir que nada disso está acontecendo e esperar passar. Dizem que quando a gente ignora, a sensação se esvai mais rapidamente. Só que não. Eu não consegui. Porque, cara, não dá mais pra aguentar...

E olha, eu sei que eu nem lhe conheço e pode parecer repentino e até constrangedor, que eu tenha lhe cutucado aqui, do nada, nessa fila de banco, só pra falar isso, assim. Mas, voltando ao ponto, vou dizer de uma vez, sem mais rodeios, tá foda, não posso ficar sem falarr, é demais, então assim sem querer ser invasiva, absurda ou irritante: O moço poderia chegar um pouco pra lá? Tá pisando no pé... Obrigada.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das conversas com Bukowski


Escuta, velho. Tu tem razão em tuas rabugices, cá entre nós. É tudo uma grande merda, uma babaquice, um teatro mal ensaiado dos caralhos. E eu simplesmente tô cagando pra essa gente. Tem sempre alguém pra falar uma coisinha insignificante, que deveria estar descendo descarga abaixo e eu tenho que digerir ouvido adentro. E isso me incomoda seriamente, viu. 

Tenho preguiça de papinhos, relações, tô sem saco. A vida tá parecendo um boquete mal-feito por uma puta sem peito, sabe como é? Tô sentindo umas agonias esquisitas na espinha, uma ansiedade engraçada. É uma espera por qualquer coisa que não sei se vem e se vier, será em vão (ou pelo menos é esta a sensação).
 
E sei lá eu quando fiquei assim, demasiado aborrecida com coisa alguma... deve ter sido mais ou menos ao mesmo tempo em que o pássaro azul no meu coração resolveu voar. Claro, depois de me foder, me deixar sem jeito e arruinada é que o danado resolveu partir. Maldito pássaro. Maldito sentimento de seja lá o quê.
 
Fora isso tem todas as outras coisas do mundo pras quais eu não dou a mínima: bolsa de valores, exames admissionais, instituições, blablablá. É muita coisa pra fazer, pra muito pouca vontade. É muita ocupação de tempo pra pouca disponibilidade. A gente tem que ter, que fazer, que ser. Ah, de repente eu me toquei que a  gente morre sem bem nenhum, e afinal, quem é que nasce, vive e morre com algum?
 
Então eu tomo uns goles de conhaque e deixo tudo pra amanhã.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fiz zumzum e pronto...


Tem sempre aqueles dias em que a gente caça uma história pra viver. E a gente se lê nos romances, se assiste nas novelas, se enxerga nos filmes, se acompanha nos seriados, se escuta nas canções e se afunda em melancolia.

E tudo vira  desculpa pra não se curar né? Deixa ser frio, deixa doer, deixa a lágrima cair sem motivo algum. ''Deixa eu ir só mais uma vez pra ver se ele volta ao normal comigo''. Só que, sabe, tem hora que cansa. Tem hora que a agonia incomoda, que a corrida perde o sentido e que a coisa toda deixa de fazer falta. Pois é, deixou de fazer falta. Não sinto mais coisíssima nenhuma. Até relutei, pra tentar tapar o buraco no peito, mas deixa. Antes vazio.
 
Daí que eu resolvi levantar os braços e rir, mesmo sem entender bem do quê. Simplesmente enxergar as boas coisas pequenas  e deixá-las enormes. Do mesmo jeito que eu, tão habilidosamente, fazia com meus sonhos, minhas dores e meus amores.
Porque aquela dor não era nada. Porra nenhuma, sabe?
''acabou chorare, ficou tudo lindo...''

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Só mais esse e-mail, prometo

Olha, desculpa aí, viu. Porque lá vou eu tocar nesse assunto, pela enésima vez, sem conclusão nenhuma ou qualquer novidade. É uma espécie de necessidade, isso. Pra ver se esgoto de uma vez todas essas palavras engasgadas na garganta, ver se acabam de uma vez todas as coisas que eu diria caso você quisesse ouvir. Né?
 Poxa, cara, eu ainda não sei lidar com essa coisa meio ''bolsa de valores'' que são os graus de importância da gente na vida das outras pessoas. Não me adapto muito bem a ir de ''10'' a ''0'' em questão de segundos, só por ter cometido um pequeno deslize, tipo esquecer uma data, beber demais ou dizer que estou apaixonada. Essas coisas, entende?
 E eu já tentei vodka, outros cantos, outros bares, outras posturas, neologismos e até pensei em fugir. Mas não tem jeito, tô sempre esperando aquele milagre divino que vai trazer você de volta à nossa (ok, minha) zona de conforto. E, porra, eu to exausta de catar as migalhinhas de sei lá o quê por aí, pra fingir que ''Não, tá tudo bem, daqui a pouco a coisa toda volta pros eixos. É só um tempo pra a gente se reencontrar''. Mentira, tudo isso.
Mentira tudo. Tanto agora quanto antes.
E cá estou eu revestida de poesias absurdas sobre coisa pouca. Sem saber onde enfiar o sentimentalismo barato, ao qual ninguém é obrigado a se expor. Repetindo toda hora a mesma história na minha cabeça só pra ver se encontro uma brecha, uma coisinha que me faça compreender o que foi que aconteceu. Ou aceitar. Ou sei lá.
Sei lá, sabe?
Eu não quero mais que você me ame, que você me queira, que você venha com seu riso doce, essas coisas. Não, não, eu só quero voltar a existir. Porque, cara, que porra é essa? Que crime sem fiança é esse? É basicamente isso, dessa vez. Quero te levar comigo, deixa? Te apresentar às pessoas, dizer que ''porra, gostei pra caralho. gosto ainda. e só''. Sem peso. Sem dor, sem nada. Sem absolutamente nada.
Pela última vez, deixa?

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