quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Não é de você que eu gosto

Tava aqui lembrando de quando eu e você éramos ''nós dois''. E a saudade que me deu, chegou a apertar meu coração. Não, não saudade de você. De nós.

Porque na verdade, o que eu gosto mesmo  é de quando a gente enlaçava as mãos quase sem notar e ficávamos assim um tempão até um de nós perceber e desatar os dedos. E das piadas que você fazia e eu me esforçava pra não rir só pra te irritar. De quando eu sentava no sofá e você já vinha pedindo abrigo pra sua cabeça nas minhas coxas.  Ou também  das nossas tentativas de esconder que morríamos mesmo de ciumes. Outra coisa que eu gosto bastante é de como nós dois gostávamos de nos alfinetar, lembra?

Eu gosto de escutar aquela música gostosa e fechar os olhos e sentir como se você estivesse aqui, agora, contornando meu rosto com os dedos e me fuzilando com esse seu olhar. Eu gosto de ver qualquer coisa e associá-la automáticamente a nós dois. E do nosso medo, da nossa pressa, da imperfeição com que fazíamos as coisas mais simples do mundo. De como eu não conseguia conter o brilho nos meus olhos quando eu encontrava contigo. E de sentir meu coração sambar ao te ver, de uma forma que eu nunca tinha sentido antes. Ah, quanta saudade do tempo não passar de jeito nenhum. De pensar inúmeras coisas bonitas pra lhe dizer e na hora esquecer todas. E dos nossos beijos.

O que eu realmente gosto é da vontade que eu tinha de gritar pra todo mundo que ''porra, tá vendo isso aqui? É M-E-U!'', apontando pra você. Da leveza com que a gente fazia os planos. Do gosto que tudo tinha. É dos detalhes de nós dois, que eu gosto.
E sabe?  Eu nunca penso em você, de fato. Em seus detalhes, seu cheiro, sua voz, seu olhar, suas qualidades, seus talentos, qualquer coisa assim.. Inclusive, eu acho você bem chato. Quase insuportável.  Com suas birras e implicâncias fora de hora, esse seu ''jeito sem amor de me amar''* e essa mania de colocar a culpa nos outros até quando é inevitável admitir que a culpa é sua. Sua arrogância, prepotência, indecisão. Sua mania de chochichar quando o que eu queria era berrar! 

Porque não é de você que eu gosto, é de nós dois.
E eu queria muito poder ter a gente de volta, Só que não existe mais ''nós'', né, desembaraçou-se foi tudo.
E que seja. Que seja.

(*frase copiada na caríssima de pau desse texto líndo da Gabriela)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que era doce

Por pouco, encantou-se.
Por quase tudo, apaixonou-se.
Por nada, apartou-se.
Acabou-se o que era doce.

sábado, 20 de agosto de 2011

Eu já sei como vai ser...

Quando a parte bonita acabar...

Eu vou dizer que estou destruída. E alguém vai dizer que existe cola e paciência pra juntar os pedacinhos.

Aí eu vou dizer que estou com medo de recomeçar. E alguém vai me dar um beijo na testa, um abraço e mandar eu largar de frescura

Eu vou dizer que é difícil. E alguém vai me mostrar o milhão de coisas ainda mais difíceis no mundo que foram superadas.

Aí eu vou dizer que queria tudo de novo. E alguém vai me perguntar se eu aguentaria assistir ao mesmo filme água-com-açúcar de novo e de novo e de novo e de...

Eu vou dizer que quero colo. E alguém vai me dar colo.

Aí eu vou dizer que vou chorar. E alguém vai me dar um copo de vodka.

Eu vou dizer que é impossível. E alguém vai me relembrar das últimas duas vezes que eu disse isso e estava enganada.

Aí eu vou dizer que é porque eu nunca me senti dessa forma. E alguém vai me dizer que a gente nunca sente a mesma coisa e é por isso que é bom.

Eu vou dizer que vou ligar. Daí alguém vai tomar o telefone da minha mão..

Aí eu vou dizer que eu preciso muito falar algumas coisas. E alguém vai dizer que não há mais nada a ser dito e que eu deixe de ser idiota pois já faz um tempo.

Eu vou dizer que ainda dói. E alguém vai me indicar uma música, um filme, uma poesia.

Aí eu vou dizer que não-passa-de-jeito-nenhum. E alguém vai fazer piada, dizer que não aguenta mais.

Eu vou dizer que eu não lembro mais. E alguém vai dizer ''Nem eu''.

Aí eu vou dizer um monte de coisa. E alguém vai dizer outro monte de coisa.

Aí eu vou sorrir. E alguém vai sorrir de volta.

Aí eu vou me apaixonar de novo. E alguém vai se apaixonar também.

Eu vou dizer tudo o que sinto. E alguém vai dizer também.

Aí eu vou ficar bobinha. E alguém vai se divertir com isso.

Aí eu vou sentir umas coisas bonitas, uma vontade de gritar, de ficar em silêncio. E alguém vai sentir comigo.

Daí quando a parte bonita acabar...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Olha, Maria


''‘Olha, Maria, você é burra! Você é absurdamente burra. E não adianta usar palavras difíceis em textos complexos, porque sua burrice é intrínseca.'' (F.Queiróz)

Você não sabe de nada, Maria. Finge que conhece o mundo, finge que se conhece. As suas próprias palavras te enforcam e os teus atos são tua fossa
.
Acorde, amanheça, perceba. Per-ma-ne-ça. Ai, Maria, tua súplica por compaixão fere os olhos e ouvidos alheios. Ninguém. Tem. Nada. Com. Isso.
Seja, Maria.Seja Maria.
Amaria mais fácil se soubesse calar. E aprendesse, finalmente, a falar. É preciso palavra, mas é preciso silêncio também. Em momentos precisos e propícios. Preciosos.
Não é preciso fugir nem fingir. Só se permitir, Maria.
M-a-r-i-a.
Nome simples. Rosto comum. Pensamento complexo.
Maria,você não faz sentido. Você assusta, prejudica, fere. No que te escondes? Por que se esconde?

Tem medo de quê, Maria? A vida é assim mesmo, vai lá pra ver. Vai crescer, se tornar alguma coisa. Fazer alguma coisa.

É muito fácil te amar, Maria. Difícil é permanecer. Você cria capa antes, depois e durante. Pra quê?

O que você quer na verdade, ein?
O que você é? Me-ni-na-ou-mu-lher?
Sabe? Vê? Entende? Escuta? Assemelha?

Olha, Maria. Olha no espelho.
Se entenda que é só assim que você pode se explicar. Só assim.
(Ou nem assim?)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Conselho

Sabe, menina, a vida tem dessas armadilhas e dessa mania de nos confundir um bocado. E a gente às vezes mete os pés pelas mãos, não consegue evitar (ou não quer) e no final das contas só temos as lágrimas como companhia. Por isso eu não lhe tiro a razão de chorar e não lhe oferecerei lenço nenhum: se enxarque. Grite aos quatro ventos o seu desespero, seja absurda, esperneie. Mas permita que cicatrize, não deixe a ferida aberta, viu?
Eu sei que é foda. A gente fica querendo que o mundo acabe, que todo mundo sinta a dor com a gente, porque não faz sentido sofrer sozinho. E aí você provavelmente esteja sentindo algo parecido, agora. Uma vontade que todo mundo sente ao seu lado, cruze os braços, abaixe a cabeça e chore tanto ou mais que você. NÃO-É-ASSIM, menina. Nenhuma vida deve parar por sua dor, e nem (principalmente) a sua.
As regras são simples: não confie em ninguém além do espelho. E de vez em quando, se possivel for, nem tanto nele. Você precisa aprender, na dor, que a sua vida é sua. Seus problemas são seus. E não se deve dividir. Não confunda deslize com traição. Não confunda medo com covardia. Não confunda silêncio com mudez. Não se precipite, mas também não se reprima nem se acanhe.
Viva, menina. Mas viva de verdade, por favor. Porque não há nada desse mundo mais bonito do que compreender, superar, sorrir após um tombo e reeguer-se tão rápido quanto a própria queda. A vida é escolher um caminho e prosseguir, independente das pedras, das pontes, dos monstros e dos empurrões.
E você já deixou mais do que provado que sabe fazer isso como ninguém.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aquarela

''Se eu me entregar total, meu medo é você pensar que eu sou superficial'' (Rita Lee)


Sou romântica demais pra acreditar em eternidade sentimental, mas eu preciso que você acredite no que digo e sinto agora: é uma merda grande do caralho! Aliás, grande não. Intensa. Porque grande é dimensão e, sinceramente, eu não sei exatamente aonde isso vai dar. E nem quero saber.

Eu acho tão bonito pensar em você e sorrir instantâneamente e sem peso nenhum, sabe? Acho bonito também o jeito que você me olha, assim bem fundo, com esse seu olho marrom e eu sinto que você realmente me vê. E eu não estou acostumada a quem me olha e vê de verdade. Além da minha pele marcada pela insonia e mosquistos. Tu me vê. E puta-que-pariu, que medo que eu tenho disso.

Não sei com certeza se eu queria que as coisas tomassem esse rumo, na verdade. Quem é que consegue conviver com essa pressão constante, essa responsabilidade? Não dá, não dá. Eu simplesmente não teria escolhido essa agonia, essa ansiedade, esse...não-saber-como-agir-ou-o-que-falar. Mas olha só o que aconteceu.

NÃO SEI LIDAR COM ISSO. A verdade é essa. Você me deixou idiota, ciumenta, carrancuca e levemente feliz. Eu me enrolo, atuo, finjo que não, mas a verdade é que: sim. Sim. Pra todas as suas perguntas, sim.

Eu era uma parede pintada de branco. Já surrada e descascando. E fazia tempo que eu estava simplesmente desacreditada de cor. Era tudo simplesmente branco. Mas aí veio você, aquarela. Dividiu comigo as suas cores. Pincelou com cuidado, de leve. Hoje eu estou aqui, co-lo-ri-da.

Culpado você. Culpada eu. Culpado o universo que brincou de te fazer exatamente do jeito que eu gosto.Nunca vou conseguir entender o por quê da melhor coisa a nosso respeito, ser o único motivo pra ter medo de sentir o que sinto. Mas sabe de uma? Lhe digo duas: eu quero. Assim, desse jeitinho.Aconteça o que acontecer e que no fim, acabe. Mas que acabe entre aspas, porque eu não vou saber lhe desencaixar do peito. Tu tá tipo fincado, já. Peça-do-meu-quebra-cabeças, você.
Não penso no tempo, não penso nos outros, nem no quão ridículas as coisas possam parecer ditas assim (sem falar na exposição a que me sujeito)...Eu só penso em você,o tempo inteiro. E há um bocado de tempo.