segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobre sentir

Sentir. Que coisa maluca é sentir. E mais maluco ainda quem acha que pode mandar em sentimento usando a cabeça, né?Não dá pra entender, também. Não tem hora, nem lugar, nem essas coisas que a gente insiste em atribuir ao sentir. Sentir é simples. Pode durar cinco minutos ou uma vida inteira.E a gente só sabe, quando sente, sabe? Quando a gente põe a cabeça no travesseiro e tem vontade de chorar. Ou tem vontade de rir. Sem motivo, só por sentir.

Comecei dizendo isso, porque de alguma forma eu precisava começar isso aqui. Essa vomitação de sentimentos que eu nem sei direito se são isso mesmo. Eu precisava. Eu preciso, ainda. Por isso aqui estou eu, escrevendo.

Tem coisa que a gente não conta a ninguém, por medo de ser errado. Por saber que pode ser frívolo pra ser dito assim, sem medição de palavras, tempo e espaço. A gente gosta de esperar pra ter certeza, mesmo quando todo o nosso corpo (principalmente cabeça e coração) parecem gritar e espernear que É ISSO MESMO, É SIM E TEM QUE SER AGORA!

Por isso eu vou falar, antes que seja tarde, antes que passe, antes que eu não sinta mais essa coragem de me expor e o sentimento envelheça e se enrugue, se transformando em qualquer coisa diferente de tudo isso que eu sinto agora. Porque a gente sabe que não existe o absoluto, o certo, quando se trata de sentir.

Às vezes eu me pego sorrindo. Eu não sei parar de sorrir. É sintomático. Não é tão bonito quanto deveria, nem intenso, mas é sintomático. Fazia tempo que eu não sentia essa vontade de segurar alguém pela mão e levar pra bem longe de todas as outras pessoas. E não é fácil pra alguém na minha posição admitir que, porra, eu gosto.

Da babaquice, do tremelique, da ansiedade, da dúvida, da graça, da fúria, da briga, do desencontro, da leveza. Principalmente da leveza. Então, let it be.
Sinto mesmo, sinto muito.
Estou sentindo agora, nesse exato minuto. Sentiu?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O melhor amor do mundo

Traz um filme, uma pipoca e tá tudo certo. Junta aqui todo mundo pra tirar uma foto. Chama ela lá, não gosto quando ela chora. Preciso te contar uma coisa muito, muito séria. Estou apaixonado por você. Posso dormir na sua casa? Vai praquela festa comigo? Me liga mais tarde! Beijei seu namorado. Me empresta aquela sua blusa? Manchei seu vestido de vinho. Contei aquilo pra sua mãe. Quer um cigarro? Vamos beber? Tira isso, tá horrível! Não acredito que você cortou seu cabelo. Ai que saudade. Não chora assim, que eu choro também. Me abraça. Melhor abraço do mundo. Eu também estou afim dela, cara.Comprei um presente pra você. Não vai embora nunca? Me perdôa? Eu não conseguiria ficar muito tempo sem falar com você. Vamo no cinema? Me apresenta aquele cara ali? Te odeio! Some da minha vida. Vamos fazer compras? Vem. Vai. Anda. Te amo, cara. Te amo muito!

Amizade: Nunca abandonar ou esquecer.
Tenho pessoas comigo há anos. Pessoas comigo há dias. E pessoas comigo há minutos. Tanta intensidade, tanta coisa bonita, cumplicidade, partilha, amor... o bom da amizade é que é o unico tipo de amor que não tem neura, tempo ou espaço. Acontece e flui. E é maravilhoso. Ao longo do tempo, aprendi que amigos são poucos. Poucos e loucos, fazem tudo por nós. Tem os amigos pra te contar a melhor piada que você já ouviu na vida, os amigos pra sentar e declamar poemas e chorar junto e escrever junto. Amigo pra sentar e beber. Amigo pra beijar na boca, sem sentir culpa ou remorso. Amigo pra você ligar de madrugada e conversar. Amigo pra contar segredo e dizer que ''já chega''. Amigo pra tudo. E eu tenho todos esses pra mim.
Eu tenho pessoas que me amam. Independente do cabelo bagunçado, da falta de tato com relações interpessoais, de não saber demonstrar reciprocidade, de desapontá-los. Terei pra sempre, quero ter pra sempre.
Amo meus amigos, e esse é o melhor amor do mundo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pra quando você voltar

Encontrei numa caixa o primeiro sorriso que você me deu. Foi tímido e apressado, mas eu guardo até hoje. A coisa mais bonita que eu já tinha visto na minha vida. Guardo também a primeira vez em que você segurou minha mão com uma força tão esmagadora que foi como se carregasse meu corpo inteiro. Tenho os bilhetes que você nunca escrevia mas recitava de forma engraçada sentado no sofá comendo pizza - com o queijo mais derretido do mundo.
Eu guardei naquela caixa as nossas tardes de domingo sentados no chão e brincando de quem-pisca-primeiro, como duas crianças de doze anos. Nossas gargalhadas estão logo ao lado, e as piadas que você fazia com os meus quilinhos a mais em lugares desastrosos.
Seus bocejos quando recitava Fernando Pessoa. Seus livros do Vinícius de Moraes. As músicas idiotas de romance que me faziam querer dormir mas você gravou num cd achando que eu tinha amado. A nossa foto debaixo da árvore mais alta da nossa praça, lembra? Eu com os cabelos bagunçados e a cara redonda e você fazendo careta.
Guardei a nota do bar, daquele dia em que eu e você bebemos, sózinhos, uma caixa de cervejas e voltamos pra casa SABE-DEUS-COMO. Dormimos como cachorros no sofá da sala e fomos acordados pela minha mãe. Melhor jeito de dormir num sábado á noite, você disse.
Tenho até hoje os beijos. Todos eles, até os mais rápidos na saída de manhã pro trabalho. E aqueles mais quentes da quarta-feira á noite quando eu finalmente conseguia vencer o futebol da televisão. Guardo o calor das suas mãos, também. E o gelo do seu dedão do pé que não tinha meia que resolvesse.
As roupas, os discos. As quatrocentas mil versões do rock das aranhas que gravamos naquela segunda-feira do saco cheio. Os filmes idiotas, os filmes inteligentes, a bossa-nova, a praça, o papo...E o meu amor.
Guardei tudo, pra quando você voltar.

sábado, 2 de julho de 2011

Pra onde vai essa merda toda?

E aí, que eu tava querendo falar sobre quando duas pessoas se conhecem e o corpo todo estremece. E de nervosismo, olhares tímidos, vontade absurda de sair pisando em cabeças pra poder se livrar dos outros e ficar um tempo a sós. Da mania de sair vasculhando a vida da pessoa e encontrar uma brecha pra se encaixar. De sentir o coração pesado, como se este tivesse acabado de se encher com alguma coisa, sabe? Tem gente que faz a gente sentir peso no coração. Preenche a porra toda, como se fosse ficar. Sacodem nossa rotina, fazem a gente querer sorrir mais que o normal, sabe? Por que raios depois de um tempo, isso pára de fazer sentido?


O que exatamente acontece com a vontade de passar dez vezes pelo mesmo lugar, só pra ver se encontra aquele alguém? Vontade de mandar mensagem, conversar na internet, dormir de madrugada porque ficou pensando no que dizer amanhã quando se encontrar. Ein, me fala? Esse tipo de coisa que quando começa parece que vai durar no mínimo cinco anos e você acha que foi feito pra se eternizar e começa a fazer planos, imaginar viagens e domingos?


O coração sambando no peito. O estômago se revirando. A pele sensível ao toque. O olho dizendo exatamente tudo o que a boca diria se pudesse. Etc. Etc. Coisas lindas, coisas mais lindas ainda e coisas feias que parecem lindas.


Cadê, onde vão parar essas coisas no fim do encantamento?





Onde vai parar essa merda toda?