terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Que porra eu fui?

Que porra eu fui pro moço tímido que morava longe e passava horas falando sobre qualquer coisa comigo? Que me fazia ligações bonitas e mensagens mais ainda, e me deixava com um sorriso que era tão largo... Que me fez sentir pela primeira vez aquele sentimento inefável que a gente tenta inutilmente demonstrar a cada minuto? Que veio, ficou e foi com a mesma rapidez que se instalou no meu peito sem pedir licença pra passar mais tempo do que nós dois imaginávamos? E que depois de um tempo era mais distante do que a propria distância, mais calado que o proprio silêncio e soube dizer e sentir por outro alguém tudo o que eu sentia por ele?

Que porra eu fui pro moço estranho que me puxou prum abraço no meio do nada, sem motivo aparente e desde então permaneceu enlaçado, ensinando que não se brinca com estranhos por nada, que gente nenhuma faz coisas sem motivos e que ele queria me beijar agora, e por isso me beijaria agora. E que depois não interessava, mas depois interessou... Pra esse moço que chegava sem avisar e se eu demorasse a perceber, saía sem avisar também. Que guardava segredos e me trazia chocolates, que vinha sempre e passou a fazer falta quando não vinha. Que aprontou e não quis ser meu amigo, dizendo que ''quem não se conheceu como amigo, jamais o será'', e estava certo?

Que porra eu fui pro rapaz esguio e falante que me sorria todos os dias na hora de ir embora? Que me mandava recados com indiretas às vezes tão diretas que eu enfiava os pés pelas mãos na tentativa de disfarçar a euforia com o flerte... Que puxava papo nas madrugadas insones de internet e fazia caretas pra me arrancar o riso de longe, e nutria uma paixão estranha sem que ninguém soubesse? E que depois veio dizer, como não se deve, que eu era uma amiga bacana e podia ajudá-lo na façanha de conquistar outrém?

Que porra eu fui pro rapaz que me conheceu do jeito errado, na noite errada, com o pé na jaca sem entender nada? Que me chegou de brincadeira e ficou pela mania de insistir no irreparável. Que não me despertou paixão, mas despertou vontades que nem eu mesma sabia que poderiam ser sentidas com ternura. Que foi mais certo como amigo do que qualquer outra coisa, e que tinha um discurso de ''não vou me apegar'' e apareceu casadinho-da-silva-fernandes na semana seguinte, como se o problema fosse realmente comigo?

Que porra eu fui pro moço do sorriso aberto e olhar torto que me ganhou na insistencia? Que veio como um temporal e saiu arrastando tudo o que pudesse alcançar, fazendo eu achar que sentia um monte de coisas que nem consigo explicar. Por quem, à revelia, me disse apaixonada e capaz de lutar contra tudo e todos pra fazer dar certo. Que me jurou compromisso, me pediu compromisso, e me deixou de lado. Me largou de mão. Largou da minha mão. Que tinha outro amor e não avisou, que tinha mais de mil paixões e esqueceu de me contar que eu não era nenhuma delas?

Que porra eu fui pro senhor pomposo, obsequioso e falador que me ganhou numa noite de desmedidos desvarios? Que continuou ganhando à medida que demonstrava possuir uma parte de mim em si e tornou tudo confuso com seu gosto de uva? Que pareceu querer mais do que eu e tornou-me refém de suas aparentes vontades, pra que, como quem não quer nada, me mostrasse que nada queria. Que só eu queria e insistia, e ele tentava amenizar. Que me trocou sem titubear, por uma melodia mais pesada, mais agitada... deixando-me aqui como uma marcha fúnebre e sem entender nada?

Que porra eu fui pra aquele das cartas despropositais e constantes, das visitas sem aviso prévio, das ligações de madrugada, dos ciumes desmedidos e inexplicáveis, dos dias, das pizzas, dos filmes? Da-falta-completa-de-beijos. Do excesso de abraços. Das confusas trocas de olhares. Dos silêncios tensos e constrangedores? Das declarações infundadas, de conhecer minha mãe, de me apresentar à sua mãe...se no fim das contas, após muita insistencia, ele foi dar tudo isso e beijos a outra pessoa?

Que porra eu fui pra eles? Que porra eu fui pra você?
Que porra eu sou, caralho?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Meu vício temático

Porque eu hoje sentei no chão frio do quarto pra olhar o teto e pensar em qualquer outra coisa. E aí me vieram umas piadas ótimas e uns trocadilhos infames assim, do nada, e dei risada de mim. Automaticamente, eu lembrei de você. E de quando você olha pra mim com esses olhos que parecem dizer que acham que sou muito boba. Eu também acho que sou boba, enfeitando o riso pra ver se você nota, e piscando menos vezes pra não perder muito dos seus movimentos. Dou logo um tapa na minha testa pra largar de ser otária, afinal de contas o objetivo ali é outro: pensar em qualquer outra coisa. Pensa,pensa, pensa, e nas esquinas da mente eu encontro uma música velha de Chico Buarque. E quando é Chico, eu lembro de você sabia? Não que tenhamos história parecida com suas canções ou que tenhamos vivido qualquer coisa ao som dele. Foi só porque uma vez ouvíamos a mesma música. Eu e você, a mesma música, chico buarque, e aí pronto: toda vez que eu ouço, lembro de você. Tá aí: você faz eu me sentir boba e querer evitar Chico Buarque. Que crime... Ahhh, lá vou eu de novo. Estou tentando evitar o pensamento, mas eu mesma me enrolo. Resolvi fitar o branco desbotado do meu teto. Devo ter viajado nas linhas de infiltração por um bom tempo, imaginando figuras inexistentes.As costas já doíam e o chão nem era mais frio, agora era morno. Mas veja só, devem ter se passado vinte minutos e eu nem sequer lembrei do seu nome. Olhei pra cima de novo e lá no topo da estante, eu a vi: a bendita caixa laranja das lembranças perdida. Fui lá e peguei pra relembrar das coisas que, meio sem querer eu tirei de mim e deixei lá. Adivinha então, o que eu achei, no meio de tantas cartas, fotos, figurinhas do X-men, e penduricalhos? Um maldito roteiro de nada. Cada um, uma palavra. Li e reli mil vezes só pra tentar encontrar alguma mensagem subliminar sua que dissesse por que raios você apareceu naquele dia. Mas eram só bobagens num papel. E nossas assinaturas, e alguns corações. E outras idiotices no verso da folha. Não lembro porque guardei aquilo, não sei porque tenho pensado tanto na sua pessoa e nas nossas possibilidades tortas. Mas acontece que está acontecendo com frequencia. É, isso de eu pensar em você. Por isso que eu hoje decidi pensar em qualquer outra coisa. Na bolsa de valores, no ditador Egípcio que renunciou, nas piadas no twitter, no meu relógio transparente em forma de ovo que balança sozinho na mesa, nos dias que faltam pra eu ir, no Sol... qualquer coisa. Qualquer coisa que não fosse você, pra eu não me achar uma maluca maniaca desequilibrada e inventora de sentimentos. Porque eu sempre digo que desde a minha ultima queda, eu não me deixo mais levar por impulsos sentimentais e amores semanais. Mas já faz um certo tempo e um beijo. Um só. E eu aqui. Exatamente onde não deveria estar, sentada no chão - agora muito quente mesmo! - do meu quarto, escrevendo sobre você. Pensando em você. Como tenho feito em muitos dos ultimos dias, mesmo que tente me policiar quase ao máximo. Se eu disser que estou apaixonada, vai ser mentira. E na verdade eu nem sei separar mais o que eu realmente estou sentindo do que eu estou fantasiando por tédio. Só que eu queria entender as coisas, entender você. Quero mais do que galanteios soltos assim por soltar, porque eu não sei você, mas eu não saio por aí dizendo e fazendo as coisas com desculpinha esfarrapada se eu não quiser algo em troca. Qual-quer coisa. E eu não quero ser como um elemento de transição da tabela periódica, se é que você consegue entender a fraquissima metáfora. E eu gosto de deixar as coisas esclarescidas. Ou pelo menos deixar subentendido. Muito bem subentendido, ok? E você, nada. Nada mesmo. Mas que grande porcaria, ein? Que grande porcaria você, seu rosto redondo demais, meu cabelo sujo, sua altura imponente, meus exageros. Tudo uma porcaria. Porcaria também eu imaginar a quantas andam teus outros romances, se são romanticos, se é bom pra você. Ou se você já perdeu alguns minutos se imaginando comigo. Porcaria, porcaria. Porcaria de chão, de teto amarelado, caixa laranja, texto incoeso e vontade de ir na sua casa agora dizer todas as coisas que me vierem à cabeça.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Só você

Você aí querendo atenção, e eu aqui querendo você.
Você aí querendo novas experiências e eu querendo você.
Depois você quer o mundo, e eu quero você.
Você quer mais bebida, e eu quero você.
Você quer uma saída e eu quero você.
Você quer fazer amigos, eu quero você.
Você quer ser feliz, eu quero você.
Você quer descansar, e eu ainda quero você.
Você quer de tudo um pouco e eu continuo querendo você.
Só você.



sem dedicatórias implícitas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Se eu tô apaixonada?

Claro que eu estou apaixonada.
Pelo garçom do bar que me deixou pegar mais uma cadeira quando não havia quase nenhuma sobrando e eu pude ligar praquela outra pessoa dar uma chegadinha e tomar umas. Pelo meu professor de matemática que me ensinou que menos com menos dá mais e que a gente precisa sim comprar borracha branca daquela mais cara, se não quiser transformar o caderno num mangue. E pelo caixa do banco que me ensinou que a senha de seis dígitos pode muito bem ser a de quatro com mais dois novos números pra facilitar, tornando meu dia muito mais colorido e despreocupado. Pelo cara do BBB que aparece lá do alto daquele nível supremo de beleza sorrindo de sunga e tomando sol como se não houvesse um mundo aqui fora e uma garota como eu querendo dar uns amassos com ele. E isso porque eu não quero mencionar o caixa do mercado, o rapaz da padaria ou o moço do ponto de ônibus ali de baixo. Também estou apaixonada pelo Jake Gyllenhaal, porque eu me enrolo pra falar o nome dele e ele fica realmente muito lindo sorrindo sem-graça e atuando, e também nos meus sonhos. Me apaixonei pelo meu colega do cursinho, porque ele me sorria todos os dias de manhã quando eu chegava e não parava de sorrir nunca mais, até eu ir embora. E me ajudava, e ele era lindo. Daí depois eu me apaixonei pelo outro professor de.. como é mesmo o nome da matéria? Eu não sei, porque sempre me sentia em êxtase quando ele entrava na sala com suas roupas descoloridas e imponentes e seu discurso eloquente do caralho. Eu fiquei muito apaixonada pelo cara que eu beijei naquela festa, porque ele me contou umas piadas muito ótimas cara, e eu adoro homem engraçado. E também pelo meu melhor amigo que parece que é um pedaço da minha alma em outro corpo e me faz sentir como falando com o espelho sempre que conversamos. Estou tentando resumir pra ver se você acompanha, mas teve também o jogador de futebol que fez um gol nos ultimos minutos do jogo e foi a deixa pro rapaz finalmente me abraçar no sofá da sala e derramar pipoca no tapete; o cara do filme que se declarou pra a mocinha de um jeito tão bonito que eu quis ele pra mim; o Graham Bell, pelo telefone maravilhoso que ilumina minha vida aos fins de semana; o dono da Heineken pelos motivos claros e obvios que não me darei o trabalho de explícitar. Pelo rapaz que tem me inspirado a escrever, também. E não vou mentir pra você que também me apaixonei por Chico Buarque essa semana, por Nando Reis, por Arnaldo, John Mayer e aquele gordinho barbudinho, como é mesmo o nome? Ah, Rodrigo. Rodrigo Amarante, meu grande amor também. E eu nao vou esquecer do rapaz que me deu um lugar na fila da lotérica em dia de Sol escaldante, nem do meu amigo que me trouxe sorvete no calor. Me apaixonei por eles também. E por aquele menino que eu tenho no orkut e fico indo lá todo dia só pra ver quem anda mandando recado pra ele e se ele me vê nos registros de visita e lembra que eu existo e estou esperando ele vir no meu scrapbook. Também por aquele que fala comigo só de vez em quando, é fofo, lindinho, perfeitinho e finge muito bem que eu não existo quando dá vontade. E pelo outro, e o outro.. Ah e aquele outro também.
...Bom, é isso. A todos vocês que andam me perguntando se eu estou apaixonada, eis a resposta. Eu to mesmo, a todo segundo, todos os dias. Por mil motivos diferentes e por mil pessoas. Isso faz de mim uma safadona devassa? Talvez, mas eu prefiro pensar que sou apenas cercada de gente apaixonante, uai rs (Afinal, tudo depende de como você encara).
Brincadeirinha pessoal, tô apaixonada não... tudo mentira.
Quer dizer, a parte do Jake Gyllenhaal é verdade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Esboço de uma carta

Dizer as coisas todas que me vêm à cabeça só com a menção do nome dele e fazê-las parecer a mais bela poesia de que se tem notícia.
Cuidar para não florear o que já é muito bem enfeitado e não exagerar o que já está muito bem ''hiperbolado'' na minha mente. Tentaria ser concisa, apesar da prolixidade inevitável pra explicar o que não tem definição. Não quero que seja tedioso, como todas as outras coisas que já escrevi na vida. Quero que seja único, como de fato é. Eu queria escrever uma carta pra ele.

Pra falar que ele tem um espaço crescente na minha vida e que eu posso ser muito estranha e quieta ao seu lado, mas na verdade eu faço festa por dentro só de encontrá-lo. Que reconheço ser talvez muito cedo pra dizer assim, mas cá entre nós, no que o fato de ''não dizer'' diminuiria a sensação? Eu sinto mesmo e espero perder logo a vergonha de admitir que eu adoro tudo, até as citações e o modo safado com que olha o mundo. E acho a coisa mais bonita do universo inteiro, aquele olhar ingênuo que parece pedir, entre tantas coisas, um abraço apertado e um carinho a mais.

Confessaria entre tantas vírgulas e pontos de continuação, que ele pra mim é como um bom livro: a gente não consegue parar de ler, se atropela nas páginas, esquece do mundo... de vez em quando até promete ''Só mais essa e eu vou dormir'' e lá se vai a madrugada inteira. Entende? E que eu não acho que as coisas precisem de hora certa pra acontecer, mas que quando acontecem a gente não pode ficar esperando o momento certo pra aproveitá-las - e apesar disso eu sou assim, tapada, e não consigo fazer metade do que faria se me permitisse. E que eu estou tentando impressioná-lo a cada minuto do ultimos dias, mesmo quando ele não está, eu faço coisas pra ele saber e se encantar. Que por ele eu aprenderia alemão e discutiria filosofia e religião. E pra passar mais cinco minutos na sua companhia, sou capaz de deixar qualquer filme pra lá.

Eu diria que o seu jeito doce me fez querer ser assim também e que eu quero muito qualquer coisa que me permita ter mais do que vinte minutos de conversas secas. Que eu quero conhecê-lo a fundo, saber seus medos, deitar no sofá e passar horas discutindo as letras dos nossos compositores favoritos e todos os livros que já lemos. E que eu quero beijos, abraços, olhares e tudo, tudo, tudo.

Eu ia dizer, também, que eu acho muito precipitado e muito estranho quando um sentimento cresce insuspeitado e toma conta dessa forma, que é tudo muito clichê, que eu sei que talvez ele dê risada ao ler e se pergunte em que momento permitiu que essa loucura começasse. Que talvez não seja nada disso e eu só esteja mesmo precisando de um carinho qualquer sem especificações. E que eu quero que se foda porque eu já ponderei, esperei e planejei demais pra que agora me deixasse levar por tantas possibilidades de falha.

Enfatizaria o quanto é difícil pra mim explicitar esse tipo de coisa e que era a primeira vez que eu tinha coragem para tal. Pediria que fizesse o que quisesse com tudo o que agora sabia, que eu estava passando a bola pra ele. Que não chovesse sem molhar, que não iludisse, que não abusasse e não me frustrasse, E ''zéfini''.

Eu mandaria um beijo no final ou talvez dois.

É isso. Um dia eu escreverei uma carta pra ele.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sabe o que é?

Sabe o que é frustrante?
Reviver a mesma história toda vez, com personagens diferentes, cenários diferentes e a mesma droga de enredo.
Escrever uma carta e nunca obter uma resposta, nem que seja num guardanapo escrito com batom ''Eu também gosto de você''.
Não conseguir dizer tudo o que queria.
Não ter recebido uma carta de Hogwarts aos 11 anos.

Sabe o que é amizade?
Não se importar de ouvir a mesma história repetidas vezes e ter sempre um novo conselho pra dar.
É não dizer absolutamente nada, quando não forem necessárias palavras.
É doer junto, sorrir junto, sentir junto e se importar.
Mandar tomar naquele lugar, sempre que for preciso. (E saber que SEMPRE é preciso)

Sabe o que é bom?
Sorvete de flocos e de côco.
Beijo roubado com consentimento.
Reciprocidade.
Ouvir música no volume máximo e cantar a plenos pulmões.

Sabe o que é ruim?
Filas, senhas e qualquer coisa que lhe faça esperar mais de vinte minutos.
Mentira, enganação e sacanagem.
Confiar na primeira impressão sobre qualquer coisa.
Ficar bêbado todos os dias da semana.

Sabe o que é poesia?
Conseguir rimar palavras com sentimentos.
Colocar no papel algo mais do que sintagmas nominais com terminações iguais
Uma coisa muito difícil que eu adoraria saber fazer.

Sabe o que é triste?
Saber que, no fundo, não vai acontecer do jeito que foi planejado.
Falta de comunicação.
Perder antes do tempo (e não saber quando é o tempo)


Sabe o que é amor?
...

Ok, admito: isso eu também não sei.
Vamos tentar descobrir?