quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pra quando você voltar

Encontrei numa caixa o primeiro sorriso que você me deu. Foi tímido e apressado, mas eu guardo até hoje. A coisa mais bonita que eu já tinha visto na minha vida. Guardo também a primeira vez em que você segurou minha mão com uma força tão esmagadora que foi como se carregasse meu corpo inteiro. Tenho os bilhetes que você nunca escrevia mas recitava de forma engraçada sentado no sofá comendo pizza - com o queijo mais derretido do mundo.
Eu guardei naquela caixa as nossas tardes de domingo sentados no chão e brincando de quem-pisca-primeiro, como duas crianças de doze anos. Nossas gargalhadas estão logo ao lado, e as piadas que você fazia com os meus quilinhos a mais em lugares desastrosos.
Seus bocejos quando recitava Fernando Pessoa. Seus livros do Vinícius de Moraes. As músicas idiotas de romance que me faziam querer dormir mas você gravou num cd achando que eu tinha amado. A nossa foto debaixo da árvore mais alta da nossa praça, lembra? Eu com os cabelos bagunçados e a cara redonda e você fazendo careta.
Guardei a nota do bar, daquele dia em que eu e você bebemos, sózinhos, uma caixa de cervejas e voltamos pra casa SABE-DEUS-COMO. Dormimos como cachorros no sofá da sala e fomos acordados pela minha mãe. Melhor jeito de dormir num sábado á noite, você disse.
Tenho até hoje os beijos. Todos eles, até os mais rápidos na saída de manhã pro trabalho. E aqueles mais quentes da quarta-feira á noite quando eu finalmente conseguia vencer o futebol da televisão. Guardo o calor das suas mãos, também. E o gelo do seu dedão do pé que não tinha meia que resolvesse.
As roupas, os discos. As quatrocentas mil versões do rock das aranhas que gravamos naquela segunda-feira do saco cheio. Os filmes idiotas, os filmes inteligentes, a bossa-nova, a praça, o papo...E o meu amor.
Guardei tudo, pra quando você voltar.

16 comentários:

carla reis disse...

Acho que nem todas as palavras do mundo poderiam descrever o que eu tô sentindo agora, o que eu vivi foi parecido, mas quem é que não quer ou já se identificou com o que tu escreveu sem nem mesmo ter vivido? Ninguém.
Eis que estou diante dessas belas e tocantes palavras com os olhos cheios de lágrimas, sentindo aquela saudade boa de se sentir. Obrigada.
E está lindo, e repito, como sempre!

disse...

Que ele não demore a voltar!

E te faça feliz. Simples assim!

Luciana Brito disse...

Esperar é triste que nem sentir saudade. Já passei por isso...

Espero que ele volte e que mais coisas sejam colocadas nessa caixa.

Beijo!

Marcela Alves disse...

Que lindo, eu também tenho essa mania de guardar as coisas. Acho que um dia sempre vou precisar delas.. ahahuha


beeijos

Henrique Miné disse...

vc derrete qualquer um mesmo, né?

caralho!

Fernanda disse...

Suas palavras tocaram lá no fundo! E espero sinceramente que tudo dê certo. Ele vai voltar!

Mariana Andrade. disse...

difícil é não cansar de esperar..

Ana Vicente disse...

:(

Aline Queiroz disse...

Fica difícil dizer que essas palavras não tocaram meu coração...e foi além do que isso...me fez recordar um tempo que também está guardado...talvez numa caixa. rsrs.
Muito lindo seu post.
Abraços!

Luna disse...

Sua linda, você não perde o jeito de falar de coisas gostosas de amor!

Jerlley disse...

Muito bom texto.

Visite(siga): antimateriadonada.blogspot.com

Dayane Pereira disse...

Coisa boa são as lembranças.
Coisa boa é ler um texto tão bonito.

Suelen disse...

Nossa,adorei o texto e a realidade e todo o sentimento expresso nele,textos assim são realmente bons pra ler e sentimentos assim a gnte guarda sempre.Aguardo uma visita sua no meu blog,=)

Carolda disse...

Eu guardei muitos detalhes de um amor. Mas guardei tanto que perdeu o sentido e não pude mais voltar. Ainda bem. A vida me trouxe outro amor para guardar... mas, principalmente, para VIVER.

Que saudade de ler você, moça!
Bei grande

Emoções disse...

Como afloram os sentimentos
Nos poemas que se faz,
Transmitem em todos num só momento
A paixão que agente traz.

Decantamos a beleza e o amor
Para levar ao mundo; humildade, carinho e paz.
Aliviar no povo seu sofrimento e dor
Dando a ele um novo alvor.

Nesse mundo de desafetos
O homem não pode continuar
Nós, Poetas, podemos colaborar,
E da transformação podemos participar.

Esse dom que recebemos
Não é para ser guardado
E sim, para ser exteriorizado.
A nós ele só foi emprestado.

No plano em que vivemos
Cada um tem sua missão.
Infelizmente! Alguns levam o ódio
Ah! Mas o Poeta! Leva o amor ao coração.

Lucas de Souza disse...

(des)espera ver o tempo passar.