domingo, 19 de junho de 2011

Três pontos finais

Um.


Não era doce, mas era quente e forte. Como aquele café que a gente faz no fim do dia, pra curar a dor de cabeça que os afazeres nos deram. Era incrivelmente intenso e fazia perder os eixos. Era uma delícia. Chegou insuspeitado e todo aquele blablablá. E foi verdade. Uma das pouquíssimas verdades da minha vida. Minha incrivelmente sacana vida. Me deixava um gosto amargo de rock'n roll na boca, toda vez que partia. Empurrei com a barriga e acabei deixando rolar escada abaixo. Continuou quente, mas deixou de ser forte. Ai que saudade que dava de achar interessante sentar no chão frio de uma praça deserta pra contar desamores, duvidas, medos... Olha, isso fazia de mim a pessoa mais boba e mais feliz do mundo, naqueles dias. Acabou que eu nem senti. Na verdade, ainda sinto vontade de ter sido diferente. Mas não era pra ser. Não era pra mim. Era pra outra, não é?


Dois.


Ah, que doçura. Que vontade de apertar contra o peito e deixar ali, aninhado, empernado, preso pra sempre. Era doce, mas não era quente. Era incrivelmente gelado. Como um sorvete, e no calor a gente sabe que é impossível viver sem. Era IMPOSSÍVEL viver sem, que droga. Chegou mais rápido, avisou que estava vindo, mandou eu arrumar o coração e colocar flores em cima da mesa e no sorriso. Fui lá e fiz. Tudo impecável, lindo, meigo, fofinho. Era uma bossa-nova, um samba gostoso no fim de tarde. Me deixava de coração sambando toda vez que partia. Uma vez foi e não voltou...Aí um dia, chegou aqui, abriu a porta, me fez saltar. Meu coração saltou junto. Uma pulação bonita que só, e um aviso escroto de ''Não, baby, eu voltei pra avisar que não volto mais...''


Três.


Ultimo suspiro. Desempolgado, desengonçado,. estranho, estranho... Nem bem começou e já foi se juntando aos outros. Não teve tempo de ser nada mais que um novo final. Já iniciou terminando, tipo aqueles filmes que começam pelo final. Insisti pelo costume, pela esperança que não consigo apagar do meu sorriso. Ah, acabou.



Um. Dois. Três.

São três pontos finais, quer dizer que acabou três vezes.

Eu sei, você sabe, eles sabem.

Mas eu insisto até o fim, que aprendi na infância: três pontos juntos, são RETICENCIAS.

Ou seja, isso tudo acaba, mas não termina.

Acabou, mas não terminou.

Não terminou.


...e continua.

8 comentários:

Marcela Alves disse...

Ai que fofo, eu me identifiquei mais com o primeiro ponto..!

aauuha beeijos

carla reis disse...

QUE FODAAAAAAA!

ticoético disse...

Alguns olham como três finais,outros olham como algo reticente,eu prefiro acreditar na força da vontade,de ser,permancer ou fugir,tanto faz,enfim,bela.

abraço !

Rafael Pin disse...

Aaaah que porra, pq vc escreve bem hein??
meu texto lá no meu blog não tem nada av com vc ¬¬'

Vanessa disse...

Gostoso de ler. O post foi escrito de uma forma que faz o leitor sentir junto, cada um dos três pontos. E depois ler, senti que eram sim reticências. Muito, muito bom (:
Beijos

Mariana Andrade. disse...

é, Ma. é foda.

e, por muitos motivos, só isso a declarar.

Guilherme Augusto Codignolle Souza disse...

Reticencias... ? Não tenho criatividade ainda pra me inspirar em coisas assim. Preciso me libertar um pouco mais, minha imaginação ainda não alcança a altura de voo da sua. ^^

Sempre bom te visitar, um grande abraço.

http://codignolle.blogspot.com

João disse...

realista e muito bem criativo
os finais chegam após caminhadas que por ora são sacrificantes..
obrigado pela companhia em meu blog
grande abraço
João