segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Meu vício temático

Porque eu hoje sentei no chão frio do quarto pra olhar o teto e pensar em qualquer outra coisa. E aí me vieram umas piadas ótimas e uns trocadilhos infames assim, do nada, e dei risada de mim. Automaticamente, eu lembrei de você. E de quando você olha pra mim com esses olhos que parecem dizer que acham que sou muito boba. Eu também acho que sou boba, enfeitando o riso pra ver se você nota, e piscando menos vezes pra não perder muito dos seus movimentos. Dou logo um tapa na minha testa pra largar de ser otária, afinal de contas o objetivo ali é outro: pensar em qualquer outra coisa. Pensa,pensa, pensa, e nas esquinas da mente eu encontro uma música velha de Chico Buarque. E quando é Chico, eu lembro de você sabia? Não que tenhamos história parecida com suas canções ou que tenhamos vivido qualquer coisa ao som dele. Foi só porque uma vez ouvíamos a mesma música. Eu e você, a mesma música, chico buarque, e aí pronto: toda vez que eu ouço, lembro de você. Tá aí: você faz eu me sentir boba e querer evitar Chico Buarque. Que crime... Ahhh, lá vou eu de novo. Estou tentando evitar o pensamento, mas eu mesma me enrolo. Resolvi fitar o branco desbotado do meu teto. Devo ter viajado nas linhas de infiltração por um bom tempo, imaginando figuras inexistentes.As costas já doíam e o chão nem era mais frio, agora era morno. Mas veja só, devem ter se passado vinte minutos e eu nem sequer lembrei do seu nome. Olhei pra cima de novo e lá no topo da estante, eu a vi: a bendita caixa laranja das lembranças perdida. Fui lá e peguei pra relembrar das coisas que, meio sem querer eu tirei de mim e deixei lá. Adivinha então, o que eu achei, no meio de tantas cartas, fotos, figurinhas do X-men, e penduricalhos? Um maldito roteiro de nada. Cada um, uma palavra. Li e reli mil vezes só pra tentar encontrar alguma mensagem subliminar sua que dissesse por que raios você apareceu naquele dia. Mas eram só bobagens num papel. E nossas assinaturas, e alguns corações. E outras idiotices no verso da folha. Não lembro porque guardei aquilo, não sei porque tenho pensado tanto na sua pessoa e nas nossas possibilidades tortas. Mas acontece que está acontecendo com frequencia. É, isso de eu pensar em você. Por isso que eu hoje decidi pensar em qualquer outra coisa. Na bolsa de valores, no ditador Egípcio que renunciou, nas piadas no twitter, no meu relógio transparente em forma de ovo que balança sozinho na mesa, nos dias que faltam pra eu ir, no Sol... qualquer coisa. Qualquer coisa que não fosse você, pra eu não me achar uma maluca maniaca desequilibrada e inventora de sentimentos. Porque eu sempre digo que desde a minha ultima queda, eu não me deixo mais levar por impulsos sentimentais e amores semanais. Mas já faz um certo tempo e um beijo. Um só. E eu aqui. Exatamente onde não deveria estar, sentada no chão - agora muito quente mesmo! - do meu quarto, escrevendo sobre você. Pensando em você. Como tenho feito em muitos dos ultimos dias, mesmo que tente me policiar quase ao máximo. Se eu disser que estou apaixonada, vai ser mentira. E na verdade eu nem sei separar mais o que eu realmente estou sentindo do que eu estou fantasiando por tédio. Só que eu queria entender as coisas, entender você. Quero mais do que galanteios soltos assim por soltar, porque eu não sei você, mas eu não saio por aí dizendo e fazendo as coisas com desculpinha esfarrapada se eu não quiser algo em troca. Qual-quer coisa. E eu não quero ser como um elemento de transição da tabela periódica, se é que você consegue entender a fraquissima metáfora. E eu gosto de deixar as coisas esclarescidas. Ou pelo menos deixar subentendido. Muito bem subentendido, ok? E você, nada. Nada mesmo. Mas que grande porcaria, ein? Que grande porcaria você, seu rosto redondo demais, meu cabelo sujo, sua altura imponente, meus exageros. Tudo uma porcaria. Porcaria também eu imaginar a quantas andam teus outros romances, se são romanticos, se é bom pra você. Ou se você já perdeu alguns minutos se imaginando comigo. Porcaria, porcaria. Porcaria de chão, de teto amarelado, caixa laranja, texto incoeso e vontade de ir na sua casa agora dizer todas as coisas que me vierem à cabeça.

4 comentários:

Dan disse...

se acha q vale a pena, corre e fala tudo.
se não vale, escreve por aqui pra gente mesmo. é mto melhor!

com o seu texto, fácil demais saber que ele é de aquario né? Conheço bem figuras como essa! E eu, de novo, me vi no seu texto!!

bjo e boa semana gata!
:)

Jaya Magalhães disse...

Putaquepariucaralho!

Steph disse...

Sabe que td isso que você falou ai é uma merda mesmo, você não quer pensar, mas é quase como se td levasse a esse ponto...

Lindo amiga!

beijos

mariana serpa disse...

Estou tentando evitar o pensamento, mas eu mesma me enrolo.

(...) pra eu não me achar uma maluca maniaca desequilibrada e inventora de sentimentos.

E na verdade eu nem sei separar mais o que eu realmente estou sentindo do que eu estou fantasiando por tédio.

me sinto tão avontade aqui =)
lindo texto, lindas palavras e coragem menina! ♥