segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Esboço de uma carta

Dizer as coisas todas que me vêm à cabeça só com a menção do nome dele e fazê-las parecer a mais bela poesia de que se tem notícia.
Cuidar para não florear o que já é muito bem enfeitado e não exagerar o que já está muito bem ''hiperbolado'' na minha mente. Tentaria ser concisa, apesar da prolixidade inevitável pra explicar o que não tem definição. Não quero que seja tedioso, como todas as outras coisas que já escrevi na vida. Quero que seja único, como de fato é. Eu queria escrever uma carta pra ele.

Pra falar que ele tem um espaço crescente na minha vida e que eu posso ser muito estranha e quieta ao seu lado, mas na verdade eu faço festa por dentro só de encontrá-lo. Que reconheço ser talvez muito cedo pra dizer assim, mas cá entre nós, no que o fato de ''não dizer'' diminuiria a sensação? Eu sinto mesmo e espero perder logo a vergonha de admitir que eu adoro tudo, até as citações e o modo safado com que olha o mundo. E acho a coisa mais bonita do universo inteiro, aquele olhar ingênuo que parece pedir, entre tantas coisas, um abraço apertado e um carinho a mais.

Confessaria entre tantas vírgulas e pontos de continuação, que ele pra mim é como um bom livro: a gente não consegue parar de ler, se atropela nas páginas, esquece do mundo... de vez em quando até promete ''Só mais essa e eu vou dormir'' e lá se vai a madrugada inteira. Entende? E que eu não acho que as coisas precisem de hora certa pra acontecer, mas que quando acontecem a gente não pode ficar esperando o momento certo pra aproveitá-las - e apesar disso eu sou assim, tapada, e não consigo fazer metade do que faria se me permitisse. E que eu estou tentando impressioná-lo a cada minuto do ultimos dias, mesmo quando ele não está, eu faço coisas pra ele saber e se encantar. Que por ele eu aprenderia alemão e discutiria filosofia e religião. E pra passar mais cinco minutos na sua companhia, sou capaz de deixar qualquer filme pra lá.

Eu diria que o seu jeito doce me fez querer ser assim também e que eu quero muito qualquer coisa que me permita ter mais do que vinte minutos de conversas secas. Que eu quero conhecê-lo a fundo, saber seus medos, deitar no sofá e passar horas discutindo as letras dos nossos compositores favoritos e todos os livros que já lemos. E que eu quero beijos, abraços, olhares e tudo, tudo, tudo.

Eu ia dizer, também, que eu acho muito precipitado e muito estranho quando um sentimento cresce insuspeitado e toma conta dessa forma, que é tudo muito clichê, que eu sei que talvez ele dê risada ao ler e se pergunte em que momento permitiu que essa loucura começasse. Que talvez não seja nada disso e eu só esteja mesmo precisando de um carinho qualquer sem especificações. E que eu quero que se foda porque eu já ponderei, esperei e planejei demais pra que agora me deixasse levar por tantas possibilidades de falha.

Enfatizaria o quanto é difícil pra mim explicitar esse tipo de coisa e que era a primeira vez que eu tinha coragem para tal. Pediria que fizesse o que quisesse com tudo o que agora sabia, que eu estava passando a bola pra ele. Que não chovesse sem molhar, que não iludisse, que não abusasse e não me frustrasse, E ''zéfini''.

Eu mandaria um beijo no final ou talvez dois.

É isso. Um dia eu escreverei uma carta pra ele.

12 comentários:

●๋• тнαi иαรciмєитσ disse...

Eu diria que essa seria uma bela carta.

Adoro o teu jeito de escrever, sabia? Faz parecer esse assunto tão comum nos blogs de hoje estar renovado.

:)

wellen disse...

QuandO vc escrever pra ele conta pra gente táh!
mas tenho cerrteza q vaii ser posiitiivo! pooiis quem dispensariia uma mente briilhante assim??

João disse...

Curiosidade no ar... lalala
Gostei do texto, mesmo.
Abrçs

ps: acessei seu lastfm e vi que somos super, mas não tive a audácia de adicionar. rs

Carolda disse...

É, moça, só não fique esperando demais para mandar essa carta, pois quando você menos perceber, pode ser tarde demais. Sinta bastante, mas não se esqueça de viver esse sentimento.

Um beijo

ticoético disse...

Bonito,poderia dizer mais,porém seria apenas rodeio pra dizer que foi bonito.

abraço !

Brito... disse...

Visitando pela primeira vez seu blog, muito bom, escreve bem. Seguindo já.

ocafofodobrito.blogspot.com

Francimare Araújo disse...

Sempre tive um apreço imenso por cartas, não que as escrevo com frequência. Mas quero dizer que quando vejo por aí textos que são cartas não exito, leio na hora.
Cartas assim, para ele, principalmente. Lindo, lindo!

Rafael Pin disse...

quase te pergunto, "pra quem foi esse texto?" rsrs mas tenho minhas suspeitas e eu sei q vc diria "-pra ninguém não, não escrevo só sobr a minha vida" aaaah mas vá...vc é foda veeeei...lindo, lindo mesmo!

beijo Maguiazinha do meu coração!
;* s2

Francimare Araújo disse...

haha Que vergonha, de onde eu tirei esse "exito"? Quis dizer "hesito."

Erica Vittorazzi disse...

Como eu adorei ler isto. Que elogio mais lindo comparar alguém como um livro bom. Também sou assim: devoro livros bons pela madrugada inteira.

Escreva a carta.


beijos

Ela disse...

Se não for seu eu lírico, mande a carta.
Se for o seu eu, escreva do mesmo jeito... dizem que se você desejar algo verdadeiramente, o universo conspira pra pra te dar.

Não custa nada acreditar, só perde quem não arrisca, pois nem a história terá pra contar.

Grande beijo.

Laura K. disse...

Escrever a carta até é fácil. Difícil é enviá-la.