domingo, 18 de dezembro de 2011

De uma vez por todas

''Que a distância aumente a ponto de virar "nunca". Nunca mais. '' (Marcela Egito)

 Morena, presta atenção: não havia amor. Você poderia parar com essa mania de poetizar cada sensaçãozinha. É bonitinho, mas bagunça tudo, não percebeu? É claro que eu gostei de você, do que passamos, fizemos e dissemos. Aquela música ainda me faz sorrir lembrando de você, e eu ainda admiro muito o seu jeito. Mas, sabe, eu admiraria muito mais se você menos intensa.

É tua intensidade que te mata. Foi ela que matou qualquer indício de beleza que existia no que tivemos. Sei que a culpa é um pouco minha, porque eu alimentei muito disso tudo. Quer dizer, eu realmente adorava o que você escrevia, dizia e fazia, isso sem falar no resto todo. Mas, cá entre nós, tu me pintou como um príncipe que eu simplesmente não sou. Não tenho condição de ser. Não quero ser. Não agora, nem pra você. Eu só queria um pouquinho de atenção, e você me deu tudo isso.

Eu prefiro você assim, de longe, sem tentar me encaixar no teus dias ou se encaixar nos meus. De verdade, funcionamos melhor assim. O que eu quero dizer, é que acabamos. Ponto final. Ocupa tua mente com outra coisa, vai ler, sai pra beber, sai dando pra outros caras, sei lá. Se vira: me esquece! Me deixa pra lá, me tira da vida, da mente, do coração. Faz igual eu fiz com você. Desculpa a falta de tato e sensibilidade, ok? Mas talvez assim seja mais fácil entender.

Um beijo pra você moça bonita,
do não-mais-teu.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Se dê o direito de ser

Admita que música nenhuma do Chico Buarque te anima mais do que aquela balada nova da Rihanna num sábado à noite, ou que o sonho da sua vida é casar na Igreja e entrar de mãos dadas com teu pai ao som da marcha nupcial. Pode confessar, também, que você gosta muito de Caio Fernando Abreu porque acha ele sensível, afinal. E colocaria todos os dias uma frase dele no seu facebook, se pudesse. E além dele, o Veríssimo, a Tati Bernardi, o Gabito Nunes, sei lá mais quantos.

Declame as poesias de amor mais conhecidas e manjadas e saiba cantar todas as canções do bon jovi (em especial ''Always''). Declare seu amor com uma canção, com uma carta, uma caixa de bombons, um bilhete no guardanapo, um beijo roubado, sei lá.

Dê risada com comédias românticas e indique-as aos seus amigos, não importa o quão mal-produzidas elas sejam. Se entupa de sorvete no sofá da sala conversando com uma amiga ou amigo. Faça pipoca pra assistir ao Faustão aos domingos com a sua mãe.. Vá a um barzinho sexta á  noite e fique tão bebado a ponto de não lembrar nada no dia seguinte.
Pode ouvir Taylor Swift de vez em quando e achar bonitinho, pode dançar numa roda de samba até o dia raiar, pode ir pra micareta pular atrás de um trio sem propósito algum, pode mandar sms de madrugada e se arrepender, fazer tempestade em copo d'água, se apaixonar à primeira vista, chorar com o último capítulo da novela das oito...
Pra quê saber direito quem é o Almodóvar ou o Hitchcock? Se dê o direito de não ter entendido ''Inception'', de ter dormindo assistindo ''O Código DaVinci'' e detestar qualquer idiotice futurista que eles tentem lhe enfiar guela abaixo nos cinemas e na literatura.
Cante com emoção o refrão de Pais e Filhos, We Are The Champions e também o daquela música nova de pagode que você ouviu semana passada! Dê risadas altas e exageradas, faça amigos de meia hora ou de uma vida inteira. Não tenha vergonha de dizer que você se apaixonou pelo sorriso de alguém.Escreva cartas de amor sem remetente.
Ache a Lua linda, as estrelas românticas, o Sol animador. Seja forte, sensível, extravagante, bonito, feio, faça careta, coloque um piercing, faça uma tatuagem, use roupas pretas ou coloridas, aprenda a tocar um instrumento, rasgue papéis velhos, mande alguém tomar no...
Não importa como, apenas permita-se ser exatamente quem você é.
A única regra é ser feliz.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pra ver se você entende

Eu  realmente não preciso de você.

Posso muito bem conhecer dezenas de  caras iguaizinhos ou até melhores. Tem muita gente no mundo que sabe fazer arroz, acordar cedo  sorrindo, e que conhece milhares de piadas de português. Eu poderia, por exemplo, conhecer um cara que soubesse os termos futebolísticos e que me explicasse ainda melhor do que você faz.

Devem haver outras quinhentas mil pessoas que adorem comédias românticas, pipoca com queijo ralado e praia em tempo nublado. Milhares de homens bonitos, interessantes e que partilhem do meu gosto musical. No mundo deve ter muito homem romântico que não ache perseguição se a garota mandar mensagem ou ligar de madrugada. Quem adore poesia, saiba elogiar e me faça sorrir a todo instante. Tenho plena certeza que é possível encontrar.

Então, nem adiantaria eu dizer que você é único, que eu não conseguiria viver sem você. Mentira, cara. Muita mentira. É claro que eu consigo viver sem você (e que em alguns momentos da vida eu até PREFIRA estar sem você), mas a questão é que eu te amo, sabe?Dentre bilhões de pessoas nesse mundinho infame, aconteceu de o amor se instalar em mim só-pra-vo-cê. É basicamente assim:eu não preciso de você, mas eu quero. Porque é amor.

Tanto amor que, se chover de manhã cedo, eu vou sorrir e pensar em você. Se o pendrive travar no dia da palestra, eu vou sorrir e querer tomar uma cerveja com você pra desestressar. Se o dinheiro acabar, eu vou querer sentar contigo no chão da sala e chorar baixinho. Se fizer frio, é você que eu vou querer abraçar. Se acontecer alguma coisa, é pra você que eu vou querer ligar. Se falar em saudade é de você que eu vou lembrar. Se tudo estiver maravilhosamente bem, é com você que eu vou querer dividir as alegrias.

E aí, conseguiu entender?  Então volta, porra!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quase impossível

Como não sentir medo depois de um filme de terror. Como pentear o cabelo do Cebolinha. Como esquecer aquelas músicas que grudam na cabeça mesmo se você escutar só uma vez. Como não gostar do Chico Buarque. Como morar numa casa muito engraçada (sem teto, sem nada). Como não sentir curiosidade. Como não sentir frio em Vitória da Conquista. Como esquecer os óculos quando vai ao cinema. Como dormir cedo num sábado. Como não sentir tédio num Domingo. Como ter passado a infância sem brincar de pega-pega. Como encontrar um trevo de quatro folhas. Como não sorrir depois de ler alguma coisa do Neruda. Como não se apaixonar perdidamente por aquele ator, depois daquele filme. Como não conseguir fazer uma rima idiota. Como nunca ter ido a um show de banda ruim e se divertido muito...

É tão estranho. É improvável. Dezarrazoado.
E ainda assim, eu quero  você.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Devoluções

Você esqueceu aquela blusa preta aqui. É por isso que eu estou ligando, porque a encontrei dentro da minha gaveta. Lembra dela? Aquela que ficava ótima com sua calça jeans e o tênis que você sempre usa. Então, essa mesma. Que você usou no nosso primeiro encontro e também naquele dia em que tomamos sorvete no frio.
Aliás, você deve tê-la usado pelo menos umas outras cinco vezes, se não me engano... você gostava muito dela, não é? Daí que eu resolvi te avisar que ela ficou aqui, esquecida. Que  é pra, caso você sinta falta, não hesitar em vir aqui...pra pegar, sabe? É sua, né.
Então... e como é que vão as coisas? Quer dizer, aproveitando que eu liguei é bom saber de você, como está, essas coisas. Mas se não quiser prolongar a conversa eu vou entender. Ainda é estranho pra você, né? Essa coisa de não saber como me encaixar no posto de ''ex-aquela-coisa-toda'', mas pode ficar tranquilo que eu só liguei pra falar da blusa.
Porque...porque você gostava muito dela, não gostava? Você queria tê-la consigo, era notável, não tem como negar... Hã? Sim, claro que eu estou falando da blusa preta que você esqueceu aqui, menino. Quê mais haveria de ser? Hum.
Eu? Eu tô bem, não se preocupa. Tem muito trabalho, muito livro. Esses dias eu vi um filme ótimo, você ia adorar assistir, tinha aquela música na trilha sonora, aquela que eu uma vez falei que me lembrava você. Pois é, só que eu não lembro quem cantava ela no filme, mas era tão boa... depois eu olho e ligo pra dizer.
Então. Pois é. No fim das contas, eu fiquei com sua blusa preta e tô ligando pra dizer que quero devolver. E já que estamos tocando nesse assunto de devoluções, coisa e tal... Tu ficou com uma coisa minha também, e seria bacana ter de volta.
Aí, tem como devolver meu coração?
...

domingo, 13 de novembro de 2011

Outro sobre o amor

Eu sei. O amor não se perde. Ele está tão vivo dentro de mim, que  provoca minha alma. Eu sei que dói ser tratada como um nada. Dói ser desprezada. Arranha o coração. Atormenta a alma. Mas a verdade é que o fim nunca existirá. O fim não existe, é mentira. O amor não se esgota. Ele, o amor dele, andará comigo por onde eu for. As caminhadas em dia de sol, os beijos trocados na hora do filme, aquela declaração de amor com o olhar, me acompanharão pro resto da vida. O que foi bonito, vai continuar bonito aqui dentro. O que vai embora, quer dizer, o que vão embora, são os motivos e dias que choveram pelos olhos e molharam minha pele, travesseiro, casa. 

Mas eu ando rabugenta, não vejo mais beleza nisso que me dói, me sufoca, me faz sentir a pessoa mais boba do universo. Eu sempre achei bonito sentir coisas assim. Mas eu deixei de existir. O que me incomoda é que ele não deixou de existir pra mim.  O amor fez as malas e se foi mas me esqueceu, me deixou aqui.
 Aí você me disse que certa vez, uma princesa nos seus últimos dias de vida, falou que a saudade é o amor que fica. Que a falta que ele faz, a existência dele aqui dentro, é uma prova que o amor não me abandonou. Tu disse que eu só precisava entender, que algumas pessoas precisam ir embora, porque elas não conseguem preencher a vastidão do nosso ser.

Mas onde foi parar a beleza que eu via nos dias de chuva? Onde eu encaixo os sorrisos bobos fora de hora? As coisas que eram as mais bonitas...sei lá.  Não consigo pensar em muita coisa. Existia poesia em mim, e agora se foi. Há só um peso, uma sombra escura. Meus sentimentos mais bonitos se esvaíram de mim. Acho que o amor não acaba, mesmo. Não vai embora de dentro da gente. Você tem razão. O amor morre. E como todo cadáver, fica frio. Mas  permanece no coração, morto, inerte, gelado. E é uma coisa absurda. É preciso reconhecer que o amor não é imbatível. Que ele não é um conto de fadas. Requer cuidado. Caso contrário...chega aperta aceitar, falar...Ele morre. E ele morto, pesa. É difícil carregá-lo até o lixo. É difícil ficar sozinha. É DIFÍCIL NÃO TER AJUDA.

Se eu soubesse que pesaria tanto, que doeria tanto, que acabaria assim, não seria amor. Não é? Acho que cometerei uma loucura de amor por mim: vou mandá-lo embora, deixá-lo ir. Antes o nada do que pouca coisa. Melhor assim, deixa estar, não é? Eu sei que vai passar. O que eu não sabia até agora é se eu queria. Mas sim, chega uma hora em que precisamos reanimar, reacender, ressuscitar. Se não, todo resto morre. É preciso coragem pra extrair a dor sorrindo. Mas farei isso por amor ao amor que ainda tenho em mim, e pelo amor que ainda me cabe. Sorrir! Afastar essa dor. Arrancá-la de olhos abertos, com ousadia. Esta que muitos falavam que só eu possuo em mim. Farei como você diz: "Mostre que a tua essência te faz vomitar o que é miserável. E deixa tua poesia voltar e te fazer morada. Morar no teu doce lar.". Vou sim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Como Sol na chuva

 -Sabe aqueles dias de muita chuva em que, mesmo assim, o Sol insiste em brilhar forte lá no céu?
- Sim...?
 - Então, é mais ou menos assim que eu me sinto quando estou com você.
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O problema dela

Não é o sorriso manhoso ou o olhar provocante que ela solta pra meio mundo de gente sem se preocupar em quem vai atingir. Não é o fato de preferir andar sozinha, comprar a própria bebida e entornar várias doses. Nem o jeito engraçado que dança ou os abraços que distribui por aí. Não são os lugares que frequenta ou os olhares que lança. Nada disso. O problema dela é outro.

Não é o perfume doce nem a preferência por bebidas fortes. Nem aquela olhadinha de banda, nem esse ar de dominante que ela tem. Nem a mania de falar o que quer, fazer o que quer, na hora que bem entende. Não, não, a questão não é essa.

Não é a inteligência quase agressiva, a aparente força, a falta de vontade de fazer isso e aquilo. Nem a maquiagem marcada nos olhos. Nem o decote notável. Nem a dança desenvolta. O ar de rainha ou a forma como ela parece querer estar com todo mundo ao mesmo tempo.  Não, não, não!

Não venha você me dizer que o problema dela é esse.

Sabe por que? Porque o problema dela é exatamente o contrário do que você pensa. Ela não é de todo mundo, cara. Aquela moça não é de ninguém. 
Absolutamente ninguém

(Sobre conceitos, preconceitos e estereótipos)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Do dia em que eu falei de uma vez

Primeiro eu pensei: Será que devo falar alguma coisa? Porque isso não é coisa muito fácil, visto que o assunto é delicado e constrangedor.  E, moço,  tu é tão bonito com esse cabelo jogado pra trás, e essa bermuda xadrez... sem falar no teu perfume maravilhoso que fica no ar. Sério, eu realmente não estaria incomodada em passar o resto dos meus dias aqui, na sua presença.

 E é que, sabe moço, não é muito fácil abordar alguém do nada pra dizer uma coisa assim. É preciso escolher as palavras e o momento exato... Daí que o momento exato é quando começa a incomodar, causar calafrios e fazer a gente pensar que nunca mais vai parar de doer. Sim, eu disse doer, moço. Tá doendo muito.
Te vi se aproximando, mas não sabia que seria assim... com tanta força, sabe? Sei que a culpa não é tua, afinal quem ficou atrás de ti fui eu, certo? Então eu precisava arcar com as consequências que viessem, mas volto a dizer: tá incomodando.

Eu podia ficar em silêncio, guardar isso pra mim, pensar em outra coisa, fingir que nada disso está acontecendo e esperar passar. Dizem que quando a gente ignora, a sensação se esvai mais rapidamente. Só que não. Eu não consegui. Porque, cara, não dá mais pra aguentar...

E olha, eu sei que eu nem lhe conheço e pode parecer repentino e até constrangedor, que eu tenha lhe cutucado aqui, do nada, nessa fila de banco, só pra falar isso, assim. Mas, voltando ao ponto, vou dizer de uma vez, sem mais rodeios, tá foda, não posso ficar sem falarr, é demais, então assim sem querer ser invasiva, absurda ou irritante: O moço poderia chegar um pouco pra lá? Tá pisando no pé... Obrigada.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das conversas com Bukowski


Escuta, velho. Tu tem razão em tuas rabugices, cá entre nós. É tudo uma grande merda, uma babaquice, um teatro mal ensaiado dos caralhos. E eu simplesmente tô cagando pra essa gente. Tem sempre alguém pra falar uma coisinha insignificante, que deveria estar descendo descarga abaixo e eu tenho que digerir ouvido adentro. E isso me incomoda seriamente, viu. 

Tenho preguiça de papinhos, relações, tô sem saco. A vida tá parecendo um boquete mal-feito por uma puta sem peito, sabe como é? Tô sentindo umas agonias esquisitas na espinha, uma ansiedade engraçada. É uma espera por qualquer coisa que não sei se vem e se vier, será em vão (ou pelo menos é esta a sensação).
 
E sei lá eu quando fiquei assim, demasiado aborrecida com coisa alguma... deve ter sido mais ou menos ao mesmo tempo em que o pássaro azul no meu coração resolveu voar. Claro, depois de me foder, me deixar sem jeito e arruinada é que o danado resolveu partir. Maldito pássaro. Maldito sentimento de seja lá o quê.
 
Fora isso tem todas as outras coisas do mundo pras quais eu não dou a mínima: bolsa de valores, exames admissionais, instituições, blablablá. É muita coisa pra fazer, pra muito pouca vontade. É muita ocupação de tempo pra pouca disponibilidade. A gente tem que ter, que fazer, que ser. Ah, de repente eu me toquei que a  gente morre sem bem nenhum, e afinal, quem é que nasce, vive e morre com algum?
 
Então eu tomo uns goles de conhaque e deixo tudo pra amanhã.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fiz zumzum e pronto...


Tem sempre aqueles dias em que a gente caça uma história pra viver. E a gente se lê nos romances, se assiste nas novelas, se enxerga nos filmes, se acompanha nos seriados, se escuta nas canções e se afunda em melancolia.

E tudo vira  desculpa pra não se curar né? Deixa ser frio, deixa doer, deixa a lágrima cair sem motivo algum. ''Deixa eu ir só mais uma vez pra ver se ele volta ao normal comigo''. Só que, sabe, tem hora que cansa. Tem hora que a agonia incomoda, que a corrida perde o sentido e que a coisa toda deixa de fazer falta. Pois é, deixou de fazer falta. Não sinto mais coisíssima nenhuma. Até relutei, pra tentar tapar o buraco no peito, mas deixa. Antes vazio.
 
Daí que eu resolvi levantar os braços e rir, mesmo sem entender bem do quê. Simplesmente enxergar as boas coisas pequenas  e deixá-las enormes. Do mesmo jeito que eu, tão habilidosamente, fazia com meus sonhos, minhas dores e meus amores.
Porque aquela dor não era nada. Porra nenhuma, sabe?
''acabou chorare, ficou tudo lindo...''

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Só mais esse e-mail, prometo

Olha, desculpa aí, viu. Porque lá vou eu tocar nesse assunto, pela enésima vez, sem conclusão nenhuma ou qualquer novidade. É uma espécie de necessidade, isso. Pra ver se esgoto de uma vez todas essas palavras engasgadas na garganta, ver se acabam de uma vez todas as coisas que eu diria caso você quisesse ouvir. Né?
 Poxa, cara, eu ainda não sei lidar com essa coisa meio ''bolsa de valores'' que são os graus de importância da gente na vida das outras pessoas. Não me adapto muito bem a ir de ''10'' a ''0'' em questão de segundos, só por ter cometido um pequeno deslize, tipo esquecer uma data, beber demais ou dizer que estou apaixonada. Essas coisas, entende?
 E eu já tentei vodka, outros cantos, outros bares, outras posturas, neologismos e até pensei em fugir. Mas não tem jeito, tô sempre esperando aquele milagre divino que vai trazer você de volta à nossa (ok, minha) zona de conforto. E, porra, eu to exausta de catar as migalhinhas de sei lá o quê por aí, pra fingir que ''Não, tá tudo bem, daqui a pouco a coisa toda volta pros eixos. É só um tempo pra a gente se reencontrar''. Mentira, tudo isso.
Mentira tudo. Tanto agora quanto antes.
E cá estou eu revestida de poesias absurdas sobre coisa pouca. Sem saber onde enfiar o sentimentalismo barato, ao qual ninguém é obrigado a se expor. Repetindo toda hora a mesma história na minha cabeça só pra ver se encontro uma brecha, uma coisinha que me faça compreender o que foi que aconteceu. Ou aceitar. Ou sei lá.
Sei lá, sabe?
Eu não quero mais que você me ame, que você me queira, que você venha com seu riso doce, essas coisas. Não, não, eu só quero voltar a existir. Porque, cara, que porra é essa? Que crime sem fiança é esse? É basicamente isso, dessa vez. Quero te levar comigo, deixa? Te apresentar às pessoas, dizer que ''porra, gostei pra caralho. gosto ainda. e só''. Sem peso. Sem dor, sem nada. Sem absolutamente nada.
Pela última vez, deixa?

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pois cansei

O sumiço é por descanso, não por descaso.  
É que já não era sem tempo de repousar as palavras num canto e a cabeça num travesseiro.

Cansei.
 
De ver poesia na demencia, de engrandecer o minúsculo, de querer que todo mundo queira exatamente o que eu quero, como eu quero. Da mesmice. Da falta de pauta, de assunto. Da interpretação exagerada do que digo. De ser poesia.
 
Cansei de me deixar ser inventada pelos outros. É.
 

Fui me reinventar.
(Demore o pouco ou o muito que for)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Não é de você que eu gosto

Tava aqui lembrando de quando eu e você éramos ''nós dois''. E a saudade que me deu, chegou a apertar meu coração. Não, não saudade de você. De nós.

Porque na verdade, o que eu gosto mesmo  é de quando a gente enlaçava as mãos quase sem notar e ficávamos assim um tempão até um de nós perceber e desatar os dedos. E das piadas que você fazia e eu me esforçava pra não rir só pra te irritar. De quando eu sentava no sofá e você já vinha pedindo abrigo pra sua cabeça nas minhas coxas.  Ou também  das nossas tentativas de esconder que morríamos mesmo de ciumes. Outra coisa que eu gosto bastante é de como nós dois gostávamos de nos alfinetar, lembra?

Eu gosto de escutar aquela música gostosa e fechar os olhos e sentir como se você estivesse aqui, agora, contornando meu rosto com os dedos e me fuzilando com esse seu olhar. Eu gosto de ver qualquer coisa e associá-la automáticamente a nós dois. E do nosso medo, da nossa pressa, da imperfeição com que fazíamos as coisas mais simples do mundo. De como eu não conseguia conter o brilho nos meus olhos quando eu encontrava contigo. E de sentir meu coração sambar ao te ver, de uma forma que eu nunca tinha sentido antes. Ah, quanta saudade do tempo não passar de jeito nenhum. De pensar inúmeras coisas bonitas pra lhe dizer e na hora esquecer todas. E dos nossos beijos.

O que eu realmente gosto é da vontade que eu tinha de gritar pra todo mundo que ''porra, tá vendo isso aqui? É M-E-U!'', apontando pra você. Da leveza com que a gente fazia os planos. Do gosto que tudo tinha. É dos detalhes de nós dois, que eu gosto.
E sabe?  Eu nunca penso em você, de fato. Em seus detalhes, seu cheiro, sua voz, seu olhar, suas qualidades, seus talentos, qualquer coisa assim.. Inclusive, eu acho você bem chato. Quase insuportável.  Com suas birras e implicâncias fora de hora, esse seu ''jeito sem amor de me amar''* e essa mania de colocar a culpa nos outros até quando é inevitável admitir que a culpa é sua. Sua arrogância, prepotência, indecisão. Sua mania de chochichar quando o que eu queria era berrar! 

Porque não é de você que eu gosto, é de nós dois.
E eu queria muito poder ter a gente de volta, Só que não existe mais ''nós'', né, desembaraçou-se foi tudo.
E que seja. Que seja.

(*frase copiada na caríssima de pau desse texto líndo da Gabriela)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que era doce

Por pouco, encantou-se.
Por quase tudo, apaixonou-se.
Por nada, apartou-se.
Acabou-se o que era doce.

sábado, 20 de agosto de 2011

Eu já sei como vai ser...

Quando a parte bonita acabar...

Eu vou dizer que estou destruída. E alguém vai dizer que existe cola e paciência pra juntar os pedacinhos.

Aí eu vou dizer que estou com medo de recomeçar. E alguém vai me dar um beijo na testa, um abraço e mandar eu largar de frescura

Eu vou dizer que é difícil. E alguém vai me mostrar o milhão de coisas ainda mais difíceis no mundo que foram superadas.

Aí eu vou dizer que queria tudo de novo. E alguém vai me perguntar se eu aguentaria assistir ao mesmo filme água-com-açúcar de novo e de novo e de novo e de...

Eu vou dizer que quero colo. E alguém vai me dar colo.

Aí eu vou dizer que vou chorar. E alguém vai me dar um copo de vodka.

Eu vou dizer que é impossível. E alguém vai me relembrar das últimas duas vezes que eu disse isso e estava enganada.

Aí eu vou dizer que é porque eu nunca me senti dessa forma. E alguém vai me dizer que a gente nunca sente a mesma coisa e é por isso que é bom.

Eu vou dizer que vou ligar. Daí alguém vai tomar o telefone da minha mão..

Aí eu vou dizer que eu preciso muito falar algumas coisas. E alguém vai dizer que não há mais nada a ser dito e que eu deixe de ser idiota pois já faz um tempo.

Eu vou dizer que ainda dói. E alguém vai me indicar uma música, um filme, uma poesia.

Aí eu vou dizer que não-passa-de-jeito-nenhum. E alguém vai fazer piada, dizer que não aguenta mais.

Eu vou dizer que eu não lembro mais. E alguém vai dizer ''Nem eu''.

Aí eu vou dizer um monte de coisa. E alguém vai dizer outro monte de coisa.

Aí eu vou sorrir. E alguém vai sorrir de volta.

Aí eu vou me apaixonar de novo. E alguém vai se apaixonar também.

Eu vou dizer tudo o que sinto. E alguém vai dizer também.

Aí eu vou ficar bobinha. E alguém vai se divertir com isso.

Aí eu vou sentir umas coisas bonitas, uma vontade de gritar, de ficar em silêncio. E alguém vai sentir comigo.

Daí quando a parte bonita acabar...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Olha, Maria


''‘Olha, Maria, você é burra! Você é absurdamente burra. E não adianta usar palavras difíceis em textos complexos, porque sua burrice é intrínseca.'' (F.Queiróz)

Você não sabe de nada, Maria. Finge que conhece o mundo, finge que se conhece. As suas próprias palavras te enforcam e os teus atos são tua fossa
.
Acorde, amanheça, perceba. Per-ma-ne-ça. Ai, Maria, tua súplica por compaixão fere os olhos e ouvidos alheios. Ninguém. Tem. Nada. Com. Isso.
Seja, Maria.Seja Maria.
Amaria mais fácil se soubesse calar. E aprendesse, finalmente, a falar. É preciso palavra, mas é preciso silêncio também. Em momentos precisos e propícios. Preciosos.
Não é preciso fugir nem fingir. Só se permitir, Maria.
M-a-r-i-a.
Nome simples. Rosto comum. Pensamento complexo.
Maria,você não faz sentido. Você assusta, prejudica, fere. No que te escondes? Por que se esconde?

Tem medo de quê, Maria? A vida é assim mesmo, vai lá pra ver. Vai crescer, se tornar alguma coisa. Fazer alguma coisa.

É muito fácil te amar, Maria. Difícil é permanecer. Você cria capa antes, depois e durante. Pra quê?

O que você quer na verdade, ein?
O que você é? Me-ni-na-ou-mu-lher?
Sabe? Vê? Entende? Escuta? Assemelha?

Olha, Maria. Olha no espelho.
Se entenda que é só assim que você pode se explicar. Só assim.
(Ou nem assim?)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Conselho

Sabe, menina, a vida tem dessas armadilhas e dessa mania de nos confundir um bocado. E a gente às vezes mete os pés pelas mãos, não consegue evitar (ou não quer) e no final das contas só temos as lágrimas como companhia. Por isso eu não lhe tiro a razão de chorar e não lhe oferecerei lenço nenhum: se enxarque. Grite aos quatro ventos o seu desespero, seja absurda, esperneie. Mas permita que cicatrize, não deixe a ferida aberta, viu?
Eu sei que é foda. A gente fica querendo que o mundo acabe, que todo mundo sinta a dor com a gente, porque não faz sentido sofrer sozinho. E aí você provavelmente esteja sentindo algo parecido, agora. Uma vontade que todo mundo sente ao seu lado, cruze os braços, abaixe a cabeça e chore tanto ou mais que você. NÃO-É-ASSIM, menina. Nenhuma vida deve parar por sua dor, e nem (principalmente) a sua.
As regras são simples: não confie em ninguém além do espelho. E de vez em quando, se possivel for, nem tanto nele. Você precisa aprender, na dor, que a sua vida é sua. Seus problemas são seus. E não se deve dividir. Não confunda deslize com traição. Não confunda medo com covardia. Não confunda silêncio com mudez. Não se precipite, mas também não se reprima nem se acanhe.
Viva, menina. Mas viva de verdade, por favor. Porque não há nada desse mundo mais bonito do que compreender, superar, sorrir após um tombo e reeguer-se tão rápido quanto a própria queda. A vida é escolher um caminho e prosseguir, independente das pedras, das pontes, dos monstros e dos empurrões.
E você já deixou mais do que provado que sabe fazer isso como ninguém.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aquarela

''Se eu me entregar total, meu medo é você pensar que eu sou superficial'' (Rita Lee)


Sou romântica demais pra acreditar em eternidade sentimental, mas eu preciso que você acredite no que digo e sinto agora: é uma merda grande do caralho! Aliás, grande não. Intensa. Porque grande é dimensão e, sinceramente, eu não sei exatamente aonde isso vai dar. E nem quero saber.

Eu acho tão bonito pensar em você e sorrir instantâneamente e sem peso nenhum, sabe? Acho bonito também o jeito que você me olha, assim bem fundo, com esse seu olho marrom e eu sinto que você realmente me vê. E eu não estou acostumada a quem me olha e vê de verdade. Além da minha pele marcada pela insonia e mosquistos. Tu me vê. E puta-que-pariu, que medo que eu tenho disso.

Não sei com certeza se eu queria que as coisas tomassem esse rumo, na verdade. Quem é que consegue conviver com essa pressão constante, essa responsabilidade? Não dá, não dá. Eu simplesmente não teria escolhido essa agonia, essa ansiedade, esse...não-saber-como-agir-ou-o-que-falar. Mas olha só o que aconteceu.

NÃO SEI LIDAR COM ISSO. A verdade é essa. Você me deixou idiota, ciumenta, carrancuca e levemente feliz. Eu me enrolo, atuo, finjo que não, mas a verdade é que: sim. Sim. Pra todas as suas perguntas, sim.

Eu era uma parede pintada de branco. Já surrada e descascando. E fazia tempo que eu estava simplesmente desacreditada de cor. Era tudo simplesmente branco. Mas aí veio você, aquarela. Dividiu comigo as suas cores. Pincelou com cuidado, de leve. Hoje eu estou aqui, co-lo-ri-da.

Culpado você. Culpada eu. Culpado o universo que brincou de te fazer exatamente do jeito que eu gosto.Nunca vou conseguir entender o por quê da melhor coisa a nosso respeito, ser o único motivo pra ter medo de sentir o que sinto. Mas sabe de uma? Lhe digo duas: eu quero. Assim, desse jeitinho.Aconteça o que acontecer e que no fim, acabe. Mas que acabe entre aspas, porque eu não vou saber lhe desencaixar do peito. Tu tá tipo fincado, já. Peça-do-meu-quebra-cabeças, você.
Não penso no tempo, não penso nos outros, nem no quão ridículas as coisas possam parecer ditas assim (sem falar na exposição a que me sujeito)...Eu só penso em você,o tempo inteiro. E há um bocado de tempo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobre sentir

Sentir. Que coisa maluca é sentir. E mais maluco ainda quem acha que pode mandar em sentimento usando a cabeça, né?Não dá pra entender, também. Não tem hora, nem lugar, nem essas coisas que a gente insiste em atribuir ao sentir. Sentir é simples. Pode durar cinco minutos ou uma vida inteira.E a gente só sabe, quando sente, sabe? Quando a gente põe a cabeça no travesseiro e tem vontade de chorar. Ou tem vontade de rir. Sem motivo, só por sentir.

Comecei dizendo isso, porque de alguma forma eu precisava começar isso aqui. Essa vomitação de sentimentos que eu nem sei direito se são isso mesmo. Eu precisava. Eu preciso, ainda. Por isso aqui estou eu, escrevendo.

Tem coisa que a gente não conta a ninguém, por medo de ser errado. Por saber que pode ser frívolo pra ser dito assim, sem medição de palavras, tempo e espaço. A gente gosta de esperar pra ter certeza, mesmo quando todo o nosso corpo (principalmente cabeça e coração) parecem gritar e espernear que É ISSO MESMO, É SIM E TEM QUE SER AGORA!

Por isso eu vou falar, antes que seja tarde, antes que passe, antes que eu não sinta mais essa coragem de me expor e o sentimento envelheça e se enrugue, se transformando em qualquer coisa diferente de tudo isso que eu sinto agora. Porque a gente sabe que não existe o absoluto, o certo, quando se trata de sentir.

Às vezes eu me pego sorrindo. Eu não sei parar de sorrir. É sintomático. Não é tão bonito quanto deveria, nem intenso, mas é sintomático. Fazia tempo que eu não sentia essa vontade de segurar alguém pela mão e levar pra bem longe de todas as outras pessoas. E não é fácil pra alguém na minha posição admitir que, porra, eu gosto.

Da babaquice, do tremelique, da ansiedade, da dúvida, da graça, da fúria, da briga, do desencontro, da leveza. Principalmente da leveza. Então, let it be.
Sinto mesmo, sinto muito.
Estou sentindo agora, nesse exato minuto. Sentiu?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O melhor amor do mundo

Traz um filme, uma pipoca e tá tudo certo. Junta aqui todo mundo pra tirar uma foto. Chama ela lá, não gosto quando ela chora. Preciso te contar uma coisa muito, muito séria. Estou apaixonado por você. Posso dormir na sua casa? Vai praquela festa comigo? Me liga mais tarde! Beijei seu namorado. Me empresta aquela sua blusa? Manchei seu vestido de vinho. Contei aquilo pra sua mãe. Quer um cigarro? Vamos beber? Tira isso, tá horrível! Não acredito que você cortou seu cabelo. Ai que saudade. Não chora assim, que eu choro também. Me abraça. Melhor abraço do mundo. Eu também estou afim dela, cara.Comprei um presente pra você. Não vai embora nunca? Me perdôa? Eu não conseguiria ficar muito tempo sem falar com você. Vamo no cinema? Me apresenta aquele cara ali? Te odeio! Some da minha vida. Vamos fazer compras? Vem. Vai. Anda. Te amo, cara. Te amo muito!

Amizade: Nunca abandonar ou esquecer.
Tenho pessoas comigo há anos. Pessoas comigo há dias. E pessoas comigo há minutos. Tanta intensidade, tanta coisa bonita, cumplicidade, partilha, amor... o bom da amizade é que é o unico tipo de amor que não tem neura, tempo ou espaço. Acontece e flui. E é maravilhoso. Ao longo do tempo, aprendi que amigos são poucos. Poucos e loucos, fazem tudo por nós. Tem os amigos pra te contar a melhor piada que você já ouviu na vida, os amigos pra sentar e declamar poemas e chorar junto e escrever junto. Amigo pra sentar e beber. Amigo pra beijar na boca, sem sentir culpa ou remorso. Amigo pra você ligar de madrugada e conversar. Amigo pra contar segredo e dizer que ''já chega''. Amigo pra tudo. E eu tenho todos esses pra mim.
Eu tenho pessoas que me amam. Independente do cabelo bagunçado, da falta de tato com relações interpessoais, de não saber demonstrar reciprocidade, de desapontá-los. Terei pra sempre, quero ter pra sempre.
Amo meus amigos, e esse é o melhor amor do mundo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pra quando você voltar

Encontrei numa caixa o primeiro sorriso que você me deu. Foi tímido e apressado, mas eu guardo até hoje. A coisa mais bonita que eu já tinha visto na minha vida. Guardo também a primeira vez em que você segurou minha mão com uma força tão esmagadora que foi como se carregasse meu corpo inteiro. Tenho os bilhetes que você nunca escrevia mas recitava de forma engraçada sentado no sofá comendo pizza - com o queijo mais derretido do mundo.
Eu guardei naquela caixa as nossas tardes de domingo sentados no chão e brincando de quem-pisca-primeiro, como duas crianças de doze anos. Nossas gargalhadas estão logo ao lado, e as piadas que você fazia com os meus quilinhos a mais em lugares desastrosos.
Seus bocejos quando recitava Fernando Pessoa. Seus livros do Vinícius de Moraes. As músicas idiotas de romance que me faziam querer dormir mas você gravou num cd achando que eu tinha amado. A nossa foto debaixo da árvore mais alta da nossa praça, lembra? Eu com os cabelos bagunçados e a cara redonda e você fazendo careta.
Guardei a nota do bar, daquele dia em que eu e você bebemos, sózinhos, uma caixa de cervejas e voltamos pra casa SABE-DEUS-COMO. Dormimos como cachorros no sofá da sala e fomos acordados pela minha mãe. Melhor jeito de dormir num sábado á noite, você disse.
Tenho até hoje os beijos. Todos eles, até os mais rápidos na saída de manhã pro trabalho. E aqueles mais quentes da quarta-feira á noite quando eu finalmente conseguia vencer o futebol da televisão. Guardo o calor das suas mãos, também. E o gelo do seu dedão do pé que não tinha meia que resolvesse.
As roupas, os discos. As quatrocentas mil versões do rock das aranhas que gravamos naquela segunda-feira do saco cheio. Os filmes idiotas, os filmes inteligentes, a bossa-nova, a praça, o papo...E o meu amor.
Guardei tudo, pra quando você voltar.

sábado, 2 de julho de 2011

Pra onde vai essa merda toda?

E aí, que eu tava querendo falar sobre quando duas pessoas se conhecem e o corpo todo estremece. E de nervosismo, olhares tímidos, vontade absurda de sair pisando em cabeças pra poder se livrar dos outros e ficar um tempo a sós. Da mania de sair vasculhando a vida da pessoa e encontrar uma brecha pra se encaixar. De sentir o coração pesado, como se este tivesse acabado de se encher com alguma coisa, sabe? Tem gente que faz a gente sentir peso no coração. Preenche a porra toda, como se fosse ficar. Sacodem nossa rotina, fazem a gente querer sorrir mais que o normal, sabe? Por que raios depois de um tempo, isso pára de fazer sentido?


O que exatamente acontece com a vontade de passar dez vezes pelo mesmo lugar, só pra ver se encontra aquele alguém? Vontade de mandar mensagem, conversar na internet, dormir de madrugada porque ficou pensando no que dizer amanhã quando se encontrar. Ein, me fala? Esse tipo de coisa que quando começa parece que vai durar no mínimo cinco anos e você acha que foi feito pra se eternizar e começa a fazer planos, imaginar viagens e domingos?


O coração sambando no peito. O estômago se revirando. A pele sensível ao toque. O olho dizendo exatamente tudo o que a boca diria se pudesse. Etc. Etc. Coisas lindas, coisas mais lindas ainda e coisas feias que parecem lindas.


Cadê, onde vão parar essas coisas no fim do encantamento?





Onde vai parar essa merda toda?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Só se você quiser

Queria apenas que você soubesse dessa sensação engraçada que eu sinto atrás do pescoço, quando você pega na minha mão. É um arrepio doce, uma coisa realmente muito gostosa de sentir. E quero falar também daquele dia em que você me contou um segredo tão grande, que me fez sentir uma pessoa importante na vida. Na sua vida.
Queria só que você olhasse nos meus olhos e visse o brilho intenso que eles exibem, se você sorrir aquele sorriso mais bonito de todos os sorrisos do mundo. Seu sorriso é a coisa mais gostosa que eu já vivi pra ver. Sério, eu romperia com o mundo só pra ficar ali, parada, olhando você sorrir.
É piegas, mas é verdade.
Eu nem vou entrar em detalhes sobre as coisas que sinto só de pensar em você, ah.. me perderia na imensidão de lados positivos em estar ao seu lado.
Daí então que é esse o ponto: eu quero me apaixonar por você.
E deixa que depois gente decide pra qual lugar os meus erros vão levar essa história toda. Ainda não descobri o que vai acontecer com a gente, não sei onde tudo isso vai levar. Não sei o que você quer mas sei o que quero.
Quero sentir arrepios, vontades... quero me sentir á vontade. Quero te querer, mas só se você quiser...né??

domingo, 19 de junho de 2011

Três pontos finais

Um.


Não era doce, mas era quente e forte. Como aquele café que a gente faz no fim do dia, pra curar a dor de cabeça que os afazeres nos deram. Era incrivelmente intenso e fazia perder os eixos. Era uma delícia. Chegou insuspeitado e todo aquele blablablá. E foi verdade. Uma das pouquíssimas verdades da minha vida. Minha incrivelmente sacana vida. Me deixava um gosto amargo de rock'n roll na boca, toda vez que partia. Empurrei com a barriga e acabei deixando rolar escada abaixo. Continuou quente, mas deixou de ser forte. Ai que saudade que dava de achar interessante sentar no chão frio de uma praça deserta pra contar desamores, duvidas, medos... Olha, isso fazia de mim a pessoa mais boba e mais feliz do mundo, naqueles dias. Acabou que eu nem senti. Na verdade, ainda sinto vontade de ter sido diferente. Mas não era pra ser. Não era pra mim. Era pra outra, não é?


Dois.


Ah, que doçura. Que vontade de apertar contra o peito e deixar ali, aninhado, empernado, preso pra sempre. Era doce, mas não era quente. Era incrivelmente gelado. Como um sorvete, e no calor a gente sabe que é impossível viver sem. Era IMPOSSÍVEL viver sem, que droga. Chegou mais rápido, avisou que estava vindo, mandou eu arrumar o coração e colocar flores em cima da mesa e no sorriso. Fui lá e fiz. Tudo impecável, lindo, meigo, fofinho. Era uma bossa-nova, um samba gostoso no fim de tarde. Me deixava de coração sambando toda vez que partia. Uma vez foi e não voltou...Aí um dia, chegou aqui, abriu a porta, me fez saltar. Meu coração saltou junto. Uma pulação bonita que só, e um aviso escroto de ''Não, baby, eu voltei pra avisar que não volto mais...''


Três.


Ultimo suspiro. Desempolgado, desengonçado,. estranho, estranho... Nem bem começou e já foi se juntando aos outros. Não teve tempo de ser nada mais que um novo final. Já iniciou terminando, tipo aqueles filmes que começam pelo final. Insisti pelo costume, pela esperança que não consigo apagar do meu sorriso. Ah, acabou.



Um. Dois. Três.

São três pontos finais, quer dizer que acabou três vezes.

Eu sei, você sabe, eles sabem.

Mas eu insisto até o fim, que aprendi na infância: três pontos juntos, são RETICENCIAS.

Ou seja, isso tudo acaba, mas não termina.

Acabou, mas não terminou.

Não terminou.


...e continua.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Os quereres

''Sabe, menino, você é bonito. Mas não é só bonito, é especial. Voce conseguiu transformar um showzinho sem-graça, num acontecimento. É bobagem falar assim, voce vai me achar maluca, mas... eu posso te ver de novo? E seempre? ahahaha ( Mariana para Carlos, no dia seguinte por depoimento do orkut - Eles namoram há cinco anos e vão se casar amanhã);

''Eu gosto de você. Pronto, falei.'' (Paulo para Claudio - eles estão juntos há 3 meses)

"São 72 horas desde o beijo que voce me roubou. Esse tipo de coisa deveria sair rápido de nossas cabeças, né? Não saiu. Você não saiu. Me ligue, me bipe, me queira...'' (Pedro para Bianca. Ela achou bonitinho, mas não queria nada sério agora. Pedro hoje em dia namora Clarisse, mas esperou um tempo para se declarar)

'' Meu Deus, eu acabei de te conhecer, mas voce parece tão única que.. nossa. Eu posso querer bis?'' (André para Letícia. Ela se apaixonou, ele só queria sexo. Hoje ele é Solteiro e ela, casada com Gustavo )

''Uma semana, três beijos. E tudo o que consigo pensar é em como voce fica lindo de blusa listrada. HAHA Me liga, vai, me liga!) (Marcela para João, em depoimento do orkut - eles namoram há 2 anos)

''Eu sei que é muito cedo, mas eu me sentiria idiota se deixasse pra falar isso mais tarde. Eu realmente quero você. É pra eu desistir ou insistir, ein?'' ( Sms salva nos rascunhos do meu celular. Não enviei. Ainda.)

...

domingo, 5 de junho de 2011

Só Maria

Só Maria pra passar o dia

Pensando no que não devia

E dormir sozinha

Pensando no que não tinha


Só Maria pra inventar amor


Disfarçar toda essa dor


E fazer confusão

Sempre que ouvir um não.


Só Maria sabe de Maria


Só a Maria cabe o que vicia


Só Maria entende sua Filosofia.


E se tem no coração uma vontade,

Só Maria que é tão covarde

Dizendo que é pra não perder tempo

Deixaria pra depois o sofrimento.



Só, Maria caminha impaciente.

Só, Maria não entende essa gente.

Só, Maria quer gritar e xingar

Mas não é só Maria que sabe que isso vai passar.


Só Maria é só Maria.


É só, Maria??


Somaria com Maria?


Só.









Se alguém conseguir me explicar porque não consigo comentar em blogs, nem colar textos no meu blogspot, vou amá-lo eternamente. Caso contrário, não sei o que está havendo, vou ficar sem responder comentários e tal. Se nada der certo, farei outro site em breve. =/

sábado, 4 de junho de 2011

Desamando

Olha, eu vou dizer apenas uma vez, porque depois disso não vai adiantar repetir: eu amo você.
Amo, amo e amo. Inclusive as suas piadas sem-graça e a maneira insolente com que você faz arroz. Cara, nunca entendi um ser humano que não sabe fazer arroz como você.
Enfim, é sério. Eu amo até o som da sua risada e o seu rosto inchado de manhã. Amo e não esqueço nunca de como você fica no frio, desejando amargamente que quando você acordar o sol esteja no céu brilhando e convidando você prum surf na praia.
Mas acontece que meu amor envelheceu. Ficou passado, desgastado, cansado. Perdeu o brilho do começo, sabe?
Eu perdi a vontade de te ver todos os dias, de saber como você anda, de vasculhar seus bolsos pra saber se não tem um bilhete ou um lembrete de outra. Perdi. Perdeu-se tudo com o tempo.
Eu só não sei como explicar isso de amá-lo sem amar mais. Porque eu sei que amo pois ainda sorrio se penso em você. Mas eu não penso tanto. É tão confuso... não sei se você consegue acompanhar meu raciocínio.
Eu sempre vou amar você.
Posso conhecer um milhão de pessoas, todas elas maravilhosas, que façam o melhor arroz do mundo e aceitem tomar chocolate quente no frio sem amaldiçoar meio-mundo de gente, que gostem de ler, de olhar o tempo passar na janela e sejam menos hiperativas e IMPERATIVAS do que você. E eu posso até amar cada uma delas. Mas eu continuarei amando você.
E querendo seu bem, seu sorriso mais aberto e sua presença.
Eu só não quero mais você. Entende?
É isso, acabou. Quer dizer, eu sei que você já deve ter percebido que o espaço no armário aumentou e tem um peixe a menos no aquário. (Não fazia sentido deixar a ''Ela'' contigo - mas o ''Ele'' ficou, alimente-o por favor).
Deixei uma fatia de bolo na geladeira. Não me procure mais, deixe o tempo nos juntar um pouco mais tarde.
Um beijo grande, sweetie. Te amo, viu? Amo sim.

Fui.

ps: Você precisa aprender a lavar suas meias, agora. E a fazer arroz.


(inspirado num casal de amigos. Ou ex-casal, como preferirem)

domingo, 29 de maio de 2011

Quando você sorri

O Sol que já não gosta muito de se exibir
Parece mais pisca-pisca, quando você sorri.

As pessoas feias que passam por aqui
Todas ficam mais bonitas, quando você sorri.

Até quem estava com vontade de partir
Resolve ficar mais um pouco, quando você sorri.

Se o professor está dando aula, eu não estou nem aí.
Pois melhor que qualquer conteúdo é quando você sorri.

Todo mundo se agita, querendo assistir
Pois não tem coisa mais linda do que quando você sorri.

Eu não quero parecer idiota, nem quero me repetir.
Mas eu já disse que o mundo fica lindo quando você sorri?



( escrito em outubro de 2010, mas ainda faz sentido...)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ousar ser feliz no frio

''Here, comes the cold. Break out the winter clothes And find a love to call your own.'' (John Mayer)


Olha, o inverno chegou.
E o inferno é que o inverno me deixa muito mais sensível. Com certeza tem algo a ver com frio nos pés e a necessidade de ter pé-com-pé pra se aquecer.
E não me venham com meias, elas são absurdas e só servem pra proteger o pé dentro do tênis. Pra aquecer de verdade, só outro pé.
Sério, só quem já teve um pé pra aquecer o seu, sabe o quão inúteis parecem as meias depois de um tempo. Tanto quanto luvas e casacos perdem de mil a zero pra outras mãos e abraços.
É, no inverno não tem jeito: a gente quer ter outro corpo.

Digam o que quiserem sobre amor ser primavera, verão ou até mesmo outono.
Primavera porque tudo fica lindo, verão porque tudo fica quente e outono porque no fim das contas, amor é renovar-se, livrar-se do que não é mais útil e agarrar-se com unhas e dentes no que há de vir e não sei mais qual é o blablablá.
Amor comigo é in-ver-no.
É gelado, mesmo. Gela do fio de cabelo até o dedão do pé (viu, eu sempre volto aos pés - porque faz todo o sentido, vai por mim.)
Faz a gente tremer igual vara verde, ranger os dentes, piscar menos, se sentir bonito e... QUERER OUTRO CORPO.
Tem coisa mais a ver com a amor do que querer esquentar?
Se já vier quente, como o verão, é paixão. Se vier bonito demais, como a primavera, é encantamento. E se for murcho como o outono, é tudo, qualquer coisa, menos amor.

E eu estou aqui sozinha na minha varanda observando as pessoas e seus casacos, as árvores e seu cachoalhar (que seria assustador, não fosse tão fuckin' belo!) e pensando em vocês. Em todos vocês, e em como eu espero que seus invernos sejam regados a muito frio, muita sopa e muito pouca roupa. Sim, pois é, eu lhes desejo quase-nada no inverno. Menos até do que no verão. E sei que estão entendendo meu ponto, sei sim. Desejo o mesmo pra mim.
Olhar pro céu cinzento e ter vontade de sorrir, sentir o frio na nuca e arrepiar-se num bom sentido. Ter pé-com-pé, mão-com-mão, abraços e mais.

Ninguém quer ficar sozinho no inverno, né?

sábado, 14 de maio de 2011

Quero é mais

" Sim, existem motivos para desistir e partir...Mas existem mil outros motivos pra se enternecer e ficar" (Pedro Pondé)

Eu quero mais é que a vida aconteça no seu ritmo me fazendo acompanhá-la em desespero e sem jeito. Porque viver não é isso?
Ser feliz não é só ver tudo o que você quer acontecendo. Também tem muito a ver com notar que, apesar disso e daquilo, a vida con-ti-nua. E que tudo é efemero. Alegria e sofrimento.
Que mal há em aproveitar?
Eu tenho amado a chuva e o sol com a mesma intensidade.
Às vezes assuta, dá medo, a gente fica com raiva do mundo e até pensa em deixar tudo pra lá. Ou seja lá como for.
Mas desistir não brilha tanto quanto continuar.
E eu quero é mais, pode mandar....

sábado, 7 de maio de 2011

Minha

Mãe.
Meu lugar favorito é o seu abraço e não tem jeito: eu sempre vou querer você por perto.
Vou querer você sabendo, você vendo, ouvindo e dando opinião.
Vou querer você na sala, no quarto, na porta e na janela.
Minha.

Mesmo com a voz mais alta do que deveria e o tom mais agressivo que o permitido, eu te amo.
Eu te amo do meu jeito torto, atravessado, sem ritmo e pesado.
Te amo com o mais puro que há na palavra, se é que há pureza em tal sentimento.
Te amo por me amar, e por ser voocê. Por ser. Por você.
Te amo de dentro pra fora, porque foi assim que me amou também.
E sei que me ama.

Me ama de cabelo sujo e sujeira debaixo da unha.
Me ama falando alto, falando baixo e ficando rouca.
E que me ama de longe, em silêncio, baixinho e se precisar, me ama GRITANDO, que eu sei.

E aí eu te amo mais.
Te amo porque consegue ser o mais suportável e necessário dos seres insuportáveis.
Porque briga e porque brinca.
Por que és.
TE AMO.

Amo, amo, amo, amo.
Te chamo!
Te espero, te ouço, te pergunto e te admiro.
Te respeito.
É muito, é imenso, é infinito e é maravilhoso.

E dói, e pesa, e tudo.
Porque és minha.
Porque és mãe;
MINHA MÃE.

eu já falei que eu te amo? rs

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ah, fulano...

(Baseadíssimo em ''O Mito'' do Drummond de Andrade)

Olha é tão forte,
é tanta dor,
que eu já não sei nem se é amor.
Só sei que o fulano
Passa dia, passa ano.
Não sai de dentro do peito.
Já tentei de tudo e não tem jeito

Ah, Fulano que eu nem sei se é de verdade.
Encheu meu peito com essa saudade.
Que eu não sei como, onde ou por quê.

Fulano me tirou as rimas,
As estribeiras e o chão.
Fulano nem sabe, mas me tem na sua mão.

Quando o vejo, fico contente.
E ele ali de longe, não sei se ri ou se mente.
Não sei mais o que faço, minha gente.
Eu ando mesmo é muito carente.

Ah, Fulano devia vir logo aqui.
Sentar comigo e deixar isso fluir.
Que é pra ver se é isso mesmo
Ou se é só aquilo ali.

Fulano, Fulano, Fulano...Ah...fulano.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Que pensem, que falem

Ei menina.
É, você aí com esse sorriso tímido e esses passos milimetricamente calculados.
Se volta, criatura. Que o povo aqui fora merece ver tudo isso aí dentro, esse swing, essa alegria, essa vontade, ou sei lá o quê que você tanto esconde debaixo de tanto véu, tanta máscara, tanto medo e tanto olhar.
Sim, estou falando sério. Eu sei que você está com medo do que o povo vai pensar se você tirar esse salto alto, subir a saia e sambar até o dia amanhecer e fazer calo no pé. Ou se você sorrir mais largo pro moço dali, pro moço de cá, e pro moço de lá também.
Que mal há? Vai esconder esse sorriso mais bonito do universo só porque lhe falaram que é coisa que não se faz, distribui-lo por aí? Conversa de desdentado, mulher. Sorri pra gente. Pro mundo. PRA FORA!
É, e não me olha assim não que eu sei que você tá louquinha de vontade de fazer loucuras. E o que são essas loucuras afinal, menina? Ah, mas onde já se viu se privar da vida quando é a única coisa que você só vai poder fazer uma vez...
Errar, você sempre vai. Acertar, tambem. Tentar, também. Vai ter sempre festa, dança, música, gente, beijo, cerveja gelada e gente pra falar.
Mas vida? Ah, sweet, vida é uma só.
Vida só você que vive, só você que sabe, só você que entende.
E boato, fofoca, intriga, regra boba? Você guarda ali no canto, junto com esse sapato e vem pro samba.Pro axé, pro rock e pro silencio. Acende esse olhar, e vai fazer o que você quiser. Se você quiser. Quando quiser. Anda, anda, anda...Antes que seja tarde, pois sempre acaba ficando tarde, eu sei.
Vão falar sim, eu não disse o contrário. Vão falar mesmo se você seguir ''nos trilhos'' e fizer exatamente o que eles querem. Pois então que falem, nem ligue.
O problema é só seu. A solução também.
Viva. Por favor.

domingo, 24 de abril de 2011

Ao ligeirinho

''Com você por perto, eu gostava mais de mim''

Dito e certo: saudade dói.
E quando a gente sente saudade de uma parte que é nossa e deveria, sim, estar aqui mais do que todas as outras partes, pessoas e coisas?
Ah, como é chato encontrar a parte boa da gente e essa parte ser outra pessoa que tem que ir embora pra viver sua propria vida e seguir o seu proprio caminho.
A vontade que dá é de ser tetris, que quando junta as partes, não se solta mais e se vai embora, é todo mundo junto, num relâmpago só, e ZÁZ.
Mas, somos pessoa.
Eu uma, e você outra.
Desculpe a minha idiotice, sabes que são tempos difíceis pra quem respira direito (haha) e eu não consegui pensar em metáfora melhor pra dizer que eu sinto sua falta.
E eu sinto que falta um pedaço de mim, quando você não está.
Eu nunca conheci alguém que me fizesse sentir conversando comigo, sem que eu fosse louca, afinal você sou eu numa versão portátil e masculina, se é que você consegue entender a outra grande metáfora. HAHAHA
Ai, lá vou eu rindo pra estragar a métrica e a poética... viu o que você faz comigo? Aflora a comediante que existe em mim e me faz deixar a profundidade, intensidade e ternura de lado. Contigo eu sou nada mais que um pouco meiga e estridente.
E eu gosto muito mais de ser assim do que de ser a melancolica full time que eu tenho sido agora que eu não tenho você pra me lembrar que tudo posso naquele que me dá carona, me conta piadas e divide comigo o copo de cerveja, o tempo e outras coisas que não convém dizer. Ai, piada de novo.
É muita piada quando eu penso em você, e muito sorriso, gargalhada alta e frase feita. Eu nunca vi uma coisa dessas, essa coisa que surgiu do nada, durou por nada e está aqui ferindo o coração de saudade apertada, que dói mais do que as outras saudades, porque se eu sinto sua falta, eu sinto falta de mim também.
De como eu fico do seu lado, meio bêbada sem alcool e ainda mais bebada que o normal, mesmo com alcool. E feliz.
Muito feliz, de poder ter alguém que me entenda, me complete e me aceite, como você faz.
Eu te amo e deixo claro: é de verdade.
Te amo de longe, de perto, pelo computador, pelo telefone, por sinal de fumaça ou em pensamento.
Mas não vá pensando que isso significa que você tem moral.. Não, moral é outra história...
Moral, só lá no final do filme, depois dos créditos e no fim dos extras, que é quando a gente vai ver o que fazer das nossas vidas.
Por enquanto, que a saga dure mais que rambo, mais que tubarão, mais que tudo, que é pra eu não ter o desprazer de dizer ''Se não tem tu, vai tu mesmo''.

Pronto, dediquei algo a você. Diretamente, claro, porque de indiretas o inferno está cheio, não é Pássaro de Fogo? :)
Um beijo e um queijo.
Dá beijo na Nana por mim.
E por favor, com perdão da palavra, LARGUE DE SER OTÁRIO.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Borboleta

É sério, vem cá, vem ver como é que eu vivo zumbizando e disfarçando frustrações quase que o tempo inteiro. Só eu e meu espelho sabemos de mim, e de vez em quando nem pra ele eu conto. Eu sinto vontade de nunca ter saído do casulo, porque isso de virar borboleta foi a coisa mais difícil que já inventaram desde o sudoku.
Mas né, eu sei e você também sabe que blablablá isso é preciso e blablabla é só uma fase. Mas cadê abraços quando eu sinto medo?
E olha, eu sinto medo toda hora. De tudo, de todos, de mim mesma, de pegar o primeiro ônibus com direção a qualquer porra de lugar e ir pra lá morrer de fome, ou virar hippie, ou prostituta, só pra não ter que viver a vida do jeito certo, porque é difícil e chato e DESUMANO, caramba.
Que eu tenho esse negócio de meter os pés pelas mãos e complicar coisas simples como um relacionamento, sabe? Então você avalie como estou agora, tendo mais do que isso pra administrar. É minha vida.
E eu não tenho paciência pra deixá-la nos trilhos, nos eixos, na direção correta. Eu tenho mais é vontade de dizer ''VIVA VOCÊ ENTÃO, VIDA CHATA. QUE EU VOU FICAR AQUI EM PILOTO AUTOMATICO VENDO VOCE MORRER POR CONTA PROPRIA, E DEPOIS QUEM VAI PRO CÉU SOU EU''
Porque na realidade: eu quero a minha mãe! ''Não sei da psicanálise, mas tenho certeza que "mãe!" é um lugar numa galáxia distante pra onde todo homem sonha ir'', já disse alguém por aí. SÁBIAS palavras. Eu quero ir pra lá, voltar pro meu casulo e ser a velha lagartinha de sempre, ok? Tá bom pra mim do jeito que era, viu? Só avisando, caso você queira saber.
Eu não consigo continuar.
Mas o pior de tudo, é que eu também não consigo desistir, e nem vou.
...

sábado, 16 de abril de 2011

Sabe?



É impressionante como não consigo respirar direito na sua frente.

Você vai, volta, faz e acontece, me deixa com ódio mortal até mesmo de tudo o que eu sei que gosto, e aí eu te esqueço. Bom sinal.
Só que dali mais um tempo, você vem. E eu perco o chão, o ar, os movimentos, a sensibilidade, a porcaria do bom senso. Sabe a vozinha dentro da gente
que às vezes ecoa dizendo ''Não vá por aí.. você sabe que dá merda..'' ? Pois é, basta você chegar de novo e essa danada fica emudecida.
Provavelmente pelo mesmo motivo que todos os órgãos do meu corpo que simplesmente calam pra lhe ver passar.

Eu estou falando assustadoramente sério quando digo que a fala se perde no vácuo do universo toda vez que você me faz uma pergunta.
Raciocínio? Fico em dúvida se é de comer ou passar no cabelo.
As ordens no meu cérebro são claras: AGARRE-O. TRAZ PRA SI. DIGA LOGO QUE QUER MESMO É DEITAR ALI E NUNCA MAIS LEVANTAR DO SEU LADO!
Impressionante.

Daí eu deixo você vir, de novo, mansinho, daquele mesmo jeito que você veio todas as setenta e oito mil vezes em que eu lhe deixei ser o filho da puta que você é.
E você senta no sofá, pega o controle da tv e reclama de todos os canais. Desliga a tv e reclama do silêncio. Liga o meu som e reclama do meu gosto musical. Desliga o som e reclama da fome. Vai à cozinha e reclama do meu pouco talento culinário. Sai da cozinha e pede uma pizza. E reclama de eu ter reclamado do sabor. E sabe? É sempre a mesma coisa quando você volta. É sempre igual quando você vai embora. E eu sempre serei essa imbecil aqui, que aceita, abre a porta, cede o controle da tv, a mão, o pé, os discos antigos pra você bisbilhotar e o telefona pra pizzaria pedindo a bendita pizza de atum que você sempre quer.

Só estou dizendo isso porque acabei de me lembrar que faz tempo que não como pizza. E acho que, sinceramente, você está demorando demais pra voltar dessa vez...sabe?

domingo, 27 de março de 2011

backup sentimental

'Passos de dança. Braços firmes. As ironias no café da manhã. O flerte na hora do jantar, seguido de uma visita mal-combinada e mal-aproveitada. O maldito sorriso que me faz esquecer todas as quatrocentas razões para odiar. Puxar-agarrar-soltar-voltar de novo. Ligações inesperadas.Piadas prontas. Mania de agradar. Aparecer sem avisar.Piadas recém-inventas. Unhas vermelhas. CDs pra lembrar. Pizza. ''Something'' dos Beatles. Risadas embriagadas logo de manhã. ''Sem você'' do Arnaldo Antunes.Dormir de conchinha. Carinho no rosto. Gargalhada.Piscada de cumplicidade. Discussão sem motivos. Fazer as pazes. Brincadeira de músicas. Citações famosas. Confiança. Pegar carona junto. Entender os trocadilhos. Escrever uma carta finalmente. Depoimentos no orkut. Recados pra completar. Indiretas. Diretíssimas. Madrugada. 'O Anjo mais velho'' do Teatro Mágico. Foto debaixo do travesseiro. Vontades. Desejos. Manias. Danças engraçadas. Iogurte gelado. Filmes. Livros. Sua música de amor favorita. Perguntas indiscretas. Um bando de perguntas. Todas as músicas de amor do mundo. Demonstrar interesse. Beijos. Mais beijos. TODOS OS BEIJOS. Abraços apertados. Olhares. Afetos despercebidos. Dedos mindinhos se tocando. Mãos dadas. O mesmo caminho. Porta de casa. Buzina. Dancinha. Sorriso. Aquele sorriso. Esse sorriso aqui. Todos os motivos. Amor. Amizade. O resto todo.



Você tem certeza que deseja enviar esses itens pra a lixeira?


Eu não sei moço, eu não sei...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Desmetaforizada

Hoje, mais um dia comum, em que eu acordei pensando no que comer. É, essa é a verdade. Eu não acordo com Chico Buarque na ponta da língua, mas sim com fome.
E eu ando cansada dessa conjectura romântica em torno da minha personalidade. Vamos parar por aí, sim?
Eu bocejei 34 vezes ao ver PS:i love you e cidade dos anjos, e acho um saco, um saco, um saco, a maioria das histórias de ''amor pra sempre''. Às vezes eu prefiro American Pie, pagodes no repeat, e dança da manivela no Carnaval de Salvador.

Aliás, eu gosto mais de sentir do que saber, apesar da minha incontrolável mania de conceituar boa parte das sensações que me acometem. Não sou boa em dar conselhos porque, cá entre nós, nunca fui boa em seguir minhas próprias teorias baseadas em qualquer porcaria que eu lesse, visse ou inventasse. Pois é. Estou dizendo isso, assim, porque cansei. Cansei de viver á sombra do que escrevo, da petulância de quem acha que sabe e pior: da ingenuidade de quem acha que EU SEI.

Eu não sei de nada, a não ser que eu tenha lido ou alguém tenha me dito. A não ser, também, que eu possa inventar e fazê-lo acreditar que eu entendo perfeitamente o que estou querendo dizer.

Eu não sei porque os homens vão embora, não sei porque não ligam, não procuram e não se explicam. Não sei de amor, paixão, relacionamento, amizade...Quem me inspirou não tem sorte nenhuma, não entendo as dinâmicas da vida... Eu só sei viver e quando não tenho as respostas, sei fazer as perguntas.Eu só gosto de falar bonito, provocar suspiros e suspirar junto. Mas não sou uma metáfora. Eu tento criá-las. É isso, eu sou mais rasa do que tábua de passar roupa. Sou como aqueles lagos imensos que vistos de cima e de longe parecem tão profundos e navegáveis mas se você se atrever a entrar, a água bate no joelho e não tem nem peixe naquela porcaria. Entende?

Ah se você aí soubesse o quanto me cansa a mania das pessoas acharem que me escondo por trás de um texto ou pior, que tento me revelar por meio deste. Ah, minha gente, escrever pra mim é como tocar gaita, cantar uma música, comer o prato favorito ou dar um beijo na boca. É só uma coisa que eu gosto. Sozinha, pra mim. Não quero agradar. Não quero virar mistério, best seller, poeira em prateleira ou spam no seu e-mail. Quero exalar meu sentimento, meu achismo, meu tédio. É, meu tédio.

Eu quero mais é que todo mundo ame, todo mundo entenda, todo mundo vire poeta e pare com essa mania de Caio Fernando Abreu e Vinícius de Moraes. Quero mais bilhetes em guardanapos e menos cartões de livrarias, entende? Aliás, não preocupe-se, a essas alturas nem eu sei mais do que estou falando...


Aviso aos leitores mais ''assíduos'': Ficarei sem muitas condições de publicar textos. E mesmo que eu consiga uma brecha e os publique, há impossibilidade de responder comentários e talz. Quem for legal aí, me mande e-mails. Sempre que der, estarei lendo - e quiçá respondendo. É mais fácil. Enfim, no mais, me desejem sorte. Fui recomeçar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

É pra vê-la passar

Ah.. quanta vinda.
Quanta vida passando.
Quanta gente assistindo.
Quanta coisa mudando
Quanta chuva caindo.
E quando a chuva cai é que melhor fica.
Porque quem ia não vai,
E se enche de água a bica.

E essas cores, amores,
Flores de primavera.
O moço que aqui passou,
pisou no meu pé e eu nem vi quem era.
Sem falar nos abraços,
na louca criação de laços.
Nos beijos apressados
E nos pés já cansados de tanto pular.

Anda menina, corre pra lá
Agora se apressa e corre pra cá.
Que o sorriso da gente
É uma prova contente
De que o mundo se agita mesmo
É pra vê-la passar.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Que porra eu fui?

Que porra eu fui pro moço tímido que morava longe e passava horas falando sobre qualquer coisa comigo? Que me fazia ligações bonitas e mensagens mais ainda, e me deixava com um sorriso que era tão largo... Que me fez sentir pela primeira vez aquele sentimento inefável que a gente tenta inutilmente demonstrar a cada minuto? Que veio, ficou e foi com a mesma rapidez que se instalou no meu peito sem pedir licença pra passar mais tempo do que nós dois imaginávamos? E que depois de um tempo era mais distante do que a propria distância, mais calado que o proprio silêncio e soube dizer e sentir por outro alguém tudo o que eu sentia por ele?

Que porra eu fui pro moço estranho que me puxou prum abraço no meio do nada, sem motivo aparente e desde então permaneceu enlaçado, ensinando que não se brinca com estranhos por nada, que gente nenhuma faz coisas sem motivos e que ele queria me beijar agora, e por isso me beijaria agora. E que depois não interessava, mas depois interessou... Pra esse moço que chegava sem avisar e se eu demorasse a perceber, saía sem avisar também. Que guardava segredos e me trazia chocolates, que vinha sempre e passou a fazer falta quando não vinha. Que aprontou e não quis ser meu amigo, dizendo que ''quem não se conheceu como amigo, jamais o será'', e estava certo?

Que porra eu fui pro rapaz esguio e falante que me sorria todos os dias na hora de ir embora? Que me mandava recados com indiretas às vezes tão diretas que eu enfiava os pés pelas mãos na tentativa de disfarçar a euforia com o flerte... Que puxava papo nas madrugadas insones de internet e fazia caretas pra me arrancar o riso de longe, e nutria uma paixão estranha sem que ninguém soubesse? E que depois veio dizer, como não se deve, que eu era uma amiga bacana e podia ajudá-lo na façanha de conquistar outrém?

Que porra eu fui pro rapaz que me conheceu do jeito errado, na noite errada, com o pé na jaca sem entender nada? Que me chegou de brincadeira e ficou pela mania de insistir no irreparável. Que não me despertou paixão, mas despertou vontades que nem eu mesma sabia que poderiam ser sentidas com ternura. Que foi mais certo como amigo do que qualquer outra coisa, e que tinha um discurso de ''não vou me apegar'' e apareceu casadinho-da-silva-fernandes na semana seguinte, como se o problema fosse realmente comigo?

Que porra eu fui pro moço do sorriso aberto e olhar torto que me ganhou na insistencia? Que veio como um temporal e saiu arrastando tudo o que pudesse alcançar, fazendo eu achar que sentia um monte de coisas que nem consigo explicar. Por quem, à revelia, me disse apaixonada e capaz de lutar contra tudo e todos pra fazer dar certo. Que me jurou compromisso, me pediu compromisso, e me deixou de lado. Me largou de mão. Largou da minha mão. Que tinha outro amor e não avisou, que tinha mais de mil paixões e esqueceu de me contar que eu não era nenhuma delas?

Que porra eu fui pro senhor pomposo, obsequioso e falador que me ganhou numa noite de desmedidos desvarios? Que continuou ganhando à medida que demonstrava possuir uma parte de mim em si e tornou tudo confuso com seu gosto de uva? Que pareceu querer mais do que eu e tornou-me refém de suas aparentes vontades, pra que, como quem não quer nada, me mostrasse que nada queria. Que só eu queria e insistia, e ele tentava amenizar. Que me trocou sem titubear, por uma melodia mais pesada, mais agitada... deixando-me aqui como uma marcha fúnebre e sem entender nada?

Que porra eu fui pra aquele das cartas despropositais e constantes, das visitas sem aviso prévio, das ligações de madrugada, dos ciumes desmedidos e inexplicáveis, dos dias, das pizzas, dos filmes? Da-falta-completa-de-beijos. Do excesso de abraços. Das confusas trocas de olhares. Dos silêncios tensos e constrangedores? Das declarações infundadas, de conhecer minha mãe, de me apresentar à sua mãe...se no fim das contas, após muita insistencia, ele foi dar tudo isso e beijos a outra pessoa?

Que porra eu fui pra eles? Que porra eu fui pra você?
Que porra eu sou, caralho?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Meu vício temático

Porque eu hoje sentei no chão frio do quarto pra olhar o teto e pensar em qualquer outra coisa. E aí me vieram umas piadas ótimas e uns trocadilhos infames assim, do nada, e dei risada de mim. Automaticamente, eu lembrei de você. E de quando você olha pra mim com esses olhos que parecem dizer que acham que sou muito boba. Eu também acho que sou boba, enfeitando o riso pra ver se você nota, e piscando menos vezes pra não perder muito dos seus movimentos. Dou logo um tapa na minha testa pra largar de ser otária, afinal de contas o objetivo ali é outro: pensar em qualquer outra coisa. Pensa,pensa, pensa, e nas esquinas da mente eu encontro uma música velha de Chico Buarque. E quando é Chico, eu lembro de você sabia? Não que tenhamos história parecida com suas canções ou que tenhamos vivido qualquer coisa ao som dele. Foi só porque uma vez ouvíamos a mesma música. Eu e você, a mesma música, chico buarque, e aí pronto: toda vez que eu ouço, lembro de você. Tá aí: você faz eu me sentir boba e querer evitar Chico Buarque. Que crime... Ahhh, lá vou eu de novo. Estou tentando evitar o pensamento, mas eu mesma me enrolo. Resolvi fitar o branco desbotado do meu teto. Devo ter viajado nas linhas de infiltração por um bom tempo, imaginando figuras inexistentes.As costas já doíam e o chão nem era mais frio, agora era morno. Mas veja só, devem ter se passado vinte minutos e eu nem sequer lembrei do seu nome. Olhei pra cima de novo e lá no topo da estante, eu a vi: a bendita caixa laranja das lembranças perdida. Fui lá e peguei pra relembrar das coisas que, meio sem querer eu tirei de mim e deixei lá. Adivinha então, o que eu achei, no meio de tantas cartas, fotos, figurinhas do X-men, e penduricalhos? Um maldito roteiro de nada. Cada um, uma palavra. Li e reli mil vezes só pra tentar encontrar alguma mensagem subliminar sua que dissesse por que raios você apareceu naquele dia. Mas eram só bobagens num papel. E nossas assinaturas, e alguns corações. E outras idiotices no verso da folha. Não lembro porque guardei aquilo, não sei porque tenho pensado tanto na sua pessoa e nas nossas possibilidades tortas. Mas acontece que está acontecendo com frequencia. É, isso de eu pensar em você. Por isso que eu hoje decidi pensar em qualquer outra coisa. Na bolsa de valores, no ditador Egípcio que renunciou, nas piadas no twitter, no meu relógio transparente em forma de ovo que balança sozinho na mesa, nos dias que faltam pra eu ir, no Sol... qualquer coisa. Qualquer coisa que não fosse você, pra eu não me achar uma maluca maniaca desequilibrada e inventora de sentimentos. Porque eu sempre digo que desde a minha ultima queda, eu não me deixo mais levar por impulsos sentimentais e amores semanais. Mas já faz um certo tempo e um beijo. Um só. E eu aqui. Exatamente onde não deveria estar, sentada no chão - agora muito quente mesmo! - do meu quarto, escrevendo sobre você. Pensando em você. Como tenho feito em muitos dos ultimos dias, mesmo que tente me policiar quase ao máximo. Se eu disser que estou apaixonada, vai ser mentira. E na verdade eu nem sei separar mais o que eu realmente estou sentindo do que eu estou fantasiando por tédio. Só que eu queria entender as coisas, entender você. Quero mais do que galanteios soltos assim por soltar, porque eu não sei você, mas eu não saio por aí dizendo e fazendo as coisas com desculpinha esfarrapada se eu não quiser algo em troca. Qual-quer coisa. E eu não quero ser como um elemento de transição da tabela periódica, se é que você consegue entender a fraquissima metáfora. E eu gosto de deixar as coisas esclarescidas. Ou pelo menos deixar subentendido. Muito bem subentendido, ok? E você, nada. Nada mesmo. Mas que grande porcaria, ein? Que grande porcaria você, seu rosto redondo demais, meu cabelo sujo, sua altura imponente, meus exageros. Tudo uma porcaria. Porcaria também eu imaginar a quantas andam teus outros romances, se são romanticos, se é bom pra você. Ou se você já perdeu alguns minutos se imaginando comigo. Porcaria, porcaria. Porcaria de chão, de teto amarelado, caixa laranja, texto incoeso e vontade de ir na sua casa agora dizer todas as coisas que me vierem à cabeça.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Só você

Você aí querendo atenção, e eu aqui querendo você.
Você aí querendo novas experiências e eu querendo você.
Depois você quer o mundo, e eu quero você.
Você quer mais bebida, e eu quero você.
Você quer uma saída e eu quero você.
Você quer fazer amigos, eu quero você.
Você quer ser feliz, eu quero você.
Você quer descansar, e eu ainda quero você.
Você quer de tudo um pouco e eu continuo querendo você.
Só você.



sem dedicatórias implícitas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Se eu tô apaixonada?

Claro que eu estou apaixonada.
Pelo garçom do bar que me deixou pegar mais uma cadeira quando não havia quase nenhuma sobrando e eu pude ligar praquela outra pessoa dar uma chegadinha e tomar umas. Pelo meu professor de matemática que me ensinou que menos com menos dá mais e que a gente precisa sim comprar borracha branca daquela mais cara, se não quiser transformar o caderno num mangue. E pelo caixa do banco que me ensinou que a senha de seis dígitos pode muito bem ser a de quatro com mais dois novos números pra facilitar, tornando meu dia muito mais colorido e despreocupado. Pelo cara do BBB que aparece lá do alto daquele nível supremo de beleza sorrindo de sunga e tomando sol como se não houvesse um mundo aqui fora e uma garota como eu querendo dar uns amassos com ele. E isso porque eu não quero mencionar o caixa do mercado, o rapaz da padaria ou o moço do ponto de ônibus ali de baixo. Também estou apaixonada pelo Jake Gyllenhaal, porque eu me enrolo pra falar o nome dele e ele fica realmente muito lindo sorrindo sem-graça e atuando, e também nos meus sonhos. Me apaixonei pelo meu colega do cursinho, porque ele me sorria todos os dias de manhã quando eu chegava e não parava de sorrir nunca mais, até eu ir embora. E me ajudava, e ele era lindo. Daí depois eu me apaixonei pelo outro professor de.. como é mesmo o nome da matéria? Eu não sei, porque sempre me sentia em êxtase quando ele entrava na sala com suas roupas descoloridas e imponentes e seu discurso eloquente do caralho. Eu fiquei muito apaixonada pelo cara que eu beijei naquela festa, porque ele me contou umas piadas muito ótimas cara, e eu adoro homem engraçado. E também pelo meu melhor amigo que parece que é um pedaço da minha alma em outro corpo e me faz sentir como falando com o espelho sempre que conversamos. Estou tentando resumir pra ver se você acompanha, mas teve também o jogador de futebol que fez um gol nos ultimos minutos do jogo e foi a deixa pro rapaz finalmente me abraçar no sofá da sala e derramar pipoca no tapete; o cara do filme que se declarou pra a mocinha de um jeito tão bonito que eu quis ele pra mim; o Graham Bell, pelo telefone maravilhoso que ilumina minha vida aos fins de semana; o dono da Heineken pelos motivos claros e obvios que não me darei o trabalho de explícitar. Pelo rapaz que tem me inspirado a escrever, também. E não vou mentir pra você que também me apaixonei por Chico Buarque essa semana, por Nando Reis, por Arnaldo, John Mayer e aquele gordinho barbudinho, como é mesmo o nome? Ah, Rodrigo. Rodrigo Amarante, meu grande amor também. E eu nao vou esquecer do rapaz que me deu um lugar na fila da lotérica em dia de Sol escaldante, nem do meu amigo que me trouxe sorvete no calor. Me apaixonei por eles também. E por aquele menino que eu tenho no orkut e fico indo lá todo dia só pra ver quem anda mandando recado pra ele e se ele me vê nos registros de visita e lembra que eu existo e estou esperando ele vir no meu scrapbook. Também por aquele que fala comigo só de vez em quando, é fofo, lindinho, perfeitinho e finge muito bem que eu não existo quando dá vontade. E pelo outro, e o outro.. Ah e aquele outro também.
...Bom, é isso. A todos vocês que andam me perguntando se eu estou apaixonada, eis a resposta. Eu to mesmo, a todo segundo, todos os dias. Por mil motivos diferentes e por mil pessoas. Isso faz de mim uma safadona devassa? Talvez, mas eu prefiro pensar que sou apenas cercada de gente apaixonante, uai rs (Afinal, tudo depende de como você encara).
Brincadeirinha pessoal, tô apaixonada não... tudo mentira.
Quer dizer, a parte do Jake Gyllenhaal é verdade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Esboço de uma carta

Dizer as coisas todas que me vêm à cabeça só com a menção do nome dele e fazê-las parecer a mais bela poesia de que se tem notícia.
Cuidar para não florear o que já é muito bem enfeitado e não exagerar o que já está muito bem ''hiperbolado'' na minha mente. Tentaria ser concisa, apesar da prolixidade inevitável pra explicar o que não tem definição. Não quero que seja tedioso, como todas as outras coisas que já escrevi na vida. Quero que seja único, como de fato é. Eu queria escrever uma carta pra ele.

Pra falar que ele tem um espaço crescente na minha vida e que eu posso ser muito estranha e quieta ao seu lado, mas na verdade eu faço festa por dentro só de encontrá-lo. Que reconheço ser talvez muito cedo pra dizer assim, mas cá entre nós, no que o fato de ''não dizer'' diminuiria a sensação? Eu sinto mesmo e espero perder logo a vergonha de admitir que eu adoro tudo, até as citações e o modo safado com que olha o mundo. E acho a coisa mais bonita do universo inteiro, aquele olhar ingênuo que parece pedir, entre tantas coisas, um abraço apertado e um carinho a mais.

Confessaria entre tantas vírgulas e pontos de continuação, que ele pra mim é como um bom livro: a gente não consegue parar de ler, se atropela nas páginas, esquece do mundo... de vez em quando até promete ''Só mais essa e eu vou dormir'' e lá se vai a madrugada inteira. Entende? E que eu não acho que as coisas precisem de hora certa pra acontecer, mas que quando acontecem a gente não pode ficar esperando o momento certo pra aproveitá-las - e apesar disso eu sou assim, tapada, e não consigo fazer metade do que faria se me permitisse. E que eu estou tentando impressioná-lo a cada minuto do ultimos dias, mesmo quando ele não está, eu faço coisas pra ele saber e se encantar. Que por ele eu aprenderia alemão e discutiria filosofia e religião. E pra passar mais cinco minutos na sua companhia, sou capaz de deixar qualquer filme pra lá.

Eu diria que o seu jeito doce me fez querer ser assim também e que eu quero muito qualquer coisa que me permita ter mais do que vinte minutos de conversas secas. Que eu quero conhecê-lo a fundo, saber seus medos, deitar no sofá e passar horas discutindo as letras dos nossos compositores favoritos e todos os livros que já lemos. E que eu quero beijos, abraços, olhares e tudo, tudo, tudo.

Eu ia dizer, também, que eu acho muito precipitado e muito estranho quando um sentimento cresce insuspeitado e toma conta dessa forma, que é tudo muito clichê, que eu sei que talvez ele dê risada ao ler e se pergunte em que momento permitiu que essa loucura começasse. Que talvez não seja nada disso e eu só esteja mesmo precisando de um carinho qualquer sem especificações. E que eu quero que se foda porque eu já ponderei, esperei e planejei demais pra que agora me deixasse levar por tantas possibilidades de falha.

Enfatizaria o quanto é difícil pra mim explicitar esse tipo de coisa e que era a primeira vez que eu tinha coragem para tal. Pediria que fizesse o que quisesse com tudo o que agora sabia, que eu estava passando a bola pra ele. Que não chovesse sem molhar, que não iludisse, que não abusasse e não me frustrasse, E ''zéfini''.

Eu mandaria um beijo no final ou talvez dois.

É isso. Um dia eu escreverei uma carta pra ele.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sabe o que é?

Sabe o que é frustrante?
Reviver a mesma história toda vez, com personagens diferentes, cenários diferentes e a mesma droga de enredo.
Escrever uma carta e nunca obter uma resposta, nem que seja num guardanapo escrito com batom ''Eu também gosto de você''.
Não conseguir dizer tudo o que queria.
Não ter recebido uma carta de Hogwarts aos 11 anos.

Sabe o que é amizade?
Não se importar de ouvir a mesma história repetidas vezes e ter sempre um novo conselho pra dar.
É não dizer absolutamente nada, quando não forem necessárias palavras.
É doer junto, sorrir junto, sentir junto e se importar.
Mandar tomar naquele lugar, sempre que for preciso. (E saber que SEMPRE é preciso)

Sabe o que é bom?
Sorvete de flocos e de côco.
Beijo roubado com consentimento.
Reciprocidade.
Ouvir música no volume máximo e cantar a plenos pulmões.

Sabe o que é ruim?
Filas, senhas e qualquer coisa que lhe faça esperar mais de vinte minutos.
Mentira, enganação e sacanagem.
Confiar na primeira impressão sobre qualquer coisa.
Ficar bêbado todos os dias da semana.

Sabe o que é poesia?
Conseguir rimar palavras com sentimentos.
Colocar no papel algo mais do que sintagmas nominais com terminações iguais
Uma coisa muito difícil que eu adoraria saber fazer.

Sabe o que é triste?
Saber que, no fundo, não vai acontecer do jeito que foi planejado.
Falta de comunicação.
Perder antes do tempo (e não saber quando é o tempo)


Sabe o que é amor?
...

Ok, admito: isso eu também não sei.
Vamos tentar descobrir?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu e John Mayer

Será que estou vivendo direito?

Esses dias, minha boca idiota, me colocou em apuros. Eu falei demais outra vez.
Como eu pude esquecer? Minha mãe diz: "pense antes de falar". Mas não há filtros na minha cabeça. Eu nunca mais vou falar outra vez, só me machuco. Prefiro ser um mistério, a partir de agora. E mais uma coisa: Por que a culpa é minha? Tá, talvez eu tente demais, mas é por causa desse desejo.Eu quero ser querida, eu quero ser engraçada, mas parece que eu sou a piada. Podem me chamar de Sra. Tiro pela culatra, principalmente no que diz respeito a amor.

E por falar em amor, fiquei sozinha em casa em uma sexta-feira, deitada no chão e pensando em velhos amores ou mais especificamente na falta de um. É que depois que as paixões desapareceram, e todas as minhas esperanças estavam erradas eu estou acabada. E odeio isso. Estou cansada de ficar sozinha. Na verdade, só metade do meu coração tem o controle da situação. A outra metade é muito criativa e impulsiva.
Eu tive um pouco de amor, mas o tornei escasso. Parti meu coração e o desliguei. Agora vivo sem nada para fazer, nenhum lugar pra ir e a companhia de ninguém além de mim.. Estou perfeitamente sozinha, pois não pertenço a ninguém e ninguém pertence a mim. Porque desde que eu tentei tentar não encontrar cada pequeno significado em minha vida, está tudo bem. Depois de muitos pontapés, quedas, trancos e barrancos, entendi que na vida as pessoas só podem ser: amigos, amantes, ou nada. Não pode haver um meio-termo, afinal qualquer coisa que não seja um ''sim'' é um não. Se você quer mais amor, por que não diz logo? Apenas diga! E aguarde um sim - nada menos que isso.

Ao entender essa parte, ouvi uma voz dizer "Bem-vinda ao mundo real" - e ela me disse com condescendência - "Sente aí, pegue sua vida e planeje-a de modo simples''. Hoje eu finalmente superei a tentativa de encaixar o mundo dentro de um porta-retrato. Talvez te conte tudo a respeito disso quando estiver com vontade de me perder, mas deixe-me dizer: Por que não é a minha hora? O que há mais a aprender? Eu estou impedida de voar, parece que tive minhas asas pregadas. Estou cercada por todo esse pavimento, e cá entre nós eu nunca gostei dessa cidade, morro de vontade de sair daqui. Odeio as luzes meio envelhecidas que empobrecem a noite, a fuckin' praça de fonte colorida, que não tem uma droga de fonte colorida... mas um dia eu voarei e serei muito mais que isso. Pois sou maior do que o meu corpo me permite ser, e bem maior do que essa cidade deixa também.

Você pode me achar se você quiser um dia: eu estarei logo ali, na estrada. Pois mais importante que chegar, é ir.
Esse é o jeito que essa roda continua funcionando.

_x_ _x_ _x_ _x_

Nota: A idéia boba que tive, foi juntar algumas das minhas músicas favoritas do John e mais alguns devaneios aleatórios e criar um texto. Fui adaptando algumas letras, mas é isso. Apesar de confuso, está verdadeiro. Trabalharei mais no proximo, prometo.
Ficam aí umas dicas de músicas do John que utilizei na postagem, pra quem quiser. rs

Half Of My Heart -- My Stupid Mouth -- Love Song For No one -- Friends Lovers, or nothing --No such Thing -- Back to You -- Why Georgia -- 3x5 -- Bigger than my body -- New Deep -- Home Life -- Wheel -- HeartBreak Warfare -- All we ever do is say goodbye -- Who says -- Perfectly Lonely -- Do You Know Me?


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O que eu faço com isso?

Talvez eu ache um monte de coisas sobre você
E talvez eu queira fazer contigo, o que os coelhos fazem - se é que você me entende.
Talvez eu ache bonito o jeito como você sorri e faz caretas.
E talvez eu queira ficar de mãos dadas contigo por debaixo da mesa, achando que ninguém vai notar.
Talvez eu pense em você de vez em quando, num número de vezes assustadoramente crescente.
E talvez eu imagine você pensando em mim ao mesmo tempo.
Talvez eu sinta raiva quando você parece não perceber
E talvez eu queira gritar pra você um monte de coisas, assim.
Talvez se eu fingir que não me importo, você passe a notar.
E talvez, sendo assim, alguma coisa aconteça...
Talvez eu esteja começando a querer...
E talvez não seja nada disso.
Muitas vezes não é, a gente sabe.


Mas e se for?
Alguém me diz o que eu faço com isso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem

...Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos" (Caio F.)


Já devo ter mencionado um milhão de vezes que adoro as sensações que acompanham os acontecimentos. Mas o problema ás vezes é quando eu não tenho lá muita coisa pra ocupar a mente e o coração e surge assim, como quem não quer nada, um ser humano vestido de azul e com um sorriso bem largo pra dizer que quer entrar na minha vida. Eu sei que a metáfora não foi das melhores, mas isso foi só pra que você entenda que eu deixei você entrar e agora você simplesmente estacionou na porta me deixando com cara de origami lhe esperando no sofá.
Acontece que eu sou muito sentimental, extremamente exagerada e altamente dependente. Mas não é disso que eu quero falar, e sim dessa sua repentina mania de me querer, pra que eu assim te quisesse e você, do nada, não estar querendo mais. Isso acaba comigo. Mas não é culpa sua, eu sei. A culpa é do meu exacerbado equívoco a respeito de suas palavras, ações e olhares. Você não veio com manual de instruções e eu acabo metendo os pés pelas mãos na tentativa de te decifrar, todos os dias.É sim, não dê risada, eu tento entender até o seu silêncio e a sua demora. Esmigalho cada gesto, cada frase, cada ''qualquer coisa'' achando que há um propósito maior quando você sorri e me pergunta como estou.
Daí que eu andei procurando as palavras certas em mim pra tentar fazê-lo entender que isso não é um contrato nem nenhum tipo de desespero neurótico. Na verdade, é até muito simples, eu só não quero dar relevância ao que não merece, nem mergulhar de cabeça numa piscina rasa, sabe?
Portanto, se você quiser, você fala, certo? Não demonstre, diga. Afinal, como já deve ter ficado óbvio, não sei entender gestos. E o mais importante: se não quiser, simplesmente se afaste. Me deixe cá com meus botões, com meus retalhos e cacos. Eu sempre me consertei sozinha, só preciso de tempo e muita cola.
A cola, nesse caso é a certeza. Eu preciso ter cer-te-za, entendeu? É isso.