quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O coraçao é meu

Sabe, são poucas as coisas que são verdadeiramente minhas nessa vida e uma delas, é o meu coração.
Mas eu não gosto dele, eu queria um outro. Alguém me dá?

Sério, sem brincadeira. Podíamos fazer uma troca: eu dou o meu, você me dá o seu e quando o tempo passar, a gente parte os dois ao meio e constrói um nosso.
Que tal?

Não pense que estou desistindo do meu coração porque ele não serve pra nada. Ele tem poesia e ritmo, viu? Só não quero mais que seja meu, porque eu quero um outro... Um coração novo pra eu aprender a usar e deixar alguém usar o meu.

Ei, você aí que está passando.. quer usar o meu coração? Pode abusar, também. Só toma cuidado pra não quebrar, rachar ou sei lá, que ele é frágil igual ao teu.

Não sou nada de boba, nem besta, nem idiota, ouviram?
Não é nada de loucura o que estou querendo..
O CORAÇÃO É MEU! EU DOU A QUEM EU QUISER!
Toma, moço, toma.. fica pra você...

Ei moço, EI MOÇO... moço?

...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz (natal)

Dia desses, eu senti uma angústia, uma coisa que não se explica. Senti medo, saudade, frio...
Lembrei da minha avó dizendo que ''Sempre que sentir isso, é importante rezar..'', fazia tempo.. eu não sabia muito bem se o meu câmbio com Deus ainda estava funcionando, visto que não sou de suas melhores filhas.. mas conselho de avó a gente não ignora. Então eu fui pra janela, juntei as mãos, e comecei a rezar...

''...Pai nosso, que está nos céus..''

...Sabe, Deus, é complicado sentir essa saudade que me bate duas vezes por ano com mais força do que os outros 363 dias, apesar de sabê-la me acompanhando por todos eles. O Natal está chegando e eu não pude deixar de lembrar que ele não tem mais sentido na minha cabeça... desculpe dizer isso assim..
É difícil não ter o mesmo calor, a mesma vibração e ansiedade no dia de Natal...complicada essa vontade de esperar por presentes, sabendo que estariam ali quando eu acordasse e perguntar mais de um milhão de vezes o por quê de comemorarmos o natal assim com peru e um golinho de coca-cola pra fingir que era vinho. E lembro de dormir de mãos dadas com as primas, para que, caso alguma de nós acordasse, todas levantassem pra ver como era o tal Papai Noel. Também vem à minha mente agora, o pessoal lá de casa mandando a gente dormir logo, porque eles também estavam com sono e papai noel só chegava quando a ultima criança tivesse verdadeiramente adormecido. ''E como é que ele sabe?'', alguém sempre dizia lá do meio do emaranhado de colchões na casa da vovó. Ao que o tio respondia: ''Ele sabe de tudo..Mas ele manda a gente vigiar pra ele..Durmam logo!'' Daí que eu parei de pedir a boneca da moda pro Papai Noel, faz muito tempo, como o Senhor deve saber... um tempo tanto que parece infinito. Meu pedido novo era ela de volta. Olhos verdes, jeitinho engraçado e fragilidade infantil. Eu-quero-a-minha-vózinha-de-volta-papai-noel. Mas ele não me trazia. Ela vinha de novo com a boneca. E depois, ele parou de vir. Disse que eu já estava crescida. Mas as cartas continuavam e o pedido era o mesmo. Demorei pra entender que ele não a traria porque não precisava, ela vinha sozinha. TODO ANO. Me dava um beijo na testa e me pedia desculpas, num cochicho. Mas eu estava dormindo e não via, sabe? Tipo quando o papai noel vinha. Aliás, hoje eu sei que ele não vem mais, pra que ela possa vir no lugar dele, e por isso o respeito ainda mais.

''...venha a nós o vosso reino...''

Ai, DEUS! lembrei que o ano também tá com vontade de ir embora e eu, que há tanto tempo não falava com o Senhor, nem lembrei de agradecer pelas pétalas e pedras que me colocou no caminho, exatamente onde elas deveriam estar. Pra que eu catasse e pra que eu pulasse, numa coreografia gostosa de fazer. E desesperadora, por não ser ensaiada. Foi um ano difícil, de fim de ciclos, inicio de outros tantos e muita bagunça e barulho. E foi bom demais, Deus. Foi um dos seus melhores, juro. Poxa, mas deixa eu agradecer também pela minha mãe, pelo meu pai, meus amigos, meu irmão, meus amores, meus desamores, minhas dores, frustrações, confusões e palavras? Ai, Deus, obrigada pelas palavras. Principalmente por elas, que foram tão importantes nesse meu caminhar de dois mil e dez, eu espero estar me dirigindo da forma correta ao senhor. Inclusive, lhe peço até desculpa pela ausência, eu andava pensando no Senhor pra pedir, eu sei. Mas é que a coisa é complicada em minha mente, ando lendo muito e vendo muita coisa.. e tendo muito medo. Me desgarrei, mas prometo voltar em breve.

''Seja feita a...''

Ai calmaê... agradeci tanto, que acabei não pedindo nada pro próximo natal nem pro próximo ano... MAS calma, acho que estou começando a entender o Natal. Tem muito mais a ver com agradecimento e reconhecimento do que com peru e vinho ? Não é só uma desculpa pra reunir a família, é pra agradecer por ela. Pela vida, pela saúde, pelos blablablás, todos, Pai? Diz aí... Er.. enfim, então é isso. Posso só pedir uma coisinha então? Eu quero que, em 2011..

''...SEJA FEITA A VOSSA VONTADE!''

Terminei os versos aí, Deus me entenderia. Eu sei. Pisquei pro céu e ri de mim. Fiz a cruz, olhei mais um pouco pro infinito e uma estrela brilhou intensa além do normal e depois se apagou. Pude jurar que era Deus me piscando de volta. Ou era minha avó. Ou o sono, mesmo... Senti Paz.

Voltei pra cama e dormi. Naquela noite eu sonhei bonito.



Feliz Natal e Feliz Ano Novo, gente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O pior surdo é aquele

-Eu tinha lhe dito que não ia prestar...
-Eu ouvi.
-Eu também falei que toda unanimidade é burra, mas a gente não pode ignorá-la.
-É, eu ouvi.
-E que você ia acabar se metendo numa enrascada.
-Eu ouvi isso também.
-Eu lhe falei pra não ir tão rápido, pra ser cautelosa, pra conhecer a estrada antes de iniciar a viagem..
-Eu ouvi...
-E eu disse também que isso não era pra você.
-Eu ouvi!!
-Então porque você insistiu nisso assim mesmo?
-Porque eu ouvi, mas não escutei...
-Hã?
-Pois é...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Revolta

Sobre essa mania de tempestade em copo d'água e não saber dar conselhos.

É foda se quem você quer, não te quer?
Foda-se, porque amanhã você percebe que não valia mesmo a pena.

É foda que as pessoas tenham que ir embora?
Foda-se, vá embora você também.

É foda essa tristeza que não passa?
Foda-se, pegue uma bebida.

É foda se aquele cara não liga pra você?
Foda-se, porque você também não tem que ligar.

É foda se você não consegue terminar seu namoro?
Foda-se, você que começou.

É foda que ninguém consiga lhe entender?
Foda-se, explique-se de novo. E direito.

É foda se sua amiga é uma vadia?
Foda-se, escolha melhor seus amigos.

É foda que aquelas provas tenham sido muito difíceis?
Foda-se, estude mais da próxima vez.

É foda vê-lo com outra?
Foda-se, olhe pro outro lado. E pegue uma bebida.

É foda o seu professor dar em cima de você?
Foda-se, poderia ser aquele gordinho que senta ali no canto.

É foda se sua namorada te traiu?
Foda-se, você que quis uma vadia!

É foda o justin bieber ter uma biografia?
Foda-se, ninguém tá mandando você ler.

É foda que façam piada sobre você?
Foda-se, mande todo mundo tomar no cu. Um por um.

É foda a política no Brasil?
Foda-se e vote direito da próxima vez.

É foda ninguém querer namorar com você?
Foda-se, você deve ser um pé no saco e neurótica.

Ah, então é foda?
FODA-SE!
sério.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Você virou uma palavra

Ah, poetizar...
Deve ser um dos maiores erros da civilização moderna. Que é quando a gente transforma um grão de areia num deserto, um copo d'água numa tempestade e o leite derramado num estado de luto profundo. Isso pra não dizer quando se transforma simpatia em gostar, gostar em paixão, e paixão em todo o resto. Por isso que os poetas são, incontestavelmente, os maiores sofredores da humanidade. Porque eles sentem com cada parte do corpo, assim como qualquer um, mas ao contrário de gente normal (e feliz), as sensações dos poetas começam pela cabeça. Tudo fica embelezado quando vira poesia, texto, parágrafo ou oração.
Dito isso, volto mais uma vez (e espero que seja a última) a falar de você, que me chegou em forma de verso. Um verso curto e grosso, que foi se alongando e virou poesia. Quando alguém é poesia dentro de outro alguém, as borboletas fazem festa. Tudo parece maior e melhor do que realmente é, e a vida começa a se desenhar bonita e azul. É muito bom sentir poesia. E eu senti ''poesia'' por você, no começo.
Depois foi aumentando, virando prosa. Um parágrafo inteiro na minha vida. Você era Letra MAIÚSCULA, virgulas e pontos de continuação. Daí, quando finalmente eu consegui enfeitar demais a situação... o suficiente pra que você fosse virar um texto inteiro...a tinta da caneta acabou, a inspiração cessou e você partiu.
Você simplesmente foi embora.
E fiquei eu, com um parágrafo, uma poesia, um verso e saudade.
Aí eu descobri, que enquanto tecia um texto inteiro e imaginava um livro, eu fui uma frase, o tempo inteiro. Consegue entender? Você me foi parágrafo e eu lhe fui uma frasezinha, o que me fez, instantaneamente, criar uma vontade incontrolável de ser mais.
Entrei de cabeça no jogo de fazer você me ver mais, me querer mais, me sentir mais. Queria ser sua poesia, seu parágrafo... qualquer coisa que lhe fizesse sentir por mim o que eu sentia - ou acreditava sentir - por você.
Sofri mais, dessa forma. Porque não há limite, nessa história de querer ser reticências.
Pra descomplicar e simplificar, o negócio é que eu transformei e engrandeci a coisa toda, fazendo doer ainda mais em mim. Só em mim. Afinal, eu sempre fui a única afetada por isso.
Mas hoje, eu finalmente reconheço que eu não posso me contentar em ser frase, pra quem me foi parágrafo inteiro. E pior: eu não posso querer mudar o pensamento, o sentimento, a vontade e o viver de ninguém, posto que sei mais do que todo mundo que esse tipo de coisa não é possível. Não se faz. E daí que eu venho me recompondo, escrevendo e tirando verso por verso de você daqui de dentro.
Não é trabalho fácil, visto que eu inventei foi muita coisa pra sentir, querer e acreditar. Tudo culpa minha mas você sabe quem desenhou o primeiro P dentro de mim. Certo? Paixão essa que hoje é só um nome.
Falando nisso, não sinta pena, não sinta remorso e nem algum tipo de sensação estranha ao ler isso -se ler-, tudo bem? Posto que já lhe reduzi a palavra.
Você agora é uma palavra. Um substantivo masculino, de vez em quando pronome pessoal do caso reto e jamais, em nenhuma circunstância é possessivo.
Palavra sem rima, jogada, no meio de outras tantas e de uma maioria que eu já percebo novamente.
Ou seja, não há mais poesia em mim, pra você.
Só me restou o que de fato é, e se lhe serve de consolo, ainda é bastante.
O que eu sinto, sem floreios, continua sendo grande, bonito e sensível. Mas vai passar.




(escrito em 22/11/2010, guardado a sete chaves com timidez. Hoje não mais.)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

...

Sabe, eu estava aqui pensando nessa coisa toda de casal, relacionamento e tudo isso que não funciona muito bem. Primeiro eu queria entender como diabos tudo começa, depois como se transforma no que estava sendo e pra finalizar, eu queria saber o por quê. É que eu não consigo compreender que as coisas aconteçam sem um motivo, sabe? Nem muito menos por que alguém aparece, vem, pede, insiste e parece querer tanto, uma coisa que no final ele, sei lá, nota não querer desde o início. Olha, ser humano de vez em quando é uma merda. Daí que talvez nem haja uma explicação pra tudo, só que eu mesmo assim continuo pensando. Afinal deve haver um ponto. Posto que pra todas as coisas há uma explicação, ainda que não de fácil compreensão. E eu sei e você também deve saber, que apesar de muito estudo, muita prática e muita revisão, entender dessas coisas não é tão fácil quanto passar no vestibular. O que me faz lembrar de outros tantos problemas aos quais preciso dar uma solução o quanto antes.

Mas cá entre nós, que se danem os problemas. E você.
Principalmente você.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sístole e Diástole

Sobre começo, meio e fim do que chamamos de amor.


Quando amor transborda é um problema, porque se espalha.
De repente, um aperto e um enlaço: é tudo junto, misturado.
Alegria que chega a ser felicidade.
Bons momentos, apertos, sabores, vontades.
E atestado: Eu estou apaixonado!

De repente, bagunça.
Partida, despedida, desenrolo, quebra.
E dor.
Começa o questionamento sobre o amor.

Hora de cometer loucuras.
Implorar, insistir, convencer.
Tentar de novo, quebrar-se de novo.
E aí volta a doer.

Depois da tempestade, calmaria.
Dor fraca, pontada de vez em quando.
Sentimento de ridículo.
Pergunta-se: ''Mas que diabos eu estava pensando?''

Prefere ficar sozinho, esquece do mundo
Reconhece os prazeres da vida...
E o coração?
Se enche de sangue,antes da próxima batida.