quarta-feira, 30 de junho de 2010

Futuros do Pretérito

Eu seria bastante feliz.
Caso alguém me desse um bom motivo para isso.

Eu reclamaria menos.
Se as pessoas fossem um pouco menos imbecis.

Eu iria para longe, muito longe.
Mas existe algo ainda muito forte que me prende exatamente onde eu estou.

Eu pararia de querer o impossivel.
Se esse o deixasse de ser, afinal, por que raios tem que ser?

Eu mudaria pra agradá-la.
Caso eu não tivesse desistido na primeira tentativa.

Eu ficaria mais paciente.
Mas o tempo demora a passar, gosta de se arrastar e eu tenho absoluta certeza que é pra me irritar.

Eu ligaria no dia seguinte.
Se isso não me fizesse parecer uma idiota. Inclusive, eu ligaria todos os dias, não fosse isso.

Eu gostaria de menos pessoas.
Mas não é uma coisa que você escolhe.

Eu ouviria mais a minha mãe
Caso eu não achasse que sempre tenho razão. E eu me daria menos mal, por isso.

Eu demonstraria meus sentimentos
Se isso não fosse imensamente complicado, afinal eu nunca sei quais são eles exatamente.

Eu calaria a minha boca de vez em quando
Mas sinceramente, algumas coisas não podem esperar pra ser ditas, independente do efeito que provoquem.

Eu escreveria mais
Caso a inspiração não estivesse brincando de esconder-se em qualquer esquina bem longe

Eu voaria, eu largaria, eu soltaria, eu beijaria, eu correria...eu ia.
Eu ia.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quer passar uma temporada no meu coração?

Olá, tudo bem? Te vi de longe e resolvi me aproximar. Tem planos pro sábado? E pro domingo? Tem planos pro proximo mês? É que eu tenho uma proposta irrecusável.. Não quer passar uma semana incrível no meu coração? Ele anda meio vazio, meio sujo e sangrento, mas caso queira, dou um jeito. Tudo pela satisfação do convidado, né? Meu coração é interessante de se visitar. Nunca foi moradia fixa pra ninguém e já foi mal-utilizado várias vezes, mas ainda é habitável. Digo, passar umas noites aqui não lhe custará mais do que meia dúzia de palavras e um ou dois beijos mais quentes pra satisfazê-lo, pobre coitado. Nao será nada memorável, como eu um dia já esperei que fosse e eu sei que você vai enjoar fácil dessas paredes sempre vermelhas e sem nenhum quadro na parede. Mas se à noite o tédio apertar, tem uma gaveta no meu coração. Te autorizo a abrí-la com cuidado e remexer meus papéis. Minhas lembranças. Tem muita coisa rasgada, recolada, e rasgada de novo. Faz parte de uma coisa que temos. Eu e o meu coração. É um museu de histórias mal-contadas e mal-resolvidas. Quem sabe isso não lhe diverte?
Mas deixemos de lado os pormenores e voltemos ao que importa. Eu sei que vou me apaixonar, sabe, moço? Mas acredite, essa é a graça. Você vai se divertir muito com isso, vai poder sair daqui quando bem entender, deixando os cigarros em cima da cama ou qualquer coisa que lhe mantenha presente de alguma forma, e quando estiver cansado, você volta que vai continuar quente e confortável aqui dentro. O seu lugar estará guardado, eu estarei satisfeitissima com isso, como manda o figurino.
E então, topa? Sei que há muitos corações por aí, mas é que faz tanto tempo que não me visitam, que você podia pensar com carinho na minha proposta. Eu limparei tudo, renovarei o estofado e bordarei lençóis com as suas iniciais. Você se sentirá em casa. Então, vou lhe dar meu número, mas não me ligue não!! É só pra quando você for ligar pra alguma pessoa ou mandar uma mensagem, acabar me enviando sem querer, assim pensarei esperançosa que você está voltando, e fecharei as janelas pras borboletas não invadirem o seu lugar.
E apesar do desespero no tom da minha voz e na falta completa de coesão no que acabo de lhe dizer, não me julgue desesperada, histérica ou maluca, é que basta pra mim dessa coisa toda. Já não acredito na beleza dos gestos, na naturalidade do acontecimento e nas mensagens enviadas na madrugada. Não acredito em visitas surpresas, telefonemas diários e saudades declaradas. É tudo uma questão de conforto, né moço? Né?