sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Não passei

Estão todos partindo.
Vou ficando.
Sou a mão que acena às costas de quem vai.
Sou o que fica pra trás.
Sou a lembrança que alguns levam no bolso, outros na mala e uns tantos preferem não carregar.
Sou um futuro borrão na memória de alguém. Por um tempo serei saudade. Mas passarei.
É, saudade passa. Os momentos passam. As pessoas passam.
E passaram.
Pois então.. tudo passou. Todos passaram. Só eu não passei.

Porque diabos, EU não passei?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Já estou perdendo a paciencia comigo

Eu ensaio, treino, escrevo, imagino, idealizo...
tudo o que eu vou fazer da proxima vez que encontrar você.
E quando isso finalmente acontece, eu pisco, esqueço tudo, caguejo,
falo besteira e não faço nada do que eu quero fazer.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Não sei

Quem é você?
O que faz?
De onde veio?
Porque veio?
É pra ficar ou pra passar?
Porque me olha assim?
Porque me trata assim?

Não sei.
O que eu sei é um talvez.
Outra vez.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deixa?

Deixa eu tentar te conhecer.
Te entender.
Deixa eu te ligar de madrugada.
Te aborrecer.
Deixa eu virar o rosto, pra não te ver.
Me esconder.
Deixa eu te ignorar pra não sofrer.
E me arrepender.
Deixa eu gostar de você?

domingo, 10 de janeiro de 2010

E lá vem você de novo...

Será que é tão dificil que pare por um segundo pra pensar no mal que me causam todas as tuas dúvidas?
No receio que sinto dos teus medos, e na esperança que me dá a tua confusão?
O erro esteve em mim por muito tempo. Por idealizar. E assim que eu parei e me recompuz, você veio.
O erro agora está em você. Que vem sem intenção de ficar. Que pede, sem intenção de retribuir.
Que vai levar meu coração contigo e não vai deixar o teu comigo.


[MAS QUE PORRA, SEU FILHO DA PUTA! MORRA!]

Estranha(mente)

Penso tanto, penso em tudo e você não vem.
Espero tanto e essa espera tem um prazo.
Tem urgencia. E eu vou me cansando de querer te encontrar.
Mas ainda quero, estranhamente. Estranha mente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A namorada do meu pai

Nunca escrevi sobre Juliana, e hoje me perguntei por quê. Se ela esteve indireta e muitas vezes diretamente ligada aos acontecimentos que formaram tojolos pra construir minha vida até agora, como não pûs em palavras o significado real de Juliana em mim e em minha existencia? Só posso estar mesmo entupida de palavras aqui dentro agora, uma querendo sair antes da outra, pra falar pra Juliana todas as coisas que se deve falar e as que não se deve também.
Juliana surgiu como aquela namorada de painho, uma estranha que era sempre séria e adorava pedir os meus salgadinhos do pacote. Sempre fui uma criança egoista. Não queria dividir o meu salgadinho, nem o MEU pai. A distancia do meu pai, contribuiu pra eu achar que a culpa era de Juliana, e de todas as outras mulheres que o afastaram da minha mãe. Eu me acho uma completa idiota, e sou, por pensar essas bobagens tantas. Mas é que eu não sabia da história que hoje sei, e não importa. O tempo passou, e passaram com ele, episódios da vida, e ninguém esquece da minha idéia mirabolante de dizer: Pai, vamo jogar ela [Juliana] no rio?, me falaram que soei altamente decidida e verdadeira, a ''nega'' não tava brincando, queria se livrar de Juliana. Damos risada disso agora, mas imagino o quanto o comentário infeliz da criança-eu, deve ter magoado a namorada do meu pai. Juliana deixou de ser só a namorada do meu pai, quando eu consegui entender, o quanto ela fazia por ele. O relacionamento deles acabou e se transformou em amizade. Então, eu abri a guarda, e insistia de uma maneira chata, pra que eles voltassem. Ninguém entendia. Mas ela esteve presente em todos, e digo todos os momentos, mesmo de longe, enquanto eu sorria, ela estava lá. E não tinha motivos para isso. Me dava presentes de aniversário e até no natal. Juliana se transformou , em uma ex namorada aí do meu pai, que quer voltar com ele, e continuou ao meu lado. Ficou amiga de minha mãe e sempre ia lá em casa conversar com ela. Eu ficava do sofá, e analizava os penteados, as roupas, Juliana é mesmo uma boneca, gente. Do tipo barbie mesmo e é tão linda, de verdade.. enquanto ela fala, e você olha, você vê um monte de coisa que olhando rápido você não seria capaz de ver. Foi quando ela percebeu meu interesse por suas roupas e resolveu me presentear com algumas delas. Eu ficava horas vestindo e dançando na frente do espelho, minha mãe tinha um brilho nos olhos e dizia direto ''Ela gosta de você, vocês podiam ser amigas...'' , mas eu ainda tinha um pé atrás, eu ficava naquela coisa de ''Ela quer é o meu pai!'', coisa de criança chata e insuportável que não admite as coisas. Dá vontade de bater na antiga maria que não queria gostar da Jú. Depois, com o tempo, fui aprendendo a deixar as idéias bobas do passado, ficarem por lá e deixei que a coisa entre nós, acontecesse... E foi quando juntas, enfrentamos o pior reveillón de nossas vidas, [e sinto que isso é assunto pra outro texto, mesmo que tenha muita preguiça de contar o episódio], que Jú virou a minha amiga mais velha, e vinha na minha casa agora, pra conversar comigo. Primeiro, eu timida, contava algumas coisas de mim e ela ouvia, sorria e nada dizia. Depois, começou a dizer. Eram conselhos no início, mas então ela mesma me contou seus proprios medos, angustias e segredos. Ninguém entendia, como podia acontecer afinidade entre pessoas tão distantes na idade, e com um começo tão conturbado como o nosso. Agora, Juliana passou a ser a Ju! e daqui uns tempos, quando eu tomar prumo na vida, ela vai ser minha madrinha!, e eu realmente a amo, como um irmã bem mais velha que escolhi pra mim. Nem todo começo é bonito, mas nem toda história tem que ter um fim :)

Ju, sou péssima em textos assim, devo ter soado infantil. E sou. Mas você é linda e obrigada por ser o que é pra mim.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Adeus, ano velho

Foi bom enquanto durou, na verdade, nem tão bom assim. Você podia ter sido melhor, ter andado um pouco mais devagar. Você me pareceu o mais apressado de todos. Nunca vi igual. Ao piscar os olhos, já tinha vivido muita coisa. E ontem,no seu ultimo dia aqui comigo, foi a noite mais linda das tuas 365 noites. Pode apostar. Eu via as nuvens, o céu brilhava e a lua lá, me sorria, mandando eu dizer Adeus a você. Embaixo dela, o mar, que aguardava eu levar pra ele todas as coisas ruins que não queria que me acompanhassem, quando você finalmente fosse embora. Enquanto eu via aquela lua, tão cheia de coisa nova, e reclamava que ''2009 foi o ano mais rápido e difícil da minha vida'', me vieram à cabeça todas as coisas que passei durante o tempo que você esteve aqui. Fui pesando-as, medindo-as, relembrando-as... E você quer saber? Eu fui feliz em você!

Chorei muito, sim. Me apaixonei horrores, por quem não me dava bola, por quem queria ser só ''meu amigo'', por quem não devia e por quem eu nem conhecia. Briguei demais com a minha mãe. Fui mal na escola. Aprendi que tropeçar não é a mesma coisa que cair, e que mesmo cair, não pode me fazer desistir. Sofri ao ver gente amada sofrer. Descobri que a morte me assusta. Descobri o que é perder uma coisa que eu achei que nao viveria sem, e percebi que sim, eu vivo. Senti vontade de amar. E amei. Conheci pessoas maravilhosas, e outras nem tão maravilhosas assim. Aprendi musicas e saí muito. Perdi as contas, perdi dinheiro, perdi a noção e o coração. Cortei o dedo da mão ao menos 4 vezes por mês e pintei as unhas de cores diferentes. Escrevi e li, muito mais que em qualquer outro ano. Meu EGO aumentou. Vi meu time campeão brasileiro, depois de 17 anos, e roí as unhas assistindo futebol. Comi quilos de pipoca. Almocei pão com água durante dias, por preguiça de fazer coisa melhor. Fortaleci relacionamentos. Desprendi-me de outros. E eu também menti. De brincadeira, pra zoar, de verdade, e pra machucar. Fui uma péssima pessoa algumas vezes, e vi pessoas sendo péssimas vezes demais. Aprendi um novo origami, comi bastante sushi e viajei. De avião, de carro, de ônibus e em pensamento. Comprei muita roupa. Me apaixonei pelo meu cabelo. Fiz as pazes com o espelho e iniciei um processo longo de reconciliação com meu corpo. Fui consolada e consolei. Fui abraçada e abracei muito. Dei mancada. Dei sorriso. Dei dinheiro. Dei abrigo. Fiz as pazes. Briguei de novo. Vi o meu pai sorrir de bobo brincando de casinha. Vi a minha mãe chegar numa certa idade, com o mesmo rostinho de antes. Tirei bastante foto sozinha. Esqueci a máquina todas as vezes que estive acompanhada. Os melhores momentos de você, não têm foto. Desculpa aê, ano velho.

Falando em desculpas, me desculpa pelos dias teus em que me deu o sol e eu preferi fechar as janelas, ouvir música depressiva e chorar por besteira?
Foi maravilhoso, meu velho. Você é página virada, que sempre poderá ser relida. E será. Inesquecivel 2009.
Adeus.