sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Paranoicamando

Essa mania que algumas pessoas têm de se alojar no peito, é complicada, principalmente depois de um tempo, quando é quase vital que permaneçam.
Essa é uma história sobre amor, paranóia, ciúme, e quase todas as mulheres do mundo.

Ela já andava meio sem vontade e sem estímulo, se alimentando das lembranças mais antigas de que tinha idéia. Aí ele chegou, com novas cores, arranjos e acessórios modernos. Enfeitou a casa toda, abriu as janelas, tirou a poeira, pôs flores pela sala e sentou-se no sofá bem no centro de tudo, e bastante à vontade. Ficou ali por dias, sem nem sair do lugar, se ajeitando vez ou outra pra não ter dormência. Mas aí um dia, ele pediu licença pra ir ali e voltar já. Ela meio relutante, segurou a barra do vestido e recostou-se na parede dizendo qualquer coisa sem sentido que funcionou como uma permissão desnecessária, e ele foi.
A moça sentou-se próxima à janela e observou o rapaz indo, calmamente, pra longe. A incerteza de sua volta, fez com que ela roesse as unhas todas, depois as cabeças dos dedos e quase que levou ao estômago a mão inteira. E ele demorava ainda...
Mais uns vinte minutos, e ela já estava mais do que nervosa, balançando a cabeça pra frente e pra trás, dizendo a si mesma que era a criatura mais burra dos últimos tempos. Era óbvio que ele não voltaria, não tinha motivos.. ele teve que reconstruí-la inteira, e ela perdeu a graça. Ele não vinha mais. Ele pediu licença para abandoná-la. Até seu último gesto fora perfeitamente dócil. Ah, como ela o amava, o queria de volta.
Quarenta minutos, e Marisca já estava aos prantos, olhando fotos e cartas de duas semanas atrás, recordando o passado bonito que tiveram juntos. E ela que, tolamente, já imaginara ter filhos com aquele sorriso de Pinóspio... Onde estaria ele? Por que ele fizera isso? Onde ela errou, meu Deus?
Uma hora e meia depois, ela já havia ligado pra sua mãe pedindo conselhos, rasgado algumas fotos, borrado três blusas de choro com maquiagem e agora ela maldizia os amigos dele. Aqueles filhos da mãe, vadios, que sempre ligavam quando não deviam, chegavam quando não eram convidados e chamavam-no para sair em horas descabidas. Era culpa deles! Ou isso, ou Pinóspio tinha outra. Sabia, ele andava saindo muito sem ela, só ligava quando não tinha mais o que fazer, e da última vez que saíram quase não a beijava em público. Aquele cachorro, ela iria esquecê-lo! Custasse o que custasse, nenhum homem iria dobrá-la novamente. Ela já sabia se virar, sempre soube. Já esteve sozinha uma vez, quem era ele, aquele cachorro, vadio! Ca-chor-ro!
Quando ela estava prestes a derrubar outro vazinho chinês, ouviu alguém mecher na porta. Era o safado! Apostou consigo como ele estava bêbado. Pegou o vazinho chinês e apontou-o com toda a sua mira, para a porta. Era agora, ia contar até três.
Um...
A porta se movia lentamente, como se estivessem gravando um filme ali e fossem os momentos cruciais. Marisca quase pôde ouvir uma trilha sonora digna de Hitchcock.
Dois..
Ele colocou a cabeça pra dentro, e depois o corpo. Trazia um embrulho na mão, mas a raiva que anuviou os olhos míopes de Marisca não a deixava vê-lo muito bem. Mas também, pouco importava, safado!
E três..
Ele sorria estranho e começava a dizer ''Desculpa a demora amor, fui visitar o Neurênsinho, e na volta comprei flores...'', quando ela arremessou com muita força o vasinho de porcelana certeiramente na testa do rapaz, que caiu como uma bolinha , fazendo ''PLAFT'' no chão e deixando as flores caírem uns cinco centímetros mais longe.
Antes de morrer, Pinóspio foi capaz de dizer: ''Por que você me matou, amor?"
Marisca olhava do defunto de cabeça ensanguentada para as flores, ainda com muita raiva, mas as vistas menos turvas.

Aí sim, ela teve um motivo para chorar.

9 comentários:

Roberta disse...

Meu Deus! Que forte! E lindo!


Beijão!

Marcelo Zaniolo disse...

Ei, obrigado pelo comentário no meu blog!

Fico feliz que tenhas gostado, contente que meu texto tenha te feito pensar e encorajado a deixar um recado.

Obrigado =D

E adorei seu texto, também. Não sei se foi proposital, mas a metafora do "matar o amor" ficou realmente interessante! Hehe

Tenha certeza de que voltarei mais vezes.

Beijo e bom fim de semana.

ps: gostei da foto do cabecalho do blog ;D

Evellyn Blush disse...

Perfeito..!

Steph disse...

Lindo, lindo mah.

tem um tempão que no te vejo!!

beijos

Luciana Brito disse...

Não vou falar o palavrão que queria, senão fica feio. Mas, pelamor, que texto é esse?
Muito bom!

Até me identifiquei um pouco com a paranóia dela =X

Beijo!

Gislãne disse...

Muito F***

palavas ou palavrinhas não servem para definir esse texto só mesmo um PALAVRÃO.


Ótima semana

Luna Sanchez disse...

Nós e os nossos dramas cotidianos companheiros, né?

Muito bom, parabéns! =)

ℓυηα

Tamara Lacerda disse...

paranoia paranoia paranoia!
quem nunca teve?!

um reatrato comum de tanta gente... haha.

você manda muito bem nos contos! não pare nao... ^^

boa semana!
beijo beijo.

Anônimo disse...

mááááá que foda!
verdade, toda mulher pensa assim... UAHSUASHAUSHAUSHAUSH Quando estamos furiosas, mas depois passa.

D:

beijão aaaaamo esse blog. ;x