sábado, 7 de agosto de 2010

In-tei-ro

É realmente muito simples: duas pessoas se conhecem e algo acontece. Algo sempre acontece, e não há nada de errado nisso.
O problema? O problema é quando continua acontecendo, over-and-over, como se fosse possível adiar o fim de qualquer momento que seja.
Daí, quando deixa de acontecer, é como um vidro sendo deixado cair Lentamente você o observa se afastar das tuas mãos, você sabe que vai espatifar-se em quatrocentos caquinhos e que por mais que você tente, nunca vai poder colá-lo de novo. E então, ele toca o chão fazendo barulho, tipo um ultimo suspiro, sei lá o quê e você fica lá, olhando os cacos, pensando nas várias formas com que poderia tê-lo segurado para evitar a queda...
E você, foi como um prato de vidro que eu deixei cair. Aliás, não sei bem se eu fui o prato ou você, o fato é que 'nós' viramos caquinhos. Quatrocentos caquinhos.

Isso tudo é pra dizer que ainda penso naquelas horas que eram nossas. E ainda esboço um sorriso só de lembrar das nossas birras, nossas farpas, nossas coisas. Só de lembrar que havia, ainda que timidamente, alguma coisa NOSSA. Porque afinal de contas, é isso que importa no fim, ter algo bom pra lembrar.

Fim. Estranho pensar assim, não é? Estranho que haja fim pruma coisa que nem precisou de começo. Fomos tão rápidos, estranhamente intensos, e -tenho orgulho dessa aqui- tão furtivos... Eu não lembro do nosso começo, tu lembra? Aposto que não. Mas eu lembro dos nossos nós de nós mesmos, o tempo inteiro. Preciso lhe contar essa, você vai rir, posso imaginar a sua cara e você balbuciando 'otária' pra esse papel aqui. Tu tens ocupado minha mente muito mais agora do que antigamente, sabia? É SIM, agora que não somos nada mais do que fragmentos, eu tenho sentido vontade de você. Aquela vontade que antes eu não tinha não. Isso é a vida brincando de me dar lição. Querendo dizer nas entrelinhas a famosa imbecilidade geral de ''só dar valor quando perde''. Mas, convenhamos que aqui não se aplica.
Eu não te perdi. Eu nunca tive.

Eu sinto vontade de ter ficado contigo só na imaginação, pra que agora eu pudesse ter de verdade, ainda que com as imposições de limites que bem sabemos quais são. Queria poder te abraçar sem sentir peso nos braços, ou sei lá o que é isso que eu sinto. Te ligar quando pensasse em você, sem que parecesse o que de fato é (porém precisa ser disfarçado), te falar besteiras, te ver todos os dias..., como eu queria você agora. Inteiro. IN-TEI-RO.

Tu deve estar franzindo a testa, mas fique ciente de que eu também não entendo do que estou escrevendo aqui.
Apenas sinto. E de sentir eu entendo, você sabe. Apesar de não conseguir expressá-lo, todo o meu sentir é imenso. E você sabe, todo seu. A menos por hora. Por horas. Tem sido assim...
Sério, tem hora que é foda.



Texto com dedicatória implicita.
E não é um adeus definitivo, porque você sabe, comigo nunca é. :D

23 comentários:

Mari disse...

Ai. O fim dói. Quem inventou o fim, hein?


Beijo.

Marcela Alves disse...

É o fim machuca, mas a gente nunca sabe se é o fim ou nao né.. vai que daqui a alguns anos voce o reencontra e resolve tudo. Pelomenos eu espero que isso aconteça comigo.. ^^p

beeijos

Jeh Marissol disse...

se não o teve IN-TEI-RO, deve-se orgulhar de que fostes IN-TEI-RA dele, to errada?
essas historias que ainda rendem lindos posts, na verdade nunca terão fim, mocinha!

grande bjo, adoro isso aqui!

Guilherme Augusto Codignolle Souza disse...

Mais uma vez de um verso seu fiz todo um devaneio...

Usei da sua idéia de quebra em pedaços em um post do meu blog para os dias dos pais. ^^


http://codignolle.blogspot.com/2010/08/obrigado-pai.html

Link para a home:
http://codignolle.blogspot.com/

Muito bom o texto. Espero que vc tenha sido compreendida por qm deveria.

Henrique Miné disse...

o que eu mais gosto dos seus textos é a sinceridade, a falta de pudor pra expor tudo o que sente e que pede pra ser dito aí.

o melhor exemplo disso é essa última frase.

E, bem, de um jeito ou de outro os caquinhos se colam de novo SIM, nem se for pro prato se espatifar de novo, né...Mas sabe como é, a melhor cola pra isso aí é a vida, e ela dificilmente falha.

beeeeijos, foi genial, como sempre *-*

Charlie B. disse...

Tá, é o segundo texto que eu salvo no meu computador hoje. Senti suas palavras tão minhas e não resisti em salvá-las comigo. Muito bom e gritou muito comigo, fim dói, e pior é quando ficamos no "to be continued" é como você disse, é foda.

beijos,

Charlie B.

Alexandre Fernandes disse...

Você não tem controle sobre certos impulsos. O que sentimos e ainda permanece nos orienta de alguma forma misteriosa de difícil compreensão.

Mas se pensarmos um pouco, podemos supor que isso tdo é advindo de algo real, de coisas boas que compartilhamos, que vivemos e gostamos. Existem momentos e pessoas que não marcam apenas, mas se ternizam. Não podemos entender, mas podemos respeitar o fato de que se sentimos, é porque a alma está certa daquilo que lhe fez bem.

E faz bem sentir isso. A alma sente saudade de coisas verdadeiras. Mesmo que elas tenham durado dias ou até minutos.


Beijos.

ps: gostei daqui. =)

Ana Vicente disse...

Doído, triste, bacana e verdadeiro!
Muito bom...
Mas se sente vontade, vai atrás ué... melhor se arrepender do que não fez.
Bjs

Gislaine Fernandes disse...

Muito bonito...
As palavras são fortes, palavras essas de quem viveu tudo isso na pele...
Não é fácil se desprender de momentos vividos, nos desprendemos do que idealizamos mas do que vivemos não.
O fim é difícil...
Finalizar mais ainda...
Ser inteiro?
Essa é a questão.
Quem não quer o outro por inteiro?
Eu quero.
Tenho tentado sair de um relacionamento há um ano, justamente por querer o outro por In-tei-ro!
beijos

Nine disse...

É sim, é sim!
Tem uma hora que é foda.
A gente faz cara de besta, olhando como fomos descuidadas, deixando o tal fragil objeto de vidro se espatifar no chão...
é foda!
Adorei o texto!!
Abraço.

Erica Vittorazzi disse...

É sempre assim, não? Sentimos falta quando não existe mais, porque sentimos falta da esperança... de tentar mudar.


beijos

@bellanogueiira disse...

Quando se lê um texto desse fica até difícil saber sobre o quê comentar.
Acabou ou nem começou? E agora ainda dura de um jeito estranho, existindo em só uma das partes... Ou será que existe pela outra também e as circunstâncias não deixa ser revelado este sentimento que ainda resiste e pensa em juntar os quatrocentos caquinhos de novo?!
Dúvidas que com certeza acompanham o fim.
Beijos ;* e que passe, ou que dure.

bellanogueiira.blogspot.com

Lua disse...

Mas esse sentimento é por aquele que nao te inspirava mais? e que faz aniversário no mesmo dia que aquele meu? hehhe o coração é foda mesmo!

bjo querida ;)

Little Ann. disse...

nossa ma,
eu estou acabando de passar por essa mesma situação.
perdi pra depois querer dar valor.
hoje, acho que superei um pouco. estou melhor do que antes, bem melhor.
já se faz muito tempo também.
espero que a sua historia, seja diferente da minha e que voce possa ter a segunda chance que eu tive e não soube manusea-lá :x

Luís disse...

Ai, é tão triste ler isso. Acho que estou tão feliz com meu namoro (e isso já faz tanto tempo) que fico até com medo dessas coisas.

É assim mesmo, vamos quebrando tudo (a cara, o coração...) pra no final encontrarmos alguém que ponha os cacos no lugar e ainda amarre uma bela fita!

Beijo!

P.S.: obrigado pelo elogio! Adorei seu texto também (apesar de me dar calafrios, hahaha).

Annanda Galvão disse...

Essas coisas bagunçam tudo pra por ordem... " Porque afinal de contas, é isso que importa no fim, ter algo bom pra lembrar."

Assino em baixo!
Lindo aqui tb!
Obrigada pelo comentário carinhoso!
beijos!

Vanessa Romão disse...

Eu senti isso a semana toda.
Não tive coragem de escrever.
Talvez, agora, eu tenha.


:*

Jaya Magalhães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jaya Magalhães disse...

Já assistiu "Apenas o Fim"? Pois assista. Eu aprendi, nesse filme, a não deixar que os finais sirvam apenas para doer. A gente fica com um tantão de coisas boas e as lágrimas não devem ser só tristes.

Eu li teu texto te imaginando, em cada frase. Ousando arriscar as reações do alguém, ao ler. Se eu fosse ele te xingaria demais.

Pare de ser linda, assim, tão foda.

Beijo, Má.

dear sarah disse...

Doer dói. Mas a força melhor que acontece é de dentro de nós.

Carolda disse...

Sabe, por mais que você fale que agora vocês são caquinhos, ainda sinto que esse fim aí não chegou.
E é, todo fim tem lá sua beleza.
Um beijo

Athila Goyaz disse...

Adorei, você se expressa muito bem sabia?
abraços!

Red Forman disse...

Rompimento é sempre foda. Boa sorte.

=*

RED.