sexta-feira, 16 de julho de 2010

Nem eu sei bem

Lá fora a chuva anuncia uma trégua e o Sol retoma seu lugar devagarinho por entre as nuvens. Aqui? Faz frio. Eu tento me encolher ao máximo na cama, suplicando por mais cinco minutinhos. Queria voltar a sonhar, pra ver se ao menos por lá eu consigo ser tranquila, ser feliz ou sei lá. Levanto num salto, como quem sabe que precisa acordar de verdade, pra valer.

É que já é hora de começar a minha busca por Amor. Pra varrer a poeira dos móveis, desaparecer com os cacos do chão e me fazer sonhar de verdade. Sonhar NA verdade, consegue entender? Mas é tudo tão inalcansável, cansativo, enjoado, meloso, dramático, que eu acabo cansando no meio do caminho. Não tenho cola pra prender alguém em mim. Eu tenho mais é repelente, dos brabos. Nunca vi...

Eu não tenho precisado de muitos motivos pra me achar uma tola. Ultimamente esse conceito tem me caído como uma luva. Ando irracional. Irremediável. Querendo gritar impropérios a tudo o que se move. Eu vou, inclusive, colocar uma placa na porta de 'Não perturbe'', talvez ajude os pobres coitados que ousam passar pelo meu caminho em tempos como esse. Essa coisa de não se decidir, que antes era defeito dos outros, se mostra intensa em mim. Mas convenhamos, entre azul-claro e azul-escuro há uma infinidade de matizes. Não dá pra saber de cara, qual é a que combina mais com o quê.

Aqui dentro tem um superestimado órgão que pulsa forte e incessantemente, como se quisesse ir embora de mim. Devo dizer que sinto pena do coitado, e adimito que se eu fosse ele, já tinha pulado faz tempo desse navio sem comandante, que eu sou. Ele tem gritado, ultimamente. Dia desses apurei os ouvidos e pude ouvir berros de ''EU NÃO AGUENTO ESSE VAZIO!'' Me assustei. E chorei. De-sa-bei. Porque eu também não aguento, coração. Eu também quero preenchê-lo.

Ando cheia das dúvidas. Com que roupa? Pra onde? Quando? Por quê? Por que não?
E sabe, sei lá eu se quero essas respostas. Depende de quem me dará e quais serão. Aliás, T-U-D-O depende. Do humor. Do sabor. Da cor. De mim. Dos outros. Vai entender, né? Meu olhos insistem em me delatar. Eles perguntam por mim, até quando eu decido de uma vez por todas que não quero mais saber de perguntas.

Eu queria entender um monte de coisas pequenas, desimportantes. E desses momentos desarrazoados que me tiram o fôlego e as esperanças, de vez em quando.
Será que o que eu preciso, tem que ser realmente procurado, desejado, esperado? Talvez eu devesse apenas deixar fluir.
Nem eu sei bem.

14 comentários:

J. disse...

incrível o jeito que tu faz com que as palavras tenham todo o sentido do mundo. Sinceramente eu adoro o teu blog, entro aqui sempre que ligo o computador, e tu sempre consegue falar por mim.
Ando assim também, ultimamente. Por mais clichê que pareça, talvez seja só uma fase, e é realmente muito chato ouvir isso, eu sei.

Rainha Branca | Loli disse...

Eu andei assim como você dias atrás. Agora estou assim, mas nao com questões do coração, essas eu desisti de tentar entender. E quer saber, to melhor assim. Nao quero dizer que to melhor solitária, nao... To melhor pq só de parar de pensar (e é difícil fazer isso, sim) no coração, na vontade de preenche-lo e t udo o mais... já é um alivio. É um alivio acordar de manha e nao pensar em ninguem, exceto em vc e as coisas que tem pra fazer, por piores ou melhores que sejam. Sei lá, daria um conselho, mas como vc mesma disse, nao sabe se está a procura de respostas.

Gostei do post ;D Não é nem um pouco cansativo de ler, e isso é uma proeza! Belo blog tb ^^

L. disse...

"[...]Queria voltar a sonhar, pra ver se ao menos por lá eu consigo ser tranquila."

É tão confuso se sentir assim, que chega a ser ridículo. Eu me sinto assim, não um dia, uma hora.. mas SEMPRE.. e é revoltante.. pensar, pensar, pensar.. e nunca chegar a uma conclusão certa.. só opiniões contraditórias e malucas.

aquele trecho de seu texto que separei.. diz exatamente o meu desejo atual.

;*

Crônicas do Cotidiano disse...

Oi Ma...

Que coisa de tempo e atemporal hein! Lindo texto... E se me permite: Nunca sabemos do todo - a gente só vive e completa o elaborado mundo das coisas que nos cercam e que nos formam.
Um beijãoo e bom find!

Letícia Monteiro disse...

*--*
amei seu blog (:
beeijos :**

MAILSON FURTADO disse...

Parabéns, belo blog...

PARABÉNS!!!

Acesse:
http://mailsonfurtado.blogspot.com

Paula disse...

Meu deus voce anda vivmento a minha vida por engano? é praticamente como se você a cada dia escrevesse tudo o que eu to sentindo e passando...

Henrique Miné disse...

deixe fluir sim, me identifico muito com essa fase que vcê está passando, e se sei que se tem algo que voce tem que fazer é levar na boa, deixar que as coisas aconteçam.

Porque elas sempre acontecem, nada é eterno, apenas relaxe x)

Sérião, vai por mim1 :D

E fique a vontade pra fazer uma continuação do meu post se quiser =)

beeeeeijos.

Lury Sampaio disse...

Já passei por momentos assim, quando eu achava que tava usando repelente como desodorante e sei nem uma resposta, só perguntas e a maioria com um porquê na frente...
Mas tudo passa, tudo se ajeito no fim das contas.
beijo.

Pedro Henrique F. disse...

Ôooh , não se sinta assim não, se preocupe menos com as coisas e viva um pouco mais, seja mais otimista com as coisas, eu procurava ser um pessimista assim antigamente, faca isso e vai se sentir bem ;), rsrs

Está fantástico Maria, simplismente fantástico...como sempre...!

Beijão,

Carolda disse...

Olha, todo mundo diz que a gente só acha quando para de procurar. Depende do que você quer. Eu me apaixonei quando menos esperava. E menos queria.
Sei bem o que é sentir esse vazio, dói muito, sufoca.
Nâo sei ao certo o que é certo (!), isso varia de pessoa pra pessoa, mas sabe, ficar tentando achar respostas pra tudo nem sempre te leva a algum lugar.

Um beijo

matheus disse...

maria maria, sempre no mesmo dilema haha e incrivel como prende a leitura com coisas que se encaixam em qualquer um de nós, ao menos o que tem um ser pulsante dentro do peito!

gostei mesmo, anda meio sumida até do formspring ein haha

beijos

Erica Vittorazzi disse...

Ma, fluir, fluir...sempre.

Coincidência ou não, ontem eu achei meu diário de quando eu tinha 15 aos 17 anos, com algumas passagens pelos 19, quando o meu pai morreu... Li, ele inteiro. Hoje tenho 33 anos, e te falo, como você vai rir destas perguntas, deste repelente humano e de tantas outras coisas. Por isso, deixe fluir...

beijos

Luciana Brito disse...

Acredito muito que o deixar fluir é a melhor opção. Porém, como quase tudo, isso também depende. Depende do que está sendo procurado, depende da vontade, do tempo e por aí vai.

Mas ainda assim acredito que seja a melhor opção. Ligar o 'foda-se', sabe? Deixar rolar e ver no que dá... se for amor, ele aparece de uma hora pra outra.

Comigo foi assim x)

Beijo moça, e belíssimo texto.