segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Querido Passado..

Me refiro a ti como ''querido'' e parece-me que é realmente o certo.
Às vezes, sinto sua falta mais do que deveria. Contigo, vivi momentos inesquecíveis.
Hoje não sinto metade das coisas que sentia quando estava ao seu lado e o tempo passa que nem vejo, deixando pra você nada além de rascunhos de dias mal aproveitados. Te escrevo hoje, pra dizer que falei de você com alguém especial que há muito me doía por achar que havia perdido. E foi graças a você, que esse alguém voltou. Espero que no futuro ainda estejamos confidentes como antes, como agora.(...)
Fico chocada, com a maneira com a qual mal lhe aproveitei e me arrependo de muitas das coisas que deixei de fazer.
Estranho imaginar que há tempos atrás, imaginei um futuro que acabou sendo diferente do presente que escolhi. Já lhe agradeci alguma vez por existir, passado?
Fico sem jeito de dizer isso, mas confesso-lhe que me conforta sabê-lo em detalhes e lembrá-lo com perfeição ainda nos tempos atuais, quando me dizem o tempo inteiro pra pensar no futuro.
Posso abrir um parentese bem grande? Tenho medo desse tal de futuro. Diferente de ti, eu o desconheço e não gosto de pensar nele. Me dá nó na barriga toda vez que penso que durante esse futuro, não terei mais a ti. Meu querido -e aqui repito o querido- passado.
Contigo aprendi muito, diferente do que pensam.. chorei, sim, durante a sua estadia passageira em minha vida, e confesso me arrepender de muitas coisas.
Vou lhe dizer, cá entre nós, eu não lhe mudaria em nada. Nem nas pessoas que conhecia tão bem e hoje desconheço.. nem nas quedas seguidas de rápidos momentos de tristeza. Juro que lhe acho perfeito, assim como é. Como foi, na verdade... Enfim, não lhe tomarei mais o tempo.


Um beijo, Maria.

domingo, 30 de agosto de 2009

Ao avesso

Quando se espera muito por uma coisa, e se vê que, de tanto se esperar, se cria expectativas demais em cima do que "pode ser", a dor é forte. Não tão forte como a dor de cair da escada ou no meio do asfalto, e nem tão forte como a dor psicológica de um amor não correspondido. Mas é uma dor que incomoda.


Finalmente o telefone tocou. Muita coisa pode ter antecedido o processo, a exemplo uma falha na comunicação entre o Sr. Sedento e a Srta.Decadente e também uma diferença de interesses. O fato é que, quase que exatamente um mês depois, alguém se sentiu só e resolveu discar 8 números em seu celular, deitar na cama - como eu imagino -e ligar.
As primeiras conversas por telefone, são sempre muito estranhas. Numa ligação inesperada, as coisas são piores. Não se sabe o que dizer, como dizer ou porque dizer.
A dúvida surge devagar e toma conta ''Será que eu deveria ter ligado?''

Pra ele foi legal conhecê-la, mas ele não tem certeza se é só isso. Um cara de sua idade, na situação em que se encontra, deveria saber como agir. Ele vive rindo disso quando se olha no espelho treinando seu sorriso e tentando deixar uma mecha rebelde do seu cabelo, parada no lugar. Seus amigos - imagine-os como quiser - não apoiam todo essa história de ligar pras garotas no dia seguinte. Foi por isso que ele demorou tanto pra ligar. Apesar de que, duas semanas antes, ele ligou pra ela - é certo que ela estava na sua frente e não passou de um plano (falho) de sedução -, e não fora tao dificil encontrar as coisas certas a dizer.
Pra falar a verdade, ele estava só procurando algo pra fazer na sexta-feira. Assim como num certo sábado que já passou. ''Mulheres são complicadas, mas essa aqui.. é uma loucura'' - dizia ele aos amigos, sempre que o pegavam no flagra pensando nela. Pensar nela, ele nao pensava, mas sempre lembrava das conversas insanas e de como ela revirava os olhos e sorria quando ele nao entendia o que ela dizia. É que ela falava muito, e ele nao consegui acompanhar.
Menina bonita, até. Tinha um belo sorriso e cabelos compridos. Qualquer garoto ficaria mexido. Menos ele, porque era novo demais e queria curtir.
Pelo menos ele acreditava nisso.

Ela atendeu o telefone meio irritada e soltou o seu pior tipo de 'Alô'. Ao ouvir a voz do outro lado, já era tarde. Ficou agitada por um tempo, mas passou.Então era assim? Um mês depois, ele resolvera ligar e achou que poderia vê-la? Ela riu-se por dentro. Já não queria mais. Foi seca, e não fez a mínima questão de continuar a conversa. Desejou dizer ''Voce teve o seu tempo'', mas resolveu não ser tão dramática. Suas amigas pouco sabiam dele. Algumas coisas que ela dizia, outras que concluiam sozinhas.. a maioria delas, apoiava uma relação entre os dois. ''Ele conseguiu conversar com você.. por mais de duas horas sem mandá-la calar a boca?! Nasceu pra você'', elas riam. Ela sentou-se entediada na cama, enquanto ouvia-o dizer sobre o que tinha feito. Prestava atenção em algumas palavras e ainda estava decidindo sobre o que fazer ou dizer, quando ele desligou. Malfeito feito. Ela se sentia leve agora. Deitou-se na cama analisando o teto por um tempo. Ela era nova demais e tinha que curtir.
Só agora entendia isso.

Talvez o telefone não volte mais a tocar.
E quem precisa que ele toque, afinal?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E agora?

Lágrimas tímidas surgiram no rosto dela. Eu sabia, ela sabia, que o choro ia chegar. Tentei abraçá-la com um sorriso amarelo, e encontrar uma palavrade consolo. Não havia uma sequer.
Abracei-a mais forte, sem sorrir. Respeitando a sua dor.
Como podem tais coisas acontecerem e ninguém impedí-las? Me senti impotente - o que de fato sou -, por não ter o que fazer. Ela acalmou-se e disse, sem jeito: ''E agora?''
Era uma pergunta complexa demais. Eu nao podia simplesmente respondê-la, com a mesma rapidez que responderia à garçonete da padaria que sempre me pergunta como gosto do meu suco. Não era uma pergunta de resposta fácil. Olhei em seus olhos -grandes e castanhos- que ainda estavam vermelhos por conta do choro, e, ainda olhando pra eles, pensei.
Pensei em todos os dias em que me preocupei com coisas bobas. Meu Deus, como sou imatura, tentando me encontrar nas coisas da vida.. como sou boba e ingênua em questões amorosas e como sou infantil com relação às minhas amizades... Como posso achar que problema é isto?
E pensar que até aquele dia, minha maior preocupação era com o meu cabelo (e não vou começar a tocar nesse assunto aqui, porque o assunto não é esse). Senti vontade de chorar, também, que de alguma forma me deixa aliviada. Mas chorar dói na cabeça e no peito e era tudo o que eu menos precisava agora. Já me doía o peito de vê-la assim. A pessoa que me passa força e segurança, estava ali nos meus braços, me fazendo uma pergunta -pela primeira vez- e eu não tinha uma resposta.
Pensei em dizer ''aponta pra a fé e rema'', mas ela iria me olhar apertado e chorar mais forte.
O que dizer? Desejei que a pergunta fosse um cálculo, ou tivesse a ver com um livro ou filme bastante comentado ou interessante que eu já tivesse lido ou visto. Mas era mais que isso, era sobre a vida. -Não a vida em si, mas a NOSSA vida.
E agora?
Só me fiz esta pergnta 456 vezes na vida, eu acho. (sabia que quando penso em um número o primeiro que me vem à cabeça é este?) Todas muito bobas, como quando eu quebrei um vaso e ela -ela dos olhos grandes e castanhos que sempre sorriam e agoram choram aqui, na minha frente - me olhou com um olhar repreensivo e eu pensei ''E agora?''. Queria fugir, agora. Pra longe do mundo, lá na lua e ficar olhando pra cá. Uma imensa bola azul onde não é mais seguro viver.
Percebi que já faziam uns 5 minutos que ela me olhava com ar de pergunta e que eu me perdia em pensamentos inúteis - como sempre-, então sorri um sorriso confiante e disse
-E agora a gente continua a viver. Porque é assim que tem que ser. Não quero parecer clichê, nem nada, mas estamos juntos. E juntos, iremos superar isso. -
Ela não sorriu, nem disse nada. Apenas piscou duas vezes, e me deu um abraço.

Naquela noite eu não chorei. Posso ter chorado depois, mas ali, não chorei.

sábado, 22 de agosto de 2009

Não tente fugir.

Não tente, porque não adianta.
Não adianta fugir. Não adianta se esconder. Não adianta tentar evitar.
Ele sempre irá te encontrar e encontrar também uma maneira de te fazer perder o controle.
Ele sabe exatamente a hora de chegar, mas perde a hora de sair.
Eu sempre tive medo de encontrá-lo, sempre tentei fugir.
Me disseram que ele só chega se você deixar.
Claro que não é como se você fosse
escolher a hora exata de sua chegada, mas seu convite é a predisposição.
Nunca estive prediposta.
E mesmo assim, ele veio.
Mesmo assim.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sobre as noites.

''Não quero ser triste
Como o poeta que envelhece
Lendo Maiakóvski
Na loja de conveniência
Não quero ser alegre
Como o cão que sai a passear
Com o seu dono alegre
Sob o sol de domingo...''
(Zeca Baleiro - Minha Casa)


Todas as noites, enquanto todos parecem sempre ter o que fazer, aqui estou eu, pensando.
Imagino mil coisas, escrevo mil cartas endereçadas a ninguém e ouço mil musicas que me lembram alguém.
''É uma fase e vai passar''. Espero que não demore muito.
Todas as noites, enquanto todos riem-se das vidas que levam, cá choro-me da vida que não levo.A vida é que me leva. Me leva por caminhos que nem sei. Que nem escolhi.
E por falar em vida, eu tenho descoberto o poder que a confiança exerce sobre mim. Por mais que a verdade grite e se jogue à minha frente, a maldita confiança me impede de aceitá-la. E sei que isso não é só comigo. Já queimei minha mão mil vezes por insistir em botá-la no fogo. Não adianta. Enquanto eu ainda tiver uma, ''eu boto minha mão no fogo''. Não é porque eu sou burra. Afinal, como diria o poeta ''Você não é idiota por acreditar. Idiota é quem mente'' (nem sei se é mesmo assim, mas a idéia é essa). Se ''é errando que se aprende'', tenho aprendido muito nessa vida.
Toda a noite, sinto vontade de chorar. Todos os dias, eu não faço nada, além de pensar.
Penso nos dias, nas noites, nas horas, nos anos. No passado, No presente, No futuro. Na escola.
Penso tanto... penso em tudo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Domingo, 9 de agosto de 2009

Queridíssimo Pai,

Outro dia dos pais.. outra carta. Daqui uns anos, você enjôa disso. É que, há tanto o que falar, num dia como esse (data capitalista, tsc.. eu me rendo)... aliás, há muito o que falar pra ti, todos os dias. Então, prepare-se. Se não estiver sentado, sente-se, pois isso aqui vai demorar, vai ser incoerente e pode ficar cansativo com o tempo. Pegue uma caneca de café e, se preferir, acenda um cigarro. Um só, porque sabes que eu não concordo com vícios. Hoje eu abro uma exceção. Sem mais rodeios, comecemos que a estrada é longa.
Ninguém entende como as coisas aconteceram e acontecem entre nós, e afinal, isso só interessa a nós. Eu agradeço aos céus todos os dias pelos pais que eu ganhei de presente. Presente, sim. Porque não tenho só um pai e uma mãe, sendo duas pessoas que se casaram e tiveram dois filhos e criaram e pronto. Eu tenho a minha mãe, e tenho você, meu pai. Você que mesmo com todo o respeito e admiração, não preciso chamar de ''Senhor'' (que ao meu ver, não tem nada a ver com respeito), convenhamos. Você que é brother, que escuta, que fala (muitas vezes mais do que escuta). Que parece querer ouvir tudo o que eu tenho a dizer, como se as minhas palavras, por mais bobas ou inúteis, tenham o poder de mudar a sua vida, de várias e pequenas maneiras.
Mas, não vou ficar falando muito do que você faz por mim, porque, se é você quem faz, você tem conhecimento de todas elas. Mas, posso falar das coisas que você faz em mim? Como um verdadeiro pai que se preze, você me muda a cada dia. Me ensinou e ensina muito. Por exemplo, contigo aprendi que se eu quero alguma coisa, não devo ter medo ou vergonha de planejá-la e conseguí-la. Me ensinou a vencer o medo das pessoas. Tem percebido como ando mais sociável? Você também tem me ensinado a me valorizar e saber ser elogiada (o que não significa que gosto de ser elogiada o tempo todo, porque o meu lado egocentrico está sempre dormindo. reflita).
Foi você, que, quando comecei a despertar meu interesse pela arte, com meus 9 ou 10 anos, me apresentou a Michelangelo, te lembra disso? Tudo bem que anos mais tarde, meu interesse foi pra outros tipos de arte, como a literatura por exemplo.. mas, lá estava você de novo, me apresentando ao livro de nossas vidas (exagerei, mas, deixa quieto): Harry Potter. O livro que me ensinou muita coisa, acredite (e nem foram feitiços, caso você engraçadinho tenha pensado nessa piadinha boba). Quando comecei a dar uma de escritora, você me achou, como se acha um autor (posso me utilizar dessa palavra tão grande, pra falar de mim?) perdido num sebo enorme, num canto de uma prateleira lá no fundo, onde quase ninguém chega pra procurar alguma coisa. E me apoiou. Gostou de ler, e me incentivou. Despertou em mim a vontade de escrever mais.
E é por isso que hoje, escrevo pra você, com essas palavras jogadas aqui sem uma necessidade muito grande de fazer sentido.
Outras coisas que eu me lembro, são as nossas aventuras por aí afora, as primeiras festas, a primeira viagem sozinhos (sozinhos!), e tanta coisa... As horas que passávamos conversando e você contando, num quarto de hotel lá na praia (você lembra?) as histórias do Jacaré Lucilius. Eu e Pedro nunca esquecemos dessa.
Eu costumo dizer aos amigos, que minha vida daria um livro. Contando toda minha falta-de-sorte com algumas coisas, facilidade de me meter em enrrascadas e pouquíssimo dom pra me relacionar com as pessoas, sem falar de toda a minha história com meus pais e meu irmão (aqui, de certo, dava uns 29 capítulos no primeiro volume - claro, porque seríamos uma saga- rs)... mas, a nossa história, vem sendo escrita todos os dias. Mesmo naqueles em que não estamos juntos. Todos.
Ah falando em dia dos pais, deixa eu te contar uma história engraçadissima sobre essa semana que passou... Lá fui eu, depois de uma aula cansativa de biologia (que eu nem prestei atenção, porque veja bem: tirei 10 na prova-cof cof-) andar pelas ruas dessa cidade maravilhosa, cheia de encantos mil (Rio de Janeiro? -não, Itabuna, obrigada), e eu juro, com o plano de encontrar uma coisa legal pra te dar. Eu podia dar só a carta, um abraço e a minha adorável companhia... Mas me falaram que é feio chegar em datas comemorativas sem presentes. Droga. Mas, beleza, eu estava disposta, juro, a comprar uma coisa muito legal que te fizesse rir, no mínimo...quando meu cérebro entrou em pâne total e meus órgãos decretaram falecimento súbito coletivo. Eu nunca vi tantos preços altos, tantos zeros em frente a vírgulas. Bastou uma ida ao centro da cidade e pluft, plaft, zum (não vai a lugar nenhum...): foi-se a minha respiração. Uma simples camiseta com uma simples e singela foto por R$30,00? E o preço das calças xadrez que foram costuradas pelas monjas cegas, surdas, mudas, paralíticas e com insuficiência cardio-respiratória no alto do pico das Agulhas Negras na selva amazônica? Sim, porque essa me parece a única razão dos preços das coisas do mundo atingirem a cabeça do Cristo Redentor! Enfim, eu tive que me contentar com um perfume modesto mesmo pra não despencar da linha da pobreza individual.É que, digam o que quiserem, eu também fui afetada pela crise mundial.. Pobre de mim. Então, mesmo que o cheiro lhe desagrade, use-o, porque foi um sufoco comprá-lo (sem querer jogar nada na cara, e já jogando, porque... é um fato rs). GOSTE.Ou finja que gostou muito, igual você fingia que gostava dos bolos que eu fazia (não sei se você lembra disso, também). Não dê risada, porque é verdade. Voce fingia. Pensa que eu não sei? bua bua bua (bua é choro, tá?). Ai, fugi do lado poético da carta, se é que um dia ele existiu. E parei de separá-la em parágrafos.

Enfim pai, queria te desejar não um feliz dia dos pais, mas dias felizes. Todos eles, principalmente os chuvosos e nublados( porque dias de sol, são felizes por si só, eu não preciso desejá-los). Eu te amo, te amo e te amo.
Obrigada,
voce é o melhor pai que eu tive (?)

Um beijo,
Sua filha.