domingo, 9 de agosto de 2009

Domingo, 9 de agosto de 2009

Queridíssimo Pai,

Outro dia dos pais.. outra carta. Daqui uns anos, você enjôa disso. É que, há tanto o que falar, num dia como esse (data capitalista, tsc.. eu me rendo)... aliás, há muito o que falar pra ti, todos os dias. Então, prepare-se. Se não estiver sentado, sente-se, pois isso aqui vai demorar, vai ser incoerente e pode ficar cansativo com o tempo. Pegue uma caneca de café e, se preferir, acenda um cigarro. Um só, porque sabes que eu não concordo com vícios. Hoje eu abro uma exceção. Sem mais rodeios, comecemos que a estrada é longa.
Ninguém entende como as coisas aconteceram e acontecem entre nós, e afinal, isso só interessa a nós. Eu agradeço aos céus todos os dias pelos pais que eu ganhei de presente. Presente, sim. Porque não tenho só um pai e uma mãe, sendo duas pessoas que se casaram e tiveram dois filhos e criaram e pronto. Eu tenho a minha mãe, e tenho você, meu pai. Você que mesmo com todo o respeito e admiração, não preciso chamar de ''Senhor'' (que ao meu ver, não tem nada a ver com respeito), convenhamos. Você que é brother, que escuta, que fala (muitas vezes mais do que escuta). Que parece querer ouvir tudo o que eu tenho a dizer, como se as minhas palavras, por mais bobas ou inúteis, tenham o poder de mudar a sua vida, de várias e pequenas maneiras.
Mas, não vou ficar falando muito do que você faz por mim, porque, se é você quem faz, você tem conhecimento de todas elas. Mas, posso falar das coisas que você faz em mim? Como um verdadeiro pai que se preze, você me muda a cada dia. Me ensinou e ensina muito. Por exemplo, contigo aprendi que se eu quero alguma coisa, não devo ter medo ou vergonha de planejá-la e conseguí-la. Me ensinou a vencer o medo das pessoas. Tem percebido como ando mais sociável? Você também tem me ensinado a me valorizar e saber ser elogiada (o que não significa que gosto de ser elogiada o tempo todo, porque o meu lado egocentrico está sempre dormindo. reflita).
Foi você, que, quando comecei a despertar meu interesse pela arte, com meus 9 ou 10 anos, me apresentou a Michelangelo, te lembra disso? Tudo bem que anos mais tarde, meu interesse foi pra outros tipos de arte, como a literatura por exemplo.. mas, lá estava você de novo, me apresentando ao livro de nossas vidas (exagerei, mas, deixa quieto): Harry Potter. O livro que me ensinou muita coisa, acredite (e nem foram feitiços, caso você engraçadinho tenha pensado nessa piadinha boba). Quando comecei a dar uma de escritora, você me achou, como se acha um autor (posso me utilizar dessa palavra tão grande, pra falar de mim?) perdido num sebo enorme, num canto de uma prateleira lá no fundo, onde quase ninguém chega pra procurar alguma coisa. E me apoiou. Gostou de ler, e me incentivou. Despertou em mim a vontade de escrever mais.
E é por isso que hoje, escrevo pra você, com essas palavras jogadas aqui sem uma necessidade muito grande de fazer sentido.
Outras coisas que eu me lembro, são as nossas aventuras por aí afora, as primeiras festas, a primeira viagem sozinhos (sozinhos!), e tanta coisa... As horas que passávamos conversando e você contando, num quarto de hotel lá na praia (você lembra?) as histórias do Jacaré Lucilius. Eu e Pedro nunca esquecemos dessa.
Eu costumo dizer aos amigos, que minha vida daria um livro. Contando toda minha falta-de-sorte com algumas coisas, facilidade de me meter em enrrascadas e pouquíssimo dom pra me relacionar com as pessoas, sem falar de toda a minha história com meus pais e meu irmão (aqui, de certo, dava uns 29 capítulos no primeiro volume - claro, porque seríamos uma saga- rs)... mas, a nossa história, vem sendo escrita todos os dias. Mesmo naqueles em que não estamos juntos. Todos.
Ah falando em dia dos pais, deixa eu te contar uma história engraçadissima sobre essa semana que passou... Lá fui eu, depois de uma aula cansativa de biologia (que eu nem prestei atenção, porque veja bem: tirei 10 na prova-cof cof-) andar pelas ruas dessa cidade maravilhosa, cheia de encantos mil (Rio de Janeiro? -não, Itabuna, obrigada), e eu juro, com o plano de encontrar uma coisa legal pra te dar. Eu podia dar só a carta, um abraço e a minha adorável companhia... Mas me falaram que é feio chegar em datas comemorativas sem presentes. Droga. Mas, beleza, eu estava disposta, juro, a comprar uma coisa muito legal que te fizesse rir, no mínimo...quando meu cérebro entrou em pâne total e meus órgãos decretaram falecimento súbito coletivo. Eu nunca vi tantos preços altos, tantos zeros em frente a vírgulas. Bastou uma ida ao centro da cidade e pluft, plaft, zum (não vai a lugar nenhum...): foi-se a minha respiração. Uma simples camiseta com uma simples e singela foto por R$30,00? E o preço das calças xadrez que foram costuradas pelas monjas cegas, surdas, mudas, paralíticas e com insuficiência cardio-respiratória no alto do pico das Agulhas Negras na selva amazônica? Sim, porque essa me parece a única razão dos preços das coisas do mundo atingirem a cabeça do Cristo Redentor! Enfim, eu tive que me contentar com um perfume modesto mesmo pra não despencar da linha da pobreza individual.É que, digam o que quiserem, eu também fui afetada pela crise mundial.. Pobre de mim. Então, mesmo que o cheiro lhe desagrade, use-o, porque foi um sufoco comprá-lo (sem querer jogar nada na cara, e já jogando, porque... é um fato rs). GOSTE.Ou finja que gostou muito, igual você fingia que gostava dos bolos que eu fazia (não sei se você lembra disso, também). Não dê risada, porque é verdade. Voce fingia. Pensa que eu não sei? bua bua bua (bua é choro, tá?). Ai, fugi do lado poético da carta, se é que um dia ele existiu. E parei de separá-la em parágrafos.

Enfim pai, queria te desejar não um feliz dia dos pais, mas dias felizes. Todos eles, principalmente os chuvosos e nublados( porque dias de sol, são felizes por si só, eu não preciso desejá-los). Eu te amo, te amo e te amo.
Obrigada,
voce é o melhor pai que eu tive (?)

Um beijo,
Sua filha.

Um comentário:

luciliocasas disse...

Minha tão querida e amada FíLEA
Seu talento é inato, fruto de um coração repleto de amor e que sabe ser amado. Seu pai, é babão, chorão, bobão, bestão e feliz por ser absolutamente SEU.